WiMAX, uma promessa ainda sem padrão


20/01/2006 –  Como todas as novidades tecnológicas (e elas surgem diariamente), agora é a vez do WiMAX – numa definição simplista, uma solução de  comunicação sem fio, via rádio, de mais longo alcance e maior capacidade do que o Wi-Fi. Todo mundo tem projetos experimentais localizados, com um sistema que ainda está em vias de …

20/01/2006 –  Como todas as novidades tecnológicas (e elas surgem diariamente), agora é a vez do WiMAX – numa definição simplista, uma solução de  comunicação sem fio, via rádio, de mais longo alcance e maior capacidade do que o Wi-Fi. Todo mundo tem projetos experimentais localizados, com um sistema que ainda está em vias de ser padronizado – as concessionárias já testaram; potenciais usuários corporativos também; Intel e Nortel realizam testes em pequenas localidades. São muitos os interessados no seu desenvolvimento, já que chips, equipamentos (dispositivos de usuário e estações radiobase) e serviços WiMAX vão se traduzir em novas fontes de receitas. Mas não tão já, na medida que o WiMAX em questão é uma solução fixa, cujos produtos estão sendo certificados em um laboratório da Espanha para fins de padronização, portanto, interoperabilidade.

Eis por que, por exemplo, a Nortel, em parceria com a AirSpan, ter anunciado que os primeiros produtos – ERBs e dispositivos de usuários – só chegam ao mercado no fim deste primeiro trimestre. O que existe, hoje, é o “pré” WiMAX (802 16 2004). De quebra, mas não menos importante, tem-se que, atualmente, enquanto uma placa Wi-Fi pode ser comprada no varejo por cerca de US$ 20, uma WiMAX não sai por menos de US$ 300. E mais receita ainda poderá ser gerada em 2007, quando devem ser lançados produtos WiMAX móveis (802 16 e, padrão ainda em definição). A Nortel promete, a depender do andar da carruagem da padronização, demonstrações de produtos desenvolvidos com a parceira LG, baseados na tecnologia WiBRO, que já equipa dispositivos móveis WiMAX em uso na Coréia. Aqui, porém, um alerta de Rodrigo Abreu, presidente da subsidiária brasileira da Nortel: os padrões fixo e móvel não são compatíveis.

O sucesso, ou insucesso, de novas tecnologias é diretamente proporcional ao seu impacto positivo, ou não. É o que procura mostrar o recém lançado relatório “Emerging Telcos”, elaborado em conjunto pela IDC Brasil e Voga Advisory. São três as alternativas possíveis para o WiMAX, avalia Alexandre Gärtner, principal executivo da Voga. Uma, o seu uso no backbone das concessionárias, substituindo fibra ou rádio. Mas seria essa uma opção competitiva em relação à fibra óptica, com elevado estoque apagado, ou ao rádio digital? É provável que não. Outra possibilidade é o recurso ao WiMAX para extensão dos serviços de banda larga para localidades onde há demanda, mas não redes de cabo ou de cobre. Neste caso, observa Gärtner, o impacto é claro, uma vez que permite a expansão dos serviços de banda larga, isto é, o mercado cresce.

Por fim, o WiMAX pode ser uma alternativa às redes existentes, que dá ao seu usuário total independência das redes das operadoras tradicionais. Ou seja, permite ao provedor de serviços oferecer uma solução de dados que dispensa a rede local da concessionária, além de controlar sua própria qualidade de serviço.

Uso limitado

É o caso concreto da Neovia, operadora de serviços de banda larga para os segmentos residencial (via Directnet, provedor adquirido à Iqara Telecom, por sua vez, hoje uma empresa do grupo CTBC) e corporativo. Em operação comercial desde 2002, a Neovia tem backbone próprio 100% rádio e, desde o ano passado, também equipamentos WiMAX Alvarion, Proxim e Aperto Networks, instalados nos enlaces da rede metropolitana que cobre São Paulo.

Em 2006, a partir do segundo semestre, promete Maurício Coutinho, presidente da Neovia, os primeiros modelos da primeira geração de antenas WiMAX serão oferecidos aos clientes corporativos – antenas no estágio intermediário que podem ser colocadas sobre a mesa do usuário, ao invés de ficarem anônimas nos topos dos prédios. Este ano, pondera Coutinho, o WiMAX ainda terá uso limitado. Para as incumbents, trata-se de uma “tecnologia disruptiva” vis à vis sua rede de cobre. Por isso, não estariam dispostas a incentivar seu uso. Caso diverso, por exemplo, de uma Intel, interessadíssima em estimular a demanda pelo sistema porque, assim como o seu Centrino é um chip que embute o Wi-Fi, o mesmo poderá ocorrer com o WiMAX. Alexandre Gärtner lembra que, em 2000, nenhum laptop saía de fábrica com chip Wi-Fi, e quem quisesse usar a solução, que recorresse a placas externas; em 2005, 95% dos laptops chegaram ao mercado com chips Wi-Fi. Intel. Um bom motivo para a fabricante atirar em várias frentes, entre elas a da inclusão digital.

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