Vivo ainda estuda melhor forma de cobrar por acesso patrocinado


O Bradesco paga um valor fixo à Telefônica/Vivo para permitir que seus clientes acessem internet banking e mobile banking sem que o volume de dados usado seja descontado do plano de dados. Mas o modelo de cobrança pelo chamado acesso patrocinado, anunciado na semana passada, ainda está em testes, conforme explica Andreza Santana, diretora de publicidade móvel.

“Nossa parceria com o Bradesco é de caráter experimental, um modelo comercial fixo de pagamento. Por enquanto vamos suportar o aumento do tráfego. Fizemos isso para facilitar as negociações com a área de marketing do Bradesco”, explica a executiva.

Na avaliação de Santana, as instituições financeiras são praticamente as usuárias naturais do modelos de acesso patrocinada porque, além de retorno em imagem institucional, ele reduz custos operacionais, ao mitigar o uso das agências. Por isso, novos bancos devem aderir.

Mas há muito espaço para empresas de outros setores se animarem e pagarem pelos tráfego de dados dos seus usuários.

Instituições financeiras são as primeiras porque o modelo de acesso patrocinado reduz custos (Foto: Divulgação)
Instituições financeiras são as primeiras porque o modelo de acesso patrocinado reduz custos (Foto: Divulgação)

Andreza avalia que empresas de e-commerce, de sistemas de comparação de preços e seguradoras seriam as segundas da lista, em termos de tendência de adoção. No caso de empresas de conteúdo, a Telefónica/Vivo ainda não mantém qualquer nível de discussão, mas a executiva vê espaço para uma aproximação. “A empresa que tiver interesse em bancar o acesso mobile a seu usuário será bem-vinda. É uma notícia boa para o usuário, que poderá ter o trafego de dados embutido na contratação de serviço. É um modelo promissor, mas ainda ninguém nos procurou”, avalia.

Oportunidade a vista
A realidade de acesso à internet pela população brasileira é um fator que deve estimular o modelo de acesso patrocinado. Apenas 40% da população tem internet em casa. E, 20% desses acessos é feito via modem, um serviço tradicionalmente vendido com limitação de franquia de dados, conforme a pesquisa do IPEA, Sistema de Indicadores de Percepção Social dos Serviços de Telecomunicações. Ainda, 38% dos domicílios brasileiros tem ao menos uma pessoa que acessa a internet pelo celular, serviço que também conta com limite de franquia.

“A relevância desse produto para o mercado brasileiro é infinitamente maior do que nos países onde a maioria das pessoas possui um plano de dados e já tem essa questão endereçada. No Brasil, ainda se usa muito WiFi. Acho que é um ciclo virtuoso, bom para a operadora – porque o investimento é remunerado -, bom para o usuário, que tem a opção de conhecer os produtos e serviços e bom para a marca, que fica como mocinho da historia”, afirma Andreza.

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