O programa de certificação de software nacional, que dá preferência de compra em licitações públicas, pode aprovar mais que o dobro de produtos neste ano, diz Virgílio Almeida, secretário de Política de Informática do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Acreditamos, pelo número de pedidos que estão na fila e de interessados na análise, que a gente deve mais do que dobrar isso este ano”, afirma. Atualmente, 32 produtos aguardam aprovação. Outros 135 produtos foram registrados na plataforma online Certicsys. Este registro é a primeira etapa para solicitar o certificado. 

Desde que passou a vigorar, no final de 2013, 19 produtos receberam a certificação. “Inclusive um produto de uma empresa multinacional”, ressalta Almeida. Ele diz que o número pode parecer baixo, mas teve adesão maior que a resolução 950, de 2006, que tinha objetivo semelhante.

“Estamos trabalhando também na outra ponta, mostrando para os pregoeiros e leiloeiros como utilizar a Certics nas licitações do governo federal. Isso deve acelerar o número de empresas que vão usar ou solicitar o Certificado de Tecnologia Nacional em Software”, conta. 

Sobreviventes
Virgílio, que se mostra otimista diante no cenário econômico, ressalta que o MCTI começou o ano concretizando diversas iniciativas. “Lançamos algumas semanas atrás o edital das chamadas coordenadas com a União Europeia para o desenvolvimento de projetos de pesquisa tecnológica envolvendo empresas e universidades em áreas como computação em nuvem, segurança para computação em nuvem, ambientes experimentais. Este edital destinará, de cada lado, 7 milhões de euros. Serão quatro projetos selecionados”, lembra. 

O MCTI também se debruça sobre edital para selecionar empresas que vão desenvolver de um antivírus nacional, iniciativa tocada em conjunto com o Ministério da Defesa para reforçar as ações de cibersegurança no país. “Fizemos a seleção das aceleradoras para o programa Startup Brasil. Vamos fazer o edital de novo este ano para startups. E fizemos um projeto diferenciado, que é o Startup Hardware, para acelerar a criação de dispositivos para indústria médica, cidades inteligentes, internet das coisas”, afirma. Ele garante que o edital do Startup Hardware sai ainda este ano.

Também está nos planos do MCTI organizar um grande evento sobre governo eletrônico, ainda sem data para acontecer. “Temos uma série de programas em andamento que, apesar das dificuldades conjunturais, estão em execução. Alguns vão ser feitos com recurso menor, outros através de parcerias público-privadas”, conta.

Virgílio observa que os programas do TI Maior não exigem muito dinheiro. “O programa de Startups custa, em média, R$ 20 milhões por ano. E tivemos mais de 3 mil propostas dessas startups ao longo de dois anos. Temos 185 startups sendo financiadas. São programas que, embora não demandem muitos recursos, têm um impacto muito grande pois criam um ecossistema”, conclui.