VoIP e computador de baixo custo, as apostas do Von Braun


Não foi bem uma inauguração. Afinal, o Centro de Pesquisas Avançadas Werner von Braun está na ativa há cinco anos, num belo complexo à beira da estrada que liga Campinas a Mogi Mirim, no interior de São Paulo. Mas o evento de ontem, que contou com a presença de Margrit, filha de um dos pais …

Não foi bem uma inauguração. Afinal, o Centro de Pesquisas Avançadas Werner von Braun está na ativa há cinco anos, num belo complexo à beira da estrada que liga Campinas a Mogi Mirim, no interior de São Paulo. Mas o evento de ontem, que contou com a presença de Margrit, filha de um dos pais das viagens espaciais americanas e inspirador do nome do centro, serviu para que o Von Braun apresentasse seus arrojados e inovadores projetos para 2006.

A instituição realiza pesquisa básica em software e hardware para empresas no Brasil e no exterior. O  centro abriga 30 pesquisadores. No Vale do Silício, nos EUA, o Von Braun instituiu uma empresa, a Operplan Inc, que exporta tecnologia brasileira e reverte em royalties para o país. No Brasil,  o centro registrou uma receita de cerca de R$ 6 milhões em 2005 e um valor equivalente no exeterior. Para este ano, a expectativa é que os valores cheguem a R$ 10 milhões. A sede do insituto está numa área de 5,2 mil metros quadrados. Ontem foi mostrado o novo laboratório em Design em Microeletrônica.

Dentre as pesquisas, a menina dos olhos é uma plataforma VoIP, que fará com que o usuário use um só aparelho para fazer ligações em diferentes sistemas: telefonia fixa, móvel e sobre IP. O cliente poderá usar, por exemplo, o aparelho celular com Bluetooth – chip que permite conexão de curta distância sem fio por meio de ondas de rádio – para fazer uma ligação de telefonia fixa. “Isso permitirá uma redução substancial de custos”, explica Dario Sassi Thober, diretor do Von Braun.

A plataforma foi desenvolvida em parceria com a Semp Toshiba e a Freescale (empresa de chips norte-americana). Outra versão do telefone VoIP desenvolvido no centro embarca até oito câmeras no aparelho. Segundo Thober, câmeras até dez vezes mais baratas que as existentes. O usuário poderá, desta forma, monitorar o que acontece em sua casa a partir da tela do celular. A parceira, no caso, é a empresa Sanmina SCI, também dos EUA.

Outra inovação é um mecanismo de segurança e controle da conexão VoIP. Segundo Thober, as empresas poderão monitorar todo o uso da tecnologia sem pesados investimentos. “Vamos patentear tecnologias como essas (tanto chips como arquiteturas) e reverter em royalties para o país”, comemora Dario Thober

Computador de baixo custo

Nem só de VoIP vive o Von Braun. O centro aposta pesado no desenvolvimento de computadores de baixo custo. Um deles, de uso industrial, já é fabricado na China e custa cerca de US$ 60 para ser produzido. A grande revolução, no entanto, parece ser a máquina para uso residencial, que pode ficar pronta no meio deste ano. “Baseamos o modelo de negócios no mesmo do celular, que deu muito certo no Brasil”, aposta Thober.

O custo de tais máquinas ficaria entre US$ 100 e US$ 300. Mas poderia ser adquirida quase de graça, como alguns celulares. A grande diferença é que o centro desenvolveu um sistema barato de análise de dados. Portanto, será muito mais fácil descobrir que tipo de serviço o usuário utiliza (voz sobre IP, download de música, navegação pela internet, etc) e cobrar separadamente por cada um deles. “Como é no celular”, frisa, mais uma vez, Thober.

Apesar de encarecer serviços que hoje são utilizados à vontade por quem tem uma conexão por banda larga, o diretor do centro acredita que trata-se de um projeto que pode incrementar a inclusão digital. Afinal, a pessoa não terá que desembolsar R$ 1.500,00 (ou muito mais que isso) para comprar o computador. Além disso, o próprio governo pode comprar o produto e oferecê-lo à população, em alternativa ao laptop de US$ 100 do MIT (clique aqui para ver matéria).

O Centro Werner Von Braun investiu cerca de R$ 10 milhões no desevolvimento de projetos como os de VoIP e computador de baixo custo. Para a montagem do centro, ao longo dos cinco anos de existência, foram gastos R$ 15 milhões.

Anterior Laptop US$ 100: dois meses para a decisão e muitas pendências
Próximos TVs terão que adaptar transmissões para atender deficientes