UIT alerta para o paradoxo das telecomunicações


 

Secretário-geral da UIT (União Internacional de Telecomunicações), Haulin Shao, abriu ontem sua palestra na Rio+20 com um paradoxo: o planeta já tem 6 bilhões de usuários de celular, mas 4 bilhões de pessoas não tem acesso à comunicação móvel. Ele cita o exemplo brasileiro, que em menos de 20 anos alcançou mais de 100% de penetração (mais aparelhos do que habitantes) nos celulares, para apostar na superação desse desafio.

 

“Em um debate na África em 2004, avaliamos que seria uma meta ambiciosa chegar a 10% de penetração dos celulares no continente em 2010, partindo de 4%. Pois agora, graças a exemplos como o da África do Sul, o alcance já ultrapassa 57%,” argumenta. Nesse ritmo, ancorado em
exemplos como os dos 109% de penetração do Brasil e da Rússia, na
comparação com os parceiros de Brics Índia e China com 90%, Zhao chega a prever que a África ultrapasse a Ásia.

 

Dirigente da Unesco e integrante da Broadband Comission da ONU, Hans
D’Orville defende que as TICs e a banda larga sejam usadas
massivamente como instrumentos para alcançar as Metas do Milênio,
objetivos de desenvolvimento humano traçados pelas Nações Unidas.A
informação científica, a educação e a cultura, por meio do conteúdo
local e multilíngue, podem se tornar um importante mecanismo de
inclusão à sociedade da informação e do conhecimento.”Acesso
sustentável e geral à educação é a pedra de toque, e para isso a banda
larga é fundamental,” destacou.

 

Chefe da área de Networks da Ericsson e coordenador das discussões de
aquecimento global e mudança climática da Broadband Comission, Johan
Wibergh destacou a alavancagem dos investimentos em banda larga como arma para mitigar e facilitar a adaptação às variações bruscas do
clima na Terra. Wibergh advertiu que o tráfego global de dados vai
crescer 15 vezes em cinco anos, o que pressionará as bases instaladas.

 

Citando recente documento da empresa sueca, da qual é um dos
dirigentes, Wibergh previu que a cobertura 3G alcançará 85% da
população mundial até 2017, e a 4G chegará a 50%. Os smartphones
chegarão a nada menos de 3 bilhões de unidades, o que ajuda a explicar
o formidável aumento esperado no tráfego de dados. Tamanho crescimento implica desafios para a gestão de resíduos e os hardwares e softwares envolvidos no processo. Em contrapartida, podemo colaborar para significativas reduções das emissões poluentes no ar. “As TICs podem reduzir 15% das emissões globais de CO² (dióxido de carbono, o gás que mais contribui para o efeito estufa), mas um estudo alemão prevê impacto favorável ainda maior, de 25%,”concluiu.

Presidente da Oi, Francisco Valim trouxe dados demonstrando uma
ligação estreita entre o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH),
medição de qualidade de vida de um país ou regiões por indicadores
como alfabetização e longevidade, e a inclusão digital. “A banda larga
atinge 50 milhões de usuários na rede fixa, por que a penetração dos
computadores é de 30% no Brasil,” explicou.

 

A banda larga móvel, dado o fato de os celulares terem penetração bem
superior à rede fixa, atinge público bem maior. “Esperamos 120 milhões
a 130 milhões de usuários já em 2016,” prevê. Na rede fixa, o melhor
resultado para Valim é o do programa das escolas, em que 60 mil
unidades já foram atendidas, e na área da Oi a parcela atendida chega
a 78%. “São 30 milhões de alunos,” calcula.

Valim acredita que a inclusão digital pode aumentar significativamente
com o aprofundamento das medidas de desoneração anunciadas pelo
governo e a adoção das providências em estudo. Argumenta que telecomunicações foi a indústria que mais investiu na última década, superando até a cadeia petrolífera. “Tributos somam mais de 50% de nossa receita. Como repassamos aos preços, não afeta tanto nossa margem, mas é claro que limita o crescimento, com prejuízo
para o consumidor e o país,” lamenta.

 

Mesmo reclamando da estrutura tributária e cobrando uma parceria mais
decidida do governo nas metas de expansão da banda larga, Valim mostrou números otimistas de crescimento da cobertura 4G, tecnologia mais complexa, que promete acesso de melhor qualidade e confiabilidade na transmissão de grandes pacotes de dados. Pelos números do executivo, os seis primeiros municípios serão alcançados ano que vem, chegando a 40 em 2014, 125 em 2015, 253 em 2016 e 422 em 2017.( Da redação).



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