Um mundo móvel, convergente e multifuncional.


Quando, dia 8 de janeiro, o presidente e CEO da Motorola, Ed Zander, aportou de bicicleta ao Consumer Electronics Show que acontecia em Las Vegas (EUA), ele não estava somente fazendo gênero. No seu discurso, afirmou que o futuro da eletrônica de consumo está nos terminais celulares. Zander, na bike, era a própria mobilidade. Ou …

Quando, dia 8 de janeiro, o presidente e CEO da Motorola, Ed Zander, aportou de bicicleta ao Consumer Electronics Show que acontecia em Las Vegas (EUA), ele não estava somente fazendo gênero. No seu discurso, afirmou que o futuro da eletrônica de consumo está nos terminais celulares. Zander, na bike, era a própria mobilidade. Ou a antevisão da integração multifuncional, o que, simplificadamente, quer dizer, várias coisas, várias mídias ao mesmo tempo, num dispositivo só, de preferência. Algo como o iPhone que Steve Jobs, presidente da Apple, mostrou no MacWorld, dia 9 de janeiro.

No mundo real – e isso também apareceu em Las Vegas – os hits deste ano serão IPTV, ainda a terceira mas também a quarta geração da telefonia móvel e WiMAX. No Brasil? Respeitada a defasagem com que as novas tecnologias chegam ao país, para alguns especialistas,por aqui só mudará a cronologia, os assuntos serão os  mesmos. As iniciativas de TV por internet que começaram a despontar em 2006 vão continuar mornas, seja em função de barreiras regulatórias, de renda, ou do capex envolvido. Quanto ao WiMAX, o leilão de freqüências não tem data definida e quem já dispõe de espectro em 3,5 GHz já anunciou que vai oferecer serviços na tecnologia.

A 3G, no geral, não tem horizonte, e a Brasil Telecom pleiteia oferecê-la em 1,8 GHz, a exemplo de operadoras européias. De outro lado, mesmo lentamente, prosseguirá a ipeização das operadoras móveis. Quanto às redes ópticas para oferta de FTTH ou FTTC, há RFIs encerrados na praça, com pilotos comerciais programados para o segundo semestre.

O Eldorado da indústria

No final de 2006 e início deste ano, como de hábito, altos executivos de grandes fabricantes de produtos de telecomunicações fizeram prognósticos para 2007. A proliferação de equipamentos IP é lugar comum. A IPTV será um motor importante para aumentar a oferta de dispositivos de acesso IP para o usuário final, carregando aplicações IMS (Internet Multimedia Subsystems) para a TV ou setop boxes e jogos falando IP. Tudo isso convergirá para que, finalmente, tudo dentro de casa tenha um endereço IP. Paralelamente, e em função da disseminação do IP, na visão da indústria haverá cada vez mais numeração eletrônica (ENUM – um conjunto de protocolos para unificar o sistema de numeração  atual com o de endereçamento IP, o DNS), além de troca de tráfego (peering) IP. Em relação a essa última, muitos fornecedores admitem que não têm idéia clara do que seja, nem como funcionará.

Não é de agora que a indústria vem falando sobre IMS. A diferença é que, hoje, a arquitetura e os produtos estão no mercado. A consolidação é um forte estímulo para a adoção do IMS, argumenta a indústria, acrescentando que a convergência fixo-móvel é apenas uma de suas aplicações. O IMS não será usado só pelas operadoras de telecom, mas também pelas de cabo, para oferta de quadruple play. A Time Warner foi a primeira a tomar esse rumo; depois dela, a Comcast e a Cox Communications. Os provedores vão passar a oferecer multisserviços – no caso de chamadas de voz, por exemplo, as ligações podem ser transferidas (handoff) para redes convencionais, Wi-Fi, WiMAX, CDMA – ou seja, não importam as diferenças entre as redes, o fato é que as ligações vão ter handoff.

SDPs e SOA

Duas outras novidades estão entrando nas operadoras: plataformas de entrega de serviços (SDPs, da sigla, em inglês), e arquiteturas orientadas a serviços (SOA, também da sigla, em inglês). Tanto uma como outras têm tudo a ver com o fato de a própria internet se transformar em plataforma de serviços, o que é proporcionado por soluções web 2.0. Isso também tem a ver com IMS e aplicações e serviços multimídia, entre eles a IPTV. Os portavozes da indústria asseguram que todas as suas ofertas de produtos têm de ser compatíveis com IMS, pelo simples fato de que essa infra-estrutura é inteiramente inútil sem aplicações. Traduzindo: numa estrutura em camadas, tem-se a de aplicações, depois a de controle, a de acesso, a de equipamentos de usuário e dispositivos; e, entre as de aplicação e de controle, está a chamada plataforma de entrega de serviços. Quanto à arquitetura SOA, para alguns fabricantes como a Siemens, passa a ser a padrão. Ou, raciocinam as operadoras, na medida em que as aplicações vão para a internet, a arquitetura dos sistemas de TI tem de ser adequada à entrega de serviços.

Por fim, mas não menos importante, este ano será também marcado pelos acessos banda larga sem-fio, precisamente na tecnologia Wi-Fi, uma demanda bastante freqüente em RFIs e RFPs, inclusive no Brasil. Uma das modalidades desses acessos é o UMA – Unlicensed Mobile Access, denominação original do que é chamado hoje de Generic Access Network – GAN, sistema de telecomunicações cujo terminal móvel dual permite o roaming e a transferência de chamadas entre redes locais e de longa distância. Outra é o SIP Wi-Fi, preferida pelas operadoras convergentes pelo fato de usar o número fixo no terminal móvel. Quaisquer das duas agrega o chip Wi-Fi nos handsets.

Anterior Tribunal também critica fiscalização e regulação da agência
Próximos Rating da Vivax continua positivo