Vivo define data protection officer em preparação à LGPD


Andrea Mattos, diretora da recém-criada área de compliance, ocupará a posição. Empresa já se prepara há um ano com avaliação interna e cursos para funcionários sobre as exigências da nova lei.

Business image created by Creativeart - Freepik.com
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A Vivo nomeou há duas semanas Andrea Mattos, diretora da recém-criada área de compliance, para ser sua data protection officer (DPO). A criação do cargo é exigência da Lei de Proteção de Dados Pessoas (LGPD), que passa a vigorar em agosto de 2020.

Mattos está na Vivo há 17 anos no departamento jurídico, sob comando da vice-presidência de assuntos regulatórios. Advogada formada na Universidade de São Paulo, tem pós-gradução no Mackenzie, na Escola Paulista de Direito, e especialização no Ibmec. Com DPO, ela será responsável por coordenar a adequação da operadora à nova lei.

Embora o nome de Mattos tenha sido escolhido agora, a operadora já vinha trabalhando internamente nas adaptações de processos para garantir a segurança de dados dos clientes. Há quase um ano a companhia iniciou o processo, seguindo etapas similares às que a matriz Telefónica, na Espanha, seguiu para se adaptar à GDPR, a lei local que inspirou a LGPD no Brasil.

Segundo o diretor de segurança corporativa da Vivo, Ruben Longobuco, desde o ano passado a operadora vem trabalhando na adequação. Começou com a avaliação do que seria necessário para estar 100% de acordo com a LGPD. Nesta etapa teve consultoria da Accenture.

O passo seguinte foi reunir os times executivos e orientá-los à respeito da transição. “Aplicamos uma metodologia de trabalho, com reuniões com os executivos, workshops”, diz. Em seguida foi realizada mobilização nacional, que impactou os 32 mil funcionários da empresa, através de cursos, campanhas de comunicação, EAD. Cada área foi orientada da melhor forma, conforme seu perfil e exposição a dados sensíveis do usuário.

Biometria

O motivo para a preocupação com a conformidade está no volume e qualidade de dados que a companhia usa no dia a dia. Recentemente, a empresa passou a digitalizar dados biométricos dos clientes a fim de reduzir fraudes na contratação de serviços. Longobuco diz a empresa tem 5 milhões de impressões vocais, 11 milhões de assinaturas, 10 milhões de faces digitalizadas. A meta é chegar à digitalização biométrica de quase 100% da base de clientes, que somam 93 milhões.

Na hora da contratação, o cliente pode escolher se aceita ou não passar pelo registro biométrico. Cerca de 93% dos clientes aceitam e dizem preferir o sistema. O atendente então registra uma foto do cliente na loja. O sistema compara o rosto com o do documento, que já passou por um sistema de OTR para identificar se é ou não original. A tele tem ainda planos de usar a biometria por voz para autenticação em serviços de atendimento telefônico.

O registro desses dados é usado para a prevenção de fraudes, impedindo que golpistas usem documentos falsos ou criem contas em nome de terceiros. “O investimento já se pagou. O número de fraudes em lojas praticamente zerou”, garante o executivo.

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