Oi confirma renúncia de Zeinal Bava. Assume Gontijo como interino


O escândalo da empresa Rio Forte, no qual a família Espírito Santo sacou R$ 3 bilhões da Portugal Telecom, quando Bava acumulava a presidência juntamente com a Oi, foi o estopim para a sua queda.

A Oi divulgou fato relevante agora a noite (no dia 07 de outubro) para comunicar a renúncia de Zeinal Bava  da presidência da empresa. Em seu lugar assume Bayard Gontijo, que vai acumular a função com o seu atual cargo de diretor de Finanças e de Relações com Investidores até que se encontre outro executivo para liderar a empresa.

Bava é o terceiro executivo originário da Portugal Telecom que cai após o rombo de quase R$ 3 bilhões ( ou 1 bilhão de euros) da família Espírito Santo, através da empresa RioForte na operadora portuguesa. Já caíram em agosto o presidente do conselho de administração, Henrique Granadeiro e em seguida caiu o diretor financeiro. No começo do ano, Granadeiro autorizou a compra dos títulos de alto risco da Rioforte sem levar o tema ao conselho de administração da operadora. Em julho, quando venceram os títulos, a Rioforte confirmou o temor de analistas e não pagou a dívida. Logo em seguida, pediu proteção judicial contra credores para não ser cobrada na justiça.

Carreira

Bava assumiu o comando da Oi em 4 de junho de 2013 e o anúncio de seu ingresso fizeram as ações da operadora dispararem. Afinal, o executivo tinha recebido o prêmio de melhor CEO de telecomunicações em março do ano passado. Em suas primeiras medidas, conseguiu diminuir a distribuição de dividendos, motivo de queda do presidente anterior, Francisco Valim.

Ele ficou à frente do processo para levar a Oi ao novo mercado, conseguindo concluir uma capitalização  de R$ 8 bilhões, recursos cuja metade foi destinada aos dois sócios privados nacionais (AG e La Fonte) e o restante foi canalizado para a operação brasileira, que tem uma dívida de R$ 46 bilhões. No processo de fusão com a Portugal Telecom que o executivo estava conduzindo, a operadora portuguesa ficaria com 37,3% das ações de controle da Oi. Depois da descoberta do saque a descoberto na PT, foi feita uma nova renegociação e a operadora portuguesa teve sua participação reduzida para 25,6%.

No meio da crise, Bava deixou a presidência da Portugal Telecom para ficar apenas com a Oi, em um movimento para tentar se isentar do problema português. Uma auditoria interna está prestes a concluir seu relatório sobre os responsáveis pelo rombo na PT. Esta semana a Veja antecipou a queda do executivo, confirmada hoje. Com a queda de Zeinal Bava, a Oi soma dez presidentes desde a privatização.

 

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