WhatsApp e Netflix estão rindo a toa


Os últimos movimentos dos governos estaduais – de elevação da carga tributária sobre a TV paga e as conexões de acesso a internet – e do governo federal, de colocar um limite rigoroso nos gastos com o uso do celular, se deixa os contribuintes irritados e os cofres públicos mais  gordos, certamente tem um segmento empresarial que vai ganhar muito com essas medidas, sem precisar ter feito nada para isto: são as empresas de de OTTs, como o WhatsApp e o Neflix. Cada vez que se aumentam os impostos dos serviços de telecomunicações, essas empresas, que não têm apenas o charme do conteúdo ou o valor agregado  de seus sistemas para oferecer aos clientes têm também como imbatível apelo o preço de seus produtos,  cada vez mais competitivos. Quanto mais se taxa os velhos serviços de telecomunicações que ficam no Brasil, mais atraentes ficam os serviços das OTTs, todos com sedes “na nuvem” e, por isto, imunes aos exagerados impostos cobrados das empresas aqui instaladas.

Ora, não é difícil de ver que a TV paga, ficando mais cara, – e o aumento do ICMS, que começa a valer a partir de janeiro de 2016 em pelo menos 17 estado chega a até 50% na alíquota do imposto fica mais inacessível, será mais facilmente cancelada, e trocada pelo barato contrato do Netflix.( Aqui em casa, pagamos R$ 14,90  por mês por cinco pontos de acesso e todo o conteúdo disponível, inclusive as famosas séries).

Enquanto isso, pago (agora é primeira pessoa porque meus filhos não veem mais os programas da TV) por minha TV por assinatura, por três pontos, R$ 270, 64,  por mês, dos quais só de imposto – ICMS, PIS, COFINS – são  R$ 36,94. Só o imposto que pago é quase o triplo do serviço que tenho com o conteúdo oferecido pela OTT norte-americana. Com o aumento do imposto, vou começar seriamente a me perguntar se vale mesmo a pena manter a TV por assinatura. Muitos vão falar: “puxa, a esse preço, já teria desligado há muito tempo!”.

E agora acho que deve se fortalecer um movimento consumerista ainda mais interessante, porque virá do poder político e formulador de políticas: os integrantes do Governo Federal. Em uma rápida consulta pelos sites das operados de celular constatei que com os R$ 500 que o governo limitou para que cada Ministro gaste ao mês com o celular, ele consegue, por exemplo, falar mil minutos para outra operadora que não a Vivo e ter acesso a 8 GB de internet por mês, além de falar ilimitadamente pelo DDD ou local Vivo /Vivo, por R$ 369,99. Ou ainda pagar menos na Claro e navegar os mesmos 8 GB e falar 1,2 mil minutos e ter acesso ilimitado ao Whatsapp, Facebook sem gastar a franquia de dados, por R$ 220,00. Ou então, ser ainda mais comedido e procurar a TIM e pagar R$ 139 por mês, para ter 4 GB de consumo de dos, falar 400 minutos para outras operadoras, receber ligações em roaming e usar o WhatsApp sem consumir a franquia.

Ora, mas porque ficar preocupado se a franquia acabou? Se a presidente da República tem um celular da Vivo ou da Tim ou da Oi ou da Claro, para fazer ligação de graça? Por que passar a ter um aparelho com dois, três chips, como todo brasileiro? É muito melhor usar o VoiP do WhatsApp, como começa a fazer todo  o brasileiro que tem um celular 3G ou 4G, ou um WiFi e compra um pacote de dados. Ou usar qualquer outro serviço de voz pela internet.  Há muitos no mercado. Em todos eles, a gente fala DE GRAÇA.

Quer dizer, quem paga pelos serviços  de voz no celular são aqueles bobos (como eu) que ainda usam o  serviço tradicional, ou aqueles que tem pouca renda e não podem pagar um pacote de dados muito grande, mas recolhem o altíssimo e regressivo imposto sobre telecom. Quem sabe um dia o país consiga alcançar alguma equidade tributária. Mas enquanto isso, vamos deixar que todos os pre-pagos (há ainda cerca de  85 milhões de celulares brasileiros com 2G, ou seja, que não acessam a rede de dados, ou a internet) paguem os mesmos impostos que os ricos e os ministros sem nem sequer saberem o que é uma OTT.

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