WND: Uma rede dedicada à Internet das Coisas


O Tele.Síntese está aos poucos publicando os textos produzidos para o Anuário Tele.Síntese de Inovação 2018, publicado no último trimestre. Abaixo, veja o exemplo da WND, operadora que ganhou o terceiro lugar no Prêmio Anuário Tele.Síntese de Inovação pelo investimento em em internet das coisas.

Uma rede dedicada à Internet das Coisas

Com 60 parceiros e mais cerca de cem projetos em desenvolvimento no Brasil, alguns já operacionais e muitos em teste piloto, a WND (Wireless Network Development), empresa de origem inglesa que é operadora na América Latina e Reino Unido da tecnologia Sigfox, vai fechar o ano com 150 mil a 200 mil dispositivos conectados à sua rede implantada no país. “Vamos ter receita antes do que previa nosso business plan”, relata Alexandre Silva Reis (foto), diretor de Operações da empresa na América Latina, que tem sede no Rio de Janeiro.

A rede da WND, que começou a ser implantada em 2017, já cobre todas as capitais e cidades com mais de 200 mil habitantes do país, atingindo uma população de 120 milhões de pessoas. Além das principais cidades, a WND montou uma rede para atender às demandas do agronegócio em Mato Grosso, onde já conecta, além da capital, nove das principais cidades do estado que é o maior produtor de grãos do Brasil.

Segundo Reis, a WND vende apenas a conectividade. A oferta da aplicação, o seu gerenciamento e o relacionamento com o cliente são feitos pelos parceiros. E entre os parceiros há integradoras de soluções, fabricantes de hardware, desenvolvedores de software e empresas de acesso à internet, sejam grandes operadoras, que precisam complementar sua infraestrutura de rede, sejam operadoras regionais, como os provedores de acesso à internet. E também muitas startups. “Nós colocamos o tubo. A agregação de valor e o serviço de conectar os dispositivos são feitos pelo
parceiro. Somos neutros em relação às parcerias desde que sejam entidades idôneas”, diz Reis, para explicar um rol tão eclético de parceiros.

Sem citar nomes, pois a maioria dos contratos envolve cláusula de sigilo, o executivo conta que, entre os projetos em andamento, um envolve um grande fabricante de equipamento que quer, via sensor, monitorar toda a sua base instalada. No segmento de utilities, há um projeto em desenvolvimento em uma empresa de energia elétrica na Amazônia e outro em uma empresa de água em São Paulo. Seu portfólio já inclui vários aplicativos para o usuário final, sempre comercializados pela rede de parceiros. No caso do agronegócio, já estão disponíveis para o campo: gestão de silos, da Agrusdata; o colar de gado, da Digitanimal; dados meteorológicos, da Agrosmart; e rastreamento de defensivos agrícolas, da Loka e da Suntech (duas soluções diferentes).

Nos próximos meses, acredita Reis, os projetos que estão em maturação vão se viabilizar. “Vamos assistir a uma explosão de projetos de IoT em vários segmentos”, acredita o diretor da WND, que elegeu, entre as verticais prioritárias, utilities (energia, água e gás), agronegócios, logística e transporte (muito associados ao escoamento dos produtos do campo) e segurança. Por acreditar na curva virtuosa do desenvolvimento desses projetos, ele prevê, para o segundo trimestre de 2019, que a rede da WND estará conectando no Brasil cerca de um milhão de dispositivos.

Para cobrir o Brasil e vários países da América Latina, a WND está investindo US$ 65 milhões até o próximo ano. Depois de iniciar o serviço no México, Colômbia, Argentina e América Central, a empresa iniciou a implantação da rede, no segundo trimestre deste ano, no Chile e Equador; neste trimestre, os trabalhos começaram no Peru; e, até o final do ano, a rede começará a ser implantada na Bolívia, no Paraguai e no Uruguai.

A rede da WND opera na faixa de 900 MHz, em frequência não licenciada, sem custo. Usa a tecnologia da francesa Sigfox, presente em 60 países. Para resolver o problema da interferência na faixa livre, a Sigfox usa um canal superestreito que vai em cima da banda. “Assim, é possível decodificar o sinal mesmo em meio a muita interferência”, diz Reis. O dispositivo usado na rede é barato, pois as informações a serem transmitidas são de poucos bytes, exigem pouco processamento e têm baixo consumo de energia (bateria). Segundo Reis, há várias empresas no Brasil, mesmo de pequeno porte, desenvolvendo sensores para a Sigfox, em especial para aplicações dedicadas a nichos de mercado.

Com preço imbatível frente às operadoras celulares que estão interligando as “coisas” com tecnologia 2G e 3G – US$ 7 ao ano por device pela conectividade, na modalidade mais cara, versus US$ 2 US$ 3 por mês –, a WND diz que há espaço sim para as operadoras no mercado de IoT. “Temos atuações complementares”, explica. E diz que a tecnologia Sigfox é imbatível para interligar aplicações que geram poucos bytes (o valor ano da conexão por device é de US$ 1,30), mas não é adequada para aplicações online ou muito sofisticadas, que demandam muito processamento e um device muito mais inteligente.

É aí que entram as operadoras. A tecnologia Sigfox é uma das que foi desenvolvida para redes no conceito Low Power Wide Area (LPWA), que surgiu para conectar milhões de “coisas” de menor valor agregado, com menor custo de conexão e menor consumo de bateria. Outras alternativas de LPWA são a tecnologia LoRA, que também utiliza frequência não licenciada e foi projetada para atender sensores com necessidades limitadas de taxa de dados, disponibilidade e qualidade, e a NB-IoT e LTE-Cat1, padrões desenvolvidos dentro da LTE para a conexão de “coisas”. Estas usam
frequência licenciada.

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