Zeinal Bava isenta Oi do empréstimo à RioForte


Executivo afirma que após assumir comando da Oi perdeu contato com as questões da PT e nega ter sido informado sobre operação de compra de 897 milhões de euros em papeis da Rioforte, que nunca foram pagos.

Zeinal Bava, ex-CEO da Oi e da Portugal Telecom, se eximiu de responsabilidade sobre as operações que resultaram em um rombo de 897 milhões no caixa da companhia portuguesa. O executivo depôs hoje (26) em comissão parlamentar de inquérito do Congresso de Portugal, que investiga as transações financeiras do Grupo Espírito Santo (GES).

A PT era uma das financiadoras do GES desde 2001, lembrou Zeinal. Mas ele ressaltou que, ao longo de sua gestão, a compra de dívida das empresas do GES nunca ultrapassou o limite do “razoável”, que seriam de 20% a 30% de exposição a tais títulos.

Ele frisou que a PT tinha investimentos em outros bancos até a data de sua saída, em 4 de junho de 2013, quando assumiu o comando da Oi, e que não sabia da operação de compra de 897 milhões de euros em títulos da Rioforte, investimento até hoje não recuperado e cujo déficit levou a uma reformulação da fusão com a Oi.

Segundo a imprensa portuguesa, ao longo de seu depoimento, Zeinal elogiou inúmeras vezes a equipe financeira da PT, inclusive Luís Pacheco de Melo, CFO do grupo e que articulou a compra dos 897 milhões em papéis comerciais da Rioforte que nunca foram pagos.

Com sua vinda ao Brasil, Zeinal teria se desligado de boa parte das decisões da PT. “Numa fusão, as partes devem defender os seus interesses. Estando na Oi, não queria ter mais situações pessoais, porque as pessoas que estavam do outro lado da mesa eram pessoas com quem trabalhei muitos anos e com quem não queria ter problemas pessoais nem conflitos de interesses”, disse o executivo, segundo o site Diário Económico. “A partir do momento em que fui para o Brasil, desliguei-me da realidade da PT SGSP”, disse ainda.

Eles ressaltou, também, que a gestão da tesouraria da PT Portugal passou a ser responsabilidade da Oi apenas em 5 de maio de 2014, depois que o investimento na Rioforte já havia sido feito.  Além de Zeinal, Pacheco e o ex-CEO da PT, Henrique Granadeiro, vão depor na CPI nos próximos dias. (Com agências internacionais)

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