TVs pagas não vivem crise e investem na classe C


Julho foi o menor nível de inadimplência da história da Net. A empresa, segundo seu presidente José Felix, apostou no otimismo e acreditou que o negócio de TV por assinatura mudou. “Nossa leitura foi que, diante de um cenário negativo as pessoas naturalmente deixariam de ir a restaurantes, ao teatro, e ficariam mais em casa, …

Julho foi o menor nível de inadimplência da história da Net. A empresa, segundo seu presidente José Felix, apostou no otimismo e acreditou que o negócio de TV por assinatura mudou. “Nossa leitura foi que, diante de um cenário negativo as pessoas naturalmente deixariam de ir a restaurantes, ao teatro, e ficariam mais em casa, curtindo filme, futebol. Hoje, diria que não temos do que nos queixar”, disse o presidente da Net, na abertura do congresso ABTA, que começou hoje em São Paulo. Com ofertas combinadas de serviços de TV paga, voz e internet, a operadora tem conseguido levar seus produtos para a classe C.

No Estado de São Paulo, onde a Telefônica, a partir da aquisição da TVA, entrou no mercado de TV por assinatura, a penetração do serviço na classe C passou de 7% a 10% há um ano e meio para 25% atualmente, segundo a presidente da TVA, Leila Loria. “Antes da parceria com a Telefônica, nossa indústria não chegava na classe C. É uma revolução que acaba por beneficiar a nossa indústria”, defendeu Leila. “ A cada crise o impacto na TV por assinatura é menor, este é um segmento que está menos sujeito a crise”, afirmou a executiva. Leila lembrou que, em média, os consumidores brasileiros passam 82 horas por semana interagindo com a mídia digital.

Apesar de já ter chegado a classe C, o serviço de TV paga via cabo ou fibra ainda está restrito a poucas regiões do país, razão pela qual a Embratel, que iniciou em dezembro sua operação de TV por assinatura, aposta no DTH para a expansão da TV paga. A TV por assinatura está completando 20 anos no país, com 7 milhões de assinantes e cerca de 20 milhões de telespectadores. O diretor geral do Via Embratel, Antônio João Filho, acredita que o DTH contribuirá para que o país dobre o número de assinantes em dez anos. Na sua avaliação, a cobertura por satélite dá certo no Brasil, entre outras razões, pela dimensão do país. “Temos 56 milhões de domicílios e menos de 15 milhões com cabo passando, portanto, temos um mercado potencial para outras tecnologias”, observou. Destacou, ainda, que existem 19 milhões de residências que recebem o sinal da TV aberta por uma antena parabólica e que uma parcela desse público tem condições de pagar por serviço de conteúdo pago.

O Via Embratel já está presente em mais de 4 mil municípios e a meta é cobrir 90% do país até o final deste ano com a oferta do serviço. No encerramento do segundo trimestre, a empresa registrava 147 mil assinantes. “O Via Embratel hoje é focado no segmento mais popular”, informou Antônio João.

Até mesmo a Sky, que se diz uma operadora para a classe A, quer aumentar sua penetração na classe C, com oferta de serviços pré-pagos. A operadora anunciou ontem novos serviços para esse segmento de mercado, embora seu presidente, Luiz Eduardo Baptista, reconheça que ainda é um serviço deficitário. “Na Sky, por enquanto, o pré-pago ainda está em fase de testes. Podíamos vender duas vezes o que estamos vendendo hoje por mês, mas é produto deficitário ainda, por isso seguramos as vendas”, reconheceu. Na sua avaliação, a Classe C é mais sensível que as classes A e B, porque sofre maior impacto psicológico em períodos de crise econômica. Para a Sky, o principal desafio “é aprender como lidar com a recarga. Se não tiver 80% de recarga perde-se dinheiro. As operadoras precisam aprender a lidar com isso, porque  70% do sucesso de um produto pré-pago está na recarga”, comentou Baptista.

O presidente da Globosat, Alberto Pecegueiro, que participou da abertura do congresso como representante dos programadores, disse que, mesmo no mercado norte-americano, onde a crise econômica é mais aguda, o mercado de TV por assinatura “está tranqüilo, com as operadoras reportando números fantásticos”. Para Pecegueiro, no Brasil a penetração da TV paga na classe B está aumentando e o setor “já está vendo a penetração na classe C começando a dar sinais positivos.”

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