Vivo e Claro veem a faixa de 700 MHz como o vetor de crescimento da conectividade no campo


Embora nos últimos dez anos a presença da banda larga na zona rural tenha avançado graças à popularização dos smartphones, ainda há imensos vazios de conectividade no campo brasileiro. Para ir vencendo essas áreas de sombra, as melhores frequências, por terem maior cobertura, são as mais baixas: 700 MHz, 450 MHz e 250 MHz, esta do Serviço Limitado Privado, lembrou Martim Jales Hon, assessor do Conselho Diretor da Anatel.

Hon participou, ao lado de representante de operadoras e da indústria, de um debate sobre alternativas tecnológicas para o campo no Agrotic 2019, realizado hoje em Piracicaba (SP) pela Momento Editorial em parceria com a EsalqTech. Ele esclareceu que o quarto bloco de frequências da faixa de 700 MHz, que não foi vendido no leilão de 2014 – a Oi foi a única das grandes operadoras que não comprou a frequência -, deverá ser incluído no leilão de 5G, previsto para ocorrer no próximo ano.

Vivo e Oi desenvolveram projetos para uso da 450 MHz no campo, que ainda estão em andamento. De acordo com Antonio Cesar Santos, gerente de Inovação e Desenvolvimento de Novas Soluções da Vivo, em uma experiência realizada pela empresa em um cliente do agronegócio, levando em conta apenas a conectividade, para a cobertura da propriedade em 1800 MHz era necessário instalar quatro torres, em 700 MHz três torres e em 450 MHz, duas torres. “Mas não é só o impacto da torre. Tem que ter uma visão abrangente da infraestrutura necessária para chegar à propriedade”, disse ele.

Falta aparelho

Além disso, Diego Gomes, gerente de Negócios de IoT da Claro, afirma que, apesar de proporcionar maior cobertura, a faixa de 450 MHz não tem aparelho a preço viável para o usuário, só dispositivos para máquinas e equipamentos. “Como nossa proposta para o campo é atender tantos pessoas como os equipamentos das fazendas, a opção da Claro é usar a faixa de 700 MHz”, afirmou.

A Vivo vai explorar as potencialidades da 450 MHz. Mas Santos acredita que o vetor de crescimento da conectividade no campo será a tecnologia 4G na faixa de 700 MHz. E também esta a faixa usada pela Surf Telecom, uma operadora virtual que usa a rede da TIM para vender serviços para outras operadoras que atendem ao usuário final. Entre suas 15 clientes, está uma que trabalha com telemetria e tem clientes no campo.

Já a Oi, como não tem a faixa de 700 MHz, tem que apostar mesmo na frequência de 450 MHz. Seu diferencial para o segmento de agronegócio é sua rede formada por poderosos backbone e backhaul que cobrem quase todo o país. “O fato de termos um backhaul instalado nos ajuda na apresentação de projetos”, disse Paulo Vitor Peixoto Noronha, gerente de Oferta TI Corporativo da Oi.

Rede própria

Fabricante de equipamentos na tecnologia LTE na faixa de 250 MHz, a Trópico oferece uma solução para o fazendeiro que não tem oferta de uma operadora e quer implantar sua própria rede de conectividade. Com clientes como a Usina São Martinho, uma das maiores usinas sucroalcoleiras do país, a Trópico, segundo seu gerente de Marketing de Produto, Armando Barbieri, não tem intenção de competir com as operadoras.

“Queremos o nicho de mercado das regiões onde as operadoras não chegam”, informou. Sua solução tem financiamento do BNDES com prazo de carência de três anos e dez anos para pagar ou pela rede de distribuição da John Deere, sua parceiro.

Anterior Resolução da Receita Federal sobre customização de software pode gerar processos judiciais
Próximos Oi integra soluções fim a fim para o segmento agrícola

Sem comentários

Deixe o seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *