TV paga: médios e pequenos empreendedores buscam o interior


Tele.Síntese Análise 403 Os novos modelos de TV paga por empresas de médio e pequeno porte estão voltados para o interior do país. Nas capitais há quatro ou mais concorrentes, mas em 25,5% dos municípios, de acordo com dados compilados pela NeoTV, contam com duas operadoras de TV. Além disso, a taxa de penetração é …

Tele.Síntese Análise 403

Os novos modelos de TV paga por empresas de médio e pequeno porte estão voltados para o interior do país. Nas capitais há quatro ou mais concorrentes, mas em 25,5% dos municípios, de acordo com dados compilados pela NeoTV, contam com duas operadoras de TV. Além disso, a taxa de penetração é menor nas cidades médias e pequenas – a média nacional é de 30%.

 

“Há ainda muito espaço para o serviço crescer, algo em torno de 14 milhões de domicílios”, avalia Alex Jucius, presidente da NeoTV. E é em busca desse espaço que se movimentam os médios e pequenos empreendedores, em modelos de negócios que incluem compras e fusões, pequenos provedores agregados em torno de uma média empresa de telecom e consórcios de provedores que querem incluir o vídeo em seus pacotes de serviços. Esses novos modelos foram apresentados e debatidos no 34º Encontro Tele.Síntese, realizado na terça-feira, 27, em São Paulo, para discutir os resultados de um ano da Lei do SeAC.

 

“Sem vídeo não há como competir com as grandes operadoras”, sentenciou Osvaldo Carrijo, diretor comercial de varejo da Algar Telecom, dona de uma base de TV paga de 127 mil assinantes (junho de 2013). Mas como a programação é cara e os descontos normalmente são negociados em função do número de assinantes – quanto maior a base, maior o desconto –, a operadora regional que atua no Triângulo Mineiro e na região de Franca (SP) decidiu ampliar sua base de assinantes de TV paga via satélite por meio da atração de provedores regionais. O piloto começou no ano passado com três provedores regionais, agora adicionou mais dez, e o objetivo é chegar a cem parceiros em 2014. “No nosso modelo, cada parceiro vai ter em média mil clientes de TV paga, ampliando nossa base em mais 100 mil assinantes até o final do ano que vem”, disse Carrijo.

Para atingir o seu target – chegar a um milhão de assinantes de TV paga –, a CTBC Telecom precisa atrair os provedores regionais. E para eles não vai fornecer só vídeo. Como tem uma rede que cobre  vários estados do Centro-Oeste, Sudeste e parte do Sul para atender a clientes corporativos, pode vender a eles também capacidade de banda e serviço de telefonia fixa. Ao lado de serviços, oferece assessoria de gestão, de marketing e acesso a capital competitivo. “Mas o cliente não é nosso, é do provedor. Montamos um modelo ganha-ganha”, explicou o diretor comercial de varejo da Algar Telecom. A empresa tem uma base de 600 provedores que se declararam interessados em conhecer o serviço batizado ISPTV.

 

Aquisições e fusões

Para crescer, a Blue Interactive, que surgiu em 2009 a partir da compra da Viacabo, adotou o caminho das aquisições e fusões. Hoje conta com 25 operações em nove estados, 700 mil home passed e uma base de 150 mil assinantes, pouco maior do que a da Algar Telecom. O foco da empresa são as cidades médias, entre 60 mil e 500 mil assinantes, e o objetivo é manter o ritmo de expansão, de acordo com Sílvia Jesus, presidente da empresa.

Da mesma forma que Carrijo, ela vê na programação uma barreira pelo seu alto custo. “Não há isonomia na competição entre as grandes operadoras e as médias e pequenas, porque os programadores dão descontos por volume de assinantes. Assim, as operadoras com mais clientes pagam menos”, afirmou Sílvia. Segundo ela, a diferença de preço pago por uma média operadora em relação a uma grande pode variar de 30% a 60% a mais, dependendo da programadora. Para vencer essa barreira, a chave é crescer.

 

A Blue Interactive, além de vídeo e banda larga, oferece também serviço de voz. Começou recentemente a investir em mobilidade, para que seus clientes possam usar o serviço fora de suas casas e escritórios. Para isso, está construindo uma rede de hot spots. Já são 30, e pretende chegar a cem. “Como são cidades médias, conseguimos cobrir a área urbana com três hots pots, em média”, comentou.

 

Entender qual é o melhor modelo de negócio e a tecnologia a ser adotada é o maior desafio para os pequenos provedores, na avaliação de Basílio Perez, presidente da Abrint, entidade que reúne provedores regionais de acesso à internet e serviços de telecom. Muitos provedores de cidades médias e pequenas estão fibrando suas operações, em substituição aos links de rádio, mas até agora só foram apresentados 80 novos pedidos de SeAC à Anatel. E, segundo o presidente da Anatel, João Rezende, a agência tem notícia de que apenas uma nova operação de TV foi lançada no âmbito do SeAC, nas cidades de Sorocaba e Salto, no estado de São Paulo. Mas há outros provedores preparando a entrada na área de vídeo. A demora, segundo eles, se deve à negociação com as programadoras.

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