Vendas de smartphone surpreendem a indústria


As vendas de smartphones no Brasil este ano devem superar até as projeções mais agressivas de analistas e de fabricantes. A consultoria IDC, por exemplo, avalia que até o final do ano serão vendidos 62 milhões de aparelhos celulares, sendo 55% desse montante de modelos mais tecnológicos. No ano passado, foram vendidos 60 milhões de dispositivos móveis, sendo apenas 27% smartphones. Ou seja, a base deve mais do que duplicar este ano.

“Alcançamos um crescimento de três dígitos, superior a 100%. Nossa previsão era menor e já trabalhávamos com um cenário otimista”, afirmou, ao Tele.Síntese, Leonardo Munin, analista do IDC. “Precisamos rever as nossas projeções a cada seis meses, ou ficaremos com números defasados”, comentou o presidente da Sony Mobile no Brasil, Ricardo Junqueira. Segundo ele, não há nada no cenário que indique uma desaceleração, em volume, do mercado de smartphones nos próximos dois ou três anos. Para o IDC, em 2014, devem ser vendidos cerca de 45 milhões de celulares inteligentes no Brasil. 

A percepção dos executivos do setor é de que a aprovação da desoneração desses aparelhos no segundo trimestre é responsável por apenas uma parte dessa explosão de vendas. O lançamento de equipamentos mais baratos – como o Firefox por R$ 399, recentemente anunciado pela Telefônica Vivo –, como parte de uma política de expansão do portfólio de produtos das principais marcas no mercado nacional, também pesou. “Em 2012, um consumidor não poderia comprar um celular Sony por R$ 500. Nossa linha partia de R$ 700, agora isso já é possível”, exemplificou Junqueira. A Sony anunciou ontem a duplicação de sua capacidade produtiva no país, com o acordo de OEM com a Arima.

A LG, que em 2013 amplicou sua capacidade produtiva no país em 50%, também vem trabalhando a estratégia de ampliação de portfólio. “Em 2012, consolidamos nossa série L, de entrada. Este ano, estamos trazendo os produtos premium como o Optimus G, o Optimus G Pro e agora o G2”, afirmou Barbara Toscano, gerente geral de marketing da marca no país. 

Além disso, alguns fabricantes acabaram reduzindo um pouco as margens para adaptar produtos ao limite de preço estabelecido na Lei do Bem, de R$ 1,5 mil. “Um produto um pouco acima dessa faixa acabou caro na comparação com um concorrente desonerado, e sem muita diferenciação. Então, o mercado se ajustou e ocorreu um movimento em cadeia além do esperado”, declarou o diretor de uma grande fabricante.

Para a indústria, o aumento da disponibilidade de hot-spots em restaurantes, hotéis, aeroportos, etc., também elevou a disposição do brasileiro de andar com seu dispositivo móvel para acessar a internet. 

À medida que o mercado cresce, também a disputa pela liderança se acirra. A LG que afirma ter passado da quinta posição em market share, para a segunda posição no ano passado, vislumbra a liderança em 2014. “Estamos trabalhando com o portfólio, trazendo inovações de acordo com a necessidade do cliente. O G2 terá um único botão para diversas funcionalidade, porque detectamos que isso diminui a incidencia de queda do aparelho em 40%”, declarou Toscano. 

O LG G2 foi lançado globalmente em agosto e a companhia o lançou esta semana para aproveitar o aquecimento do mercado com as vendas de final de ano. “O Brasil está em linha com os lançamentos globais para aproveitar o bom momento”. 

 

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