shutterstock_kentoh_audiovisual_TV_TV_pagaAs operadoras devem se preparar para um aumento contínuo do tráfego de dados, motivado pelo crescimento do vídeo, e do número de dispositivos conectados às redes IP nos próximos cinco anos. As conclusões são da Cisco, no estudo Visual Networking Index, publicado nesta quarta-feira (27). O relatório prevê também que o Brasil mantenha a posição de liderança em geração e consumo de tráfego na América Latina até 2019.

De acordo com o material, a explosão da transmissão de dados por redes IP vai continuar até 2019. Neste período, vamos entrar no que a Cisco chama de “Era Zettabyte”. Nesta era, o consumo mundial por ano será quase o total registrado entre 1984 a 2013. Daqui a cinco anos, o tráfego global alcançará 2 zettabytes por ano. Em cinco anos, vão circular pelos “canos” das operadoras nada menos que 168 exabytes por mês – atualmente, o número é de 59,9 exabytes.

Na América Latina, o Brasil manterá sua posição de líder em volume de dados consumidos. A região produzia, no final de 2014, 4,3 exabytes por mês. A cifra chegará a 12,8 exabytes em 2019. O Brasil representará 34% do tráfego da região. Nosso consumo vai aumentar de 1,9 exabytes no final do ano passado, para 4,4 exabytes em cinco anos.

A aceitação dos serviços em vídeo vai ser o principal driver para a multiplicação do tráfego IP. Em 2014, no mundo, o vídeo era responsável por 67% do tráfego. Em 2019, será 80%. No Brasil, o uso do vídeo será ainda mais intenso, passará dos 68% do tráfego recente, para 84% em cinco anos. A maior parte desse conteúdo não virá dos serviços de vídeo sob demanda, como YouTube ou Netflix, mas sim de serviços de vigilância, transmissões em tempo real e videoconferência. “Esses serviços não podem se beneficiar das CDNs como as empresas que oferecem vídeo sob demanda. A CDN diminui muito a carga sobre as redes”, explica Hugo Baeta, diretor regional para Operadoras da Cisco.

O período também se beneficiará do aumento no número de usuários da internet e na quantidade de dispositivos conectados à rede. No mundo, a estimativa da Cisco é que existam 3,9 bilhões de usuários da internet em 2019 – no final de 2014 eram 2,8 bilhões. Os dispositivos serão 24,4 bilhões – ante 14,2 bilhões atualmente. No caso brasileiro, o número de pessoas com acesso à web passará de 88 milhões no final do ano passado, para 134 milhões em cinco anos. O número de dispositivos conectados vai subir de 429 milhões para 785 milhões (32% M2M, 25% Smartphones, 15% TVs conectadas, 13,6% feature phones, 7% PC, 3% tablets). No mundo, os smartphones serão 42% do total (10,9 bilhões) de dispositivos capazes de consumir vídeos ligados à rede.

O estudo mostra que a demanda por vídeo em dispositivos móveis será superior à da TV Digital ou do vídeo online (em desktops). A Cisco calcula para crescimento composto de 21% ao ano até 2019, quando o consumo de vídeo móvel será mais de 2x vezes superior ao de TV digital, e quase o dobro do consumo online. A demanda por mais definição, como Ultra HD e HD também terão seu papel. Atualmente, apenas 0,6% do tráfego de vídeo é UHD; D representa 38,6%, e definição padrão (SD), somam 60,8% no mundo. Vão passar para 13,9% (UHD), 53,5% (HD) e 32,6% (SD). No Brasil, o UHD deve permanecer incipiente. O HD, hoje 4,6% do tráfego de vídeo IP local, será 39,5% em 2019, enquanto o SD passará para 55,9%.

Ao mesmo tempo, a velocidade do acesso vai mais que dobrar. No mundo, passará da média atual de 20,3 mbps para 42,5 mbps. O Brasil, que fica abaixo da média global, vai continuar atrás. Mas obterá também um avanço equivalente a dobrar a velocidade da navegação, que passará dos atuais 8,3 mbps para 18,6 mbps. Esses índices levam em conta o acesso fixo, e diferem dos dados da União Internacional de Telecomunicações divulgados ontem. Para a entidade, cerca de 75% das pessoas que usam banda larga fixa se conectam a velocidades abaixo de 2 Mbps.

Baeta, da Cisco, reconhece que o índice brasileiro fica bem abaixo da expectativa do governo federal, de elevar a velocidade média no país a 25 Mbps ao final de 2018. “Iniciativas que estimulem a expansão além das projeções são bem-vindas, mas não contabilizamos ainda a proposta”, explica. O Banda Larga para Todos, segunda fase do Plano Nacional de Banda Larga, pretende levar fibra óptica a mais domicílios e cidades do país – mas ainda carece de detalhamento oficial por parte do Ministério das Comunicações e data de lançamento.