Vivendi quer transferir processo da Telefônica para Curitiba


 

O grupo francês Vivendi, que está sendo questionado na justiça pela Telefônica por sua operação de compra da GVT, afirmou que usará de todos os meios para se defender do que considera “perseguição” da Telefônica sobre o caso da compra da GVT em 2009. O braço brasileiro da operadora espanhola entrou em maio na justiça brasileira com um pedido de indenização contra a Vivendi, por jogo sujo no processo de aquisição que forçou sua retirada da disputa pelo controle da operadora brasileira. A ação, registrada na 3ª Vara Cível de São Paulo, atualmente aguarda decisão sobre transferência para Curitiba, a pedido da Vivendi.

 

“A Vivendi está farta dos ataques contínuos da Telesp após a batalha para adquirir a GVT terminou. Se a Telesp continuar perdendo tempo em um caso inválido que já foi rejeitado em várias ocasiões, a Vivendi usará todos os meios a sua disposição para se defender das tentativas que prejudicam o nome e a reputação da Vivendi”, declarou Simon Gillham, vice presidente executivo de comunicação da Vivendi.

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O anúncio da aquisição de 37,9% da GVT pela Vivendi por R$ 56 por ação foi feito em novembro de 2009, logo após a Telefônica fazer uma oferta pública de ações (OPA) pela mesma empresa. A companhia francesa também teria informado o mercado brasileiro que tinha uma opção de compra incondicional de outros 19,6% de ações da GVT, o que a faria deter 57,5% da GVT, tirando a Telefônica da disputa. As opções, no entanto, só foram adquiridas mais tarde, o que levou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), um ano depois, a multar a Vivendi em R$ 150 milhões pela operação, maior valor já cobrado pela autarquia brasileira.

 

“Encaixe perfeito”

Em seu processo, a operadora espanhola afirma que a aquisição da GVT tinha “a mais absoluta importância estratégica” com um potencial de “sinergia fantástica” devido ao “encaixe geográfico perfeito” das operações, e que teria fôlego para uma contra-proposta de até R$ 63,50 por ação. Fontes da Vivendi lembram que a Telefônica teria publicado a informação de que sua oferta máxima seria de R$ 50,50 por ação.

 

Para a Telefônica, a Vivendi “se valeu de diversos expedientes ilícitos” para forçar sua saída da disputa pela GVT, pela qual fez uma oferta pública de compra de até 100% dos papéis da companhia a R$ 48 por ação, em outubro de 2009, com prazo para leilão no dia 19 do mês seguinte. Um mês antes, a Vivendi havia anunciado um acordo de compra de ações com os controladores de 30% da operadora brasileira que incluiria uma oferta pública de R$ 42 por ação para os demais acionistas.

 

Segundo o processo inicial da Telesp S.A., que cita a decisão da CVM, a informação de que o acordo garantia “direitos incondicionais” sobre mais de 50% das ações, divulgada pelos franceses poucos dias antes do leilão de 19 de novembro, seria falsa. “Tais práticas somente foram adotadas para impedir a realização do leilão de OPA da Telesp, quando, muito provavelmente, esta ofereceria um valor superior àquele pago pela Vivendi, com grandes chances de adquirir o controle da GVT. Usando desse expediente, a ré frustrou a disputa, lesou os acionistas da GVT – que poderiam vender suas ações por um preço superior – e pôde comprar o controle da GVT sem participar do leilão”, diz o documento.

 

Sobre o acordo com a CVM, a Vivendi afirma que este “não implicou o reconhecimento acerca da ilicitude de conduta”.

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