Unesp e Huawei lançam laboratório de inovação


Shutterstock/Dusit
Shutterstock/Dusit

A Unesp abre hoje, 15, em parceria com a Huawei um laboratório de inovação destinado ao desenvolvimento de novas tecnologias de infraestrutura de redes definidas por software (SDN) e de computação de alto desempenho (HPC) para uso em pesquisa.

O laboratório é fruto de uma colaboração que começou em 2015. Em outubro deste ano, foi firmada uma parceria que vem promovendo a cooperação técnico-científica entre a universidade e a empresa dentro do Programa educacional institucional da Huawei “Seeds for the Future”. Entre os principais objetivos está o desenvolvimento de novos serviços, métodos e ferramentas de código aberto para integrar tecnologias de computação em nuvem com redes definidas por software e, com isso, criar soluções inovadoras em orquestração de recursos computacionais.

O novo laboratório vai desenvolver um controlador SDN próprio. Será conectado entre a Unesp e a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), em Genebra, na Suíça, e o California Institute of Technology (Caltech), nos Estados Unidos. O CERN foi escolhido por sediar o Large Hadron Collider (LHC), maior acelerador de partículas do mundo, com o qual colabora o SPRACE (São Paulo Research and Analysis Center) – grupo de pesquisa em física de altas energias – que realiza processamento e análise de dados produzidos pelo detector CMS, um dos principais experimentos ligados ao LHC. Todos projetos que trabalham com altas exigências computacionais.

A parceria entre Unesp e Huawei já gerou resultados expressivos nos últimos meses, como o estabelecimento de um novo recorde de velocidade de transmissão de dados entre os hemisférios Norte e Sul. O feito foi realizado durante a conferência SuperComputing 2016 (SC16), evento de computação de alto desempenho, redes e armazenamento de dados, realizado em novembro nos EUA.

“Com o apoio da Huawei fomos capazes de transferir dados a taxas próximas de 100 Gbps de nosso data center para os Estados Unidos, através de uma infraestrutura que contempla dois canais de 100G providos pela Academic Network of São Paulo (ANSP). A velocidade de transmissão de dados é fundamental para o desenvolvimento de nossas pesquisas no CERN uma vez que operamos em conjunto com quase 200 estruturas computacionais interligadas e que trocam entre si permanentemente uma grande quantidade de dados”, afirma o Prof. Sérgio Novaes, diretor científico do Núcleo de Computação Científica (NCC) da Unesp.

Ainda durante a SC16, a Unesp apresentou a primeira versão (em estágio beta) do Kytos, um novo controlador de redes SDN. Essa tecnologia permite que dispositivos de rede sejam controlados por software, o que minimiza a dependência dos usuários em relação aos fornecedores e possibilita inovações e aprimoramentos no modo como a Internet funciona e na velocidade de transferência de dados.

“Um dos diferenciais do Kytos é que, por ser open-source, ele poderá ser utilizado em quaisquer switches OpenFlow, independentemente do fabricante”, diz Beraldo Leal, que lidera o desenvolvimento do Kytos. “Novas versões do controlador devem ser lançadas a cada dois ou três meses. No futuro, a ideia é que os próprios usuários criem novas aplicações e incrementem uma lista que ficará disponível a todos”.

Além de Leal, participam da equipe de desenvolvimento do Kytos Raphael Cobe, Artur Baruchi, Carlos Eduardo Santos, Macartur Carvalho e Diego Rabatone, sendo os três últimos financiados pela Huawei através de bolsas administradas pela Fundunesp. O Kytos está disponível gratuitamente em github.com/kytos e parte de seu código já foi incluída na distribuição Debian do Linux. O laboratório fica em São Paulo. (Com assessoria de imprensa)

Anterior Revelação de novo ataque pode atrapalhar negócio do Yahoo com Verizon
Próximos PEC 55 acelerou investimento em radiocomunicação, diz Motorola Solutions