Viasat lança WiFi comunitário em SP e grande consumo de dados surpreende


POUSO ALTO, BRASIL, foto Rafael Roncato/Divulgação

Após liberada pelo Tribunal da Contas da União (TCU) para dar continuidade aos seus negócios no país, a Viasat lança oficialmente seu primeiro serviço de WiFi comunitário no bairro de Pouso Alto – região serrana com cerca de 2.400 habitantes, situada no município de Natividade da Serra, em São Paulo. A expectativa da operadora, até o final de 2019, será atender 20 comunidades no interior paulista e implantar o serviço na região Nordeste.

O programa em Pouso Alto, que leva conectividade em banda larga via satélite com velocidade de até 25 Mbps, será gratuito nos dois meses iniciais. “Como cada comunidade apresenta características específicas, esse período servirá para fazer os ajustes necessários de forma a atender com qualidade a demanda da região”, explica Kevin Harkenrider, vice-presidente da Viasat.

Segundo ele, por enquanto, ainda não foram definidas as modalidades de pagamento do usuário pelo serviço, que poderá ser por pacote de dados ou tempo de uso. O preço, ainda em estudo, deverá variar de R$ 2 a R$ 3.

Consta dos planos da operadora lançar o serviço de banda larga residencial até o final do ano, no mesmo modelo adotado nos Estados Unidos.

Kevin Harkenrider, vice-presidente da Viasat e Lisa Scalpone, VP Latam e Brasil da Viasat (foto Rafael Roncato/Divulgação)

Nordeste: a próxima parada

Para a instalação e manutenção da infraestrutura do serviço WiFi comunitário nos 20 pontos de teste no estado de São Paulo, a Viasat está trabalhando em parceria com a Visiontec, anunciada no início de junho. Na região Nordeste, a operadora norte-americana estabelecerá novas parcerias com fornecedores locais, que ainda não foram definidas, segundo Harkenrider.

O Brasil é o segundo país a receber o serviço de hotspots de WiFi Comunitário da Viasat, que foi lançado em 2018, no México. Atualmente, 1,5 milhão de mexicanos estão usufruindo das facilidades da internet na sua comunicação do dia a dia.

Movimento intenso na padaria

O bairro de Pouso Alto é uma das opções de paradas na serra para quem vai para Caraguatatuba e outras cidades próximas, no litoral. Considerado o estabelecimento mais movimentado da região, a padaria Dú, situada bem em frente a uma escola, foi o lugar escolhido pela Viasat para instalar sua antena. Nesse bairro os alunos costumam estudar até o 3º ano do Ensino médio.

O que mais surpreendeu a equipe da Viasat com a experiência, até o momento, foi o volume de downloadings realizado pela comunidade, desde a implantação do serviço, no último dia 3 de julho. No quinto dia de operação do sistema, o consumo já ultrapassava a faixa de 100 GB, o que representa um uso médio diário de aproximadamente 15 GB a 20 GB. “Trata-se de um consumo alto, que superou nossas expectativas”, afirma Lisa Scalpone, VP e gerente geral da Visat do Brasil.

De fato o movimento intensificou, após a instalação da antena oferecendo serviço gratuito de internet, confirma Marco Aurélio de Souza, proprietário da padaria: “A rotina já começa a mudar com a internet de alta velocidade. Agora é possível ter acesso às contas bancárias, falar com parentes distantes, usar o WhatsApp e Facebook. Há até usuários interessados em colocar o serviço em suas residências”, explica.

A região costuma ser atendida com soluções de acesso a banda larga dos provedores HughesNet, via satélite, e Niponet, via radio. Os serviços de telefonia móvel não são dos melhores, devido à topografia da região. Para se ter uma ideia, o sinal da TIM não pega e as demais operadoras só oferecem acesso 3G.

Satélite SGDC-1

O serviço de WiFi Comunitário fará uso do satélite SGDC-1, de propriedade da Telebras, que opera na banda Ka (de espectro de 18/28 GHz). Em fevereiro de 2018, a Viasat firmou um acordo com a Telebras para utilização comercial do satélite, servindo iniciativas como o WiFi Comunitário, internet residencial e comercial, e conectividade a bordo da Viasat. A parceria com a Telebras também inclui atender escolas públicas, unidades de saúde e outros serviços públicos sob a iniciativa do Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão (Gesac), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

A finalidade da Viasat com os hotspots de WiFi comunitário é fornecer conectividade de banda larga via satélite de custo acessível e alta velocidade para pessoas e lugares onde a conexão com a internet é lenta ou inexistente.

O serviço é escalável, pode ser implementado com o mínimo de investimento em infraestrutura local e oferecer internet com boa relação custo-benefício.

O sistema permite que moradores de uma comunidade se conectem à sua rede de internet por meio de um fornecedor de WiFi local. As instalações mais frequentes são realizadas em parceria com negócios locais situados em regiões centrais da comunidade.

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4 Comments

  1. Ezequias
    10 de julho de 2019

    Mas afinal, é ou não é comunitário? A um trecho que diz: O programa em Pouso Alto, que leva conectividade em banda larga via satélite com velocidade de até 25 Mbps, será gratuito nos dois meses iniciais. Ou seja, depois possivelmente o acesso será cobrado. Hummm… É Brasil BB.

    • 10 de julho de 2019

      Prezado Leitor.
      O modelo de prestação de serviço desta empresa é contar com os estabelecimentos da comunidade, ou seja, pequena padaria, verdureiro, para VENDER o acesso à internet e dar a assistência técnica. O Comunitário no nome do produto, escolhido pela empresa, deve se dar por isso.

    • Rogério Pires
      10 de julho de 2019

      De fato, não existe “almoço grátis”! Se foi feito investimento por parte de uma companhia privada, nada mais natural e justo que o acesso seja cobrado, preferencialmente por um preço justo e acessível. Agora se contar com dinheiro público, aí a coisa muda de figura.

      • Ezequias
        10 de julho de 2019

        Dois pontos interessantes em seu comentário: “preço justo e acessível” e “dinheiro público”.
        Sabe-se que a Telebrás entrou com a maior parte do projeto (satélite SGDC). Espero que as pessoas carentes tenham acesso gratuito ao serviço (similarmente aos programas sociais). Afinal, tem dinheiro público aí, resta saber se quem realmente precisa vai poder usar.