Vivo limpa a base: menos 1,6 milhão de clientes.


Por fim, hoje, 21, o segredo de Polichinelo se transformou em versão oficial. Ou seja, antes dos números, piores do que as projeções do mercado, a Vivo enumerou os motivos que tiveram impacto tão negativo sobre o seu desempenho: falta de cobertura nacional; problemas de fraude e clonagem; o complicador de as operadoras do grupo …

Por fim, hoje, 21, o segredo de Polichinelo se transformou em versão oficial. Ou seja, antes dos números, piores do que as projeções do mercado, a Vivo enumerou os motivos que tiveram impacto tão negativo sobre o seu desempenho: falta de cobertura nacional; problemas de fraude e clonagem; o complicador de as operadoras do grupo trabalharem em múltiplas plataformas de TI; o fato de estar sozinha em uma plataforma tecnológica cujos terminais são muito mais caros do que os da infra-estrutura GSM.

Fatores que vão ser, finalmente, revertidos, em decisão que o presidente da empresa, Roberto Lima, classificou de “corajosa”. Ou seja, dispor, também, de uma plataforma GSM. Como a decisão de enfrentar os desafios foi lenta, a empresa pagou caro por isso, como mostram os números do segundo semestre, divulgados hoje, 21.

A receita líquida de R$ 2,6 bilhões, apurada no trimestre encerrado em junho, ficou praticamente no mesmo patamar do trimestre anterior (+ 0,8%), caiu 10% em relação ao 2T05 e 5% semestre a semestre. Já os custos operacionais deram um pulo para R$ 2,3 bilhões, 23% a mais em relação ao 1T06, no mesmo nível do 2T05 e com aumento semestral de 7%. Esse avanço foi conseqüência da elevação no custo dos serviços prestados (+ 10% em comparação com o 2T05), em função das provisões relacionadas a cobilling, decorrentes, por sua vez, de inadimplência e fraude no faturamento comum das ligações de longa distância.

PDD, grande vilão.

Outro fator que empurrou os custos para o alto foi a despesa com a comercialização de serviços (aumento anual de 24%), em função da provisão para devedores duvidosos (PDD): R$ 339 milhões no 2T06, 110% acima da que foi feita no trimestre anterior, 148% mais alta do que em igual trimestre do ano passado, patamar 122% superior semestre a semestre.

A explicação de Ernesto Gardelliano, vice-presidente financeiro: praticamente metade do PDD (R$ 161,5 milhões) resultou da inadimplência, fosse direta, do assinante, ou indireta, por atraso nas contas, problema que ocorria devido à multiplicidade de plataformas das empresas que formam o grupo.

Segundo Lima, tais problemas foram resolvidos. Hoje, 78% da base de clientes estão em sistema único de billing; 57%, centralizados nas plataformas do pré-pago; 72% centralizados no front office.

“Esperamos nunca mais vir aqui explicar diferenças no PDD”, concluiu Roberto Lima.

Menos assinantes; Ebitda e Arpu encolhem.

A solução dada à inadimplência, aliás, foi radical: limpeza da base. As adições líquidas foram negativas em 1,6 milhão de assinantes no trimestre encerrado em junho, assim como deixaram de ser clientes Vivo 1,3 milhão de pessoas no semestre. Nem por isso, contudo, a receita média por assinante da companhia aumentou. Porque vinha em queda, explicou Lima.

Quanto ao Ebitda (lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização), caiu 57% em relação ao 1T06, para R$ 306 milhões (declínio anual de 49% e semestral de 35%). A margem de 11,8% encolheu 16 pontos percentuais no trimestre. O prejuízo de R$ 493 milhões aumentou 175% em comparação com o 1T06; 95% frente ao mesmo trimestre de 2005 e 219% semestre a semestre.

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