Ultra banda larga só emplaca se tiver conteúdo e aplicações


Mantidos os atuais investimentos pelas operadoras, a massificação da ultra banda larga no Brasil acontecerá só em 2014 ou 2015. E, para que isso aconteça, é preciso definir ainda algumas questões regulatórias e, principalmente, produzir conteúdos e desenvolver aplicações para que a internet em altíssimas velocidades se torne atrativa para o consumidor e este pague …

Mantidos os atuais investimentos pelas operadoras, a massificação da ultra banda larga no Brasil acontecerá só em 2014 ou 2015. E, para que isso aconteça, é preciso definir ainda algumas questões regulatórias e, principalmente, produzir conteúdos e desenvolver aplicações para que a internet em altíssimas velocidades se torne atrativa para o consumidor e este pague o custo de uma ultra banda larga. Essas foram as principais conclusões do debate realizado na manhã de hoje no Congresso ABTA 2009, que se realiza em São Paulo. “A ultra banda larga só vai ser atrativa quando tivermos um conjunto de serviços e produtos para o consumidor e que sejam relevantes para as operadoras em termos de implemento de receita a médio e longo prazo”, resumiu Henrique Washington, sócio da Accenture e palestrante do painel.

Washington destacou que a plataforma tecnológica não é problema, com opções pelo FTTH (fibra), Docsis (cabo), WiMAX (sem fio), e que o uso de uma ou outra tecnologia vai depender do legado da operadora. “Neste quesito, é escolher qual a tecnologia e fazer os investimentos”, comentou. No regulatório, o executivo da Accenture lembrou que a regra definida pela Anatel no país é diferente da estabelecida em outras países e deu como exemplo os Estados Unidos, onde as regras mudaram a partir de 2004, quando foram modificadas as normas do unbundling e as operadoras tiveram incentivos fiscais para investir na ultra banda larga. “Operadoras como Verizon e AT&T começaram então a investir na infraestrutura para a oferta da ultra banda larga. Hoje, a AT&T tem 1,3 milhão de assinantes que consomem um conjunto de serviços e produtos desenvolvidos por ela, no modelo proprietário, só para assinantes.”, relatou. Também no celular, onde o consumo de banda vem aumentando significativamente com a 3G, o desenvolvimento de novas aplicações pode gerar mais qualidade nos jogos  interativos, por exemplo. Empresas como Google, Apple e Nokia tem investido para desenvolver novos aplicativos.

Experiências locais

O diretor de tecnologia da TVA/Telefônica, Virgílio Amaral, contou que a empresa fez uma oferta de seu serviço para um grupo de usuários, a velocidade de 30 Megas, e que na pesquisa de satisfação descobriu que os usuários gostaram da velocidade, porém, mais de 50% deles não sabiam o que fazer com ela, porque não tinha conteúdo ou aplicação. Em relação ao preço, os usuários disseram que pagariam R$ 120 por mês pelo serviço. “Decidimos que temos que criar portais de conteúdo porque vender a ultra banda larga a R$ 120 não é negócio”, relatou.

A GVT, que anunciou recentemente banda larga a velocidade de 100 Megas, foi citada como principal exemplo de serviço de ultra banda larga no país. A oferta de conteúdo da empresa, no entanto, é limitada, embora a intenção da operadora seja explorar o mercado de entretenimento usando a sua rede, conforme destacou Ricardo Sanfelice, diretor de marketing da GVT. “Queremos agregar serviços como IPTV”, exemplificou.

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