Vendas de celulares vão encolher 27% em 2015


shutterstock_Iaroslav-Neliubov_telefonia_movel_device_celular_smartphoneO ritmo de venda de celulares vai cair em 2015, e continuará a encolher ao longo de 2016. Esta é a projeção da consultoria IDC, em estudo realizado a pedido da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) nesta quinta-feira, 10. Segundo os dados levantados até o terceiro trimestre do ano, e que trazem uma projeção para o resultado no último trimestre, o mercado brasileiro consumirá 51,44 milhões de celulares, entre feature phones e smartphones.

Significará um tombo nas vendas de 26,8% sobre 2014. As vendas de aparelhos tradicionais somarão ainda, neste ano, 3,87 milhões de unidades. A de smartphones será de 47,57 milhões. Respectivamente, queda de 75% e 13%.

Para 2016, o cenário tecido pela Abinee não se mostra promissor. O encolhimento continuará. A tendência, segundo a entidade, é de retração de 51% nas vendas de feature phones e de 8% nas de smartphones. No total, haverá em encolhimento de 11%. Em números absolutos, os aparelhos comuns venderão 1,9 milhão de unidades, e os smartphones, 43,83 milhões.

O estudo mostra, também, que a migração dos aparelhos simples para os smartphones está próxima de ser concluída no Brasil. Este ano, os Smartphones vão representar 92% das vendas de celulares, antes 78% ano passado. Em 2016, 96% dos aparelhos vendidos serão os telefones inteligentes.

Segundo a Abinee, os motivos para a diminuição do ritmo de vendas é motivada pela crise política e econômica. “Estamos vendo uma retração devido à grande desconfiança do consumidor em consumir. Ainda não vimos, no entanto, efeitos da reoneração de PIS/Cofins, que virá em 2016. Agora o varejo deve começar a repor o estoque com os novos preços”, diz Humberto Barbato, presidente executivo da entidade. Ele acredita que 18% das vendas serão afetadas pela MP 690.

Apesar da retração nas vendas, o mercado de celulares é uma exceção dentro do desempenho do setor eletroeletrônico. Enquanto o setor teve queda média de 10%, o faturamento com vendas dos celulares crescerá 10%, nominalmente. A variação real, descontada a inflação projetada, deve ser de crescimento de receita de 3%. O faturamento deve crescer 6% em 2016.

Exportações e Importações
As exportações do setor de telecomunicações devem fechar 2015 com queda de 11%. O valor somará US$ 233 milhões, ante US$ 263 milhões em 2014. As importações terão comportamento semelhante, embora estejam mais atreladas ao desempenho do mercado local, e não o cenário internacional. As importações cairão 31%, para US$ 1,9 bilhão em 2015. Ano passado, encerrou movimentando US$ 2,85 bilhões.

A receita do setor de infraestrutura de telecomunicações vai cair 14% este ano, após queda em 2014 de 8%. O segmento deve apresentar crescimento zero em 2016. Segundo Paulo Castelo Branco, o ritmo de investimento das operadoras de telecomunicações foi similar neste ano, se comparado a 2014. Mas no trimestre  final do ano houve uma retenção dos gastos. “Para 2016, as operadoras vão investir o mesmo em reais, ou seja, 30% a 35% abaixo do dólar”, diz o diretor para telecomunicações da Abinee.

Aluizio Byrro, vice-presidente da Abinee, completa que o mercado está sendo impactado pelas dificuldade de uma das principais  operadoras. “A Oi é uma grande incógnita. O mercado está sofrendo com a queda do investimento da Oi. Ela impacta muito o setor”, diz.

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