TV paga: concessionárias aumentariam o mercado?


Entre 1998 e 2006, depois de atingir um pico de crescimento da ordem de 17% em 2000, o mercado de TV paga despencou, chegou ao fundo do poço, com expansão negativa em 2002, reiniciou a recuperação, mas, em 2006, embora evoluindo, o número de assinantes do serviço não irá muito além dos 4 milhões. Hoje, …

Entre 1998 e 2006, depois de atingir um pico de crescimento da ordem de 17% em 2000, o mercado de TV paga despencou, chegou ao fundo do poço, com expansão negativa em 2002, reiniciou a recuperação, mas, em 2006, embora evoluindo, o número de assinantes do serviço não irá muito além dos 4 milhões. Hoje, 28, no Seminário IPTV da Converge, no histórico de crescimento do mercado de TV paga no Brasil traçado por Otavio Jardanovski, da PTS, ao longo da primeira fase (até 1997), a demanda era maior do que a oferta; a segunda (1998-2002) foi caracterizada por turbulência econômica, com desvalorização do real, crise de energia, dívida das operadoras. A fase atual (2002 em diante), a terceira, é de estabilização, consolidação, investimentos, triple play.

Atualmente, a base do serviço está nos 4 milhões de assinantes, a penetração domiciliar é de 8%, o potencial de crescimento situa-se entre 8 e 10% ao ano, “sujeito a turbulências”. O faturamento de assinaturas é de cerca de R$ 5 bilhões, o publicitário em torno de R$ 400 milhões. “Por que uma penetração e um crescimento tão baixos?”, indaga Jordanovski.

O levantamento da PTS mostra que existem mais domicílios com poder aquisitivo (classes A e B) para usar o serviço – 7,5 milhões – do  que o número efetivo de lares usuários da TV por assinatura – 4,1 milhões. E que o mercado potencial (A+B) cresce mais rápido do que a oferta do serviço: de 1999 a 2005, os novos domícilios potencialmente assinantes totalizaram 4,3 milhões de residências (+ 58%), ao passo que a base de usuários de TV paga aumentou 38%, com ganho de 1,2 milhão de novos assinantes.

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Para Jordanovski, ninguém nega que, aqui, a renda per capita é baixíssima, e a distribuição de renda péssima. Mas isso não basta para explicar a tímida penetração e o lento crescimento da TV por assinatura. Na América do Sul, a penetração do serviço no Brasil (8%) é menor do que na Argentina (55%), Chile (28%) e México (17%). Tampouco é a renda que explica por que a penetração na Bélgica é de 99%, na Alemanha 89%, no Reino Unido 39%, na França 30%.

Na análise da PTS, a classe AB brasileira não assina TV porque dispõe de TV gratuita de alta qualidade – mesmo caso da BBC britânica e da francesa France2. Além disso, no Brasil, o serviço tem baixo crescimento e baixa penetração muito mais por um problema de conteúdo do que de renda/preço. E porque não existiria um grupo independente de produção de conteúdo local para TV paga.

Tereza Trautman, diretora geral do CineBrasilTV, discorda categoricamente. Existe, sim, produção independente, é paga pela sociedade brasileira via incentivos fiscais, mas é sistematicamente barrada no baile, não consegue passar da porta de entrada das prestadoras de TV paga, nem mesmo com a oferta de um canal eventual. “Os antenistas querem oferecer o produto, mas isso tem de ser triangulado pelas prestadoras”, acrescenta Tereza.

Só o osso, não.

Ela defende a abertura do mercado de TV paga e considera que a entrada das concessionárias vai expandir o serviço. Luiz Otávio Marcondes, diretor da BrT concorda, mas deixa claro que o negócio das concessionárias não é só atender as localidades onde a TV por assinatura não está. “Podemos expandir, sim, mas também nas grandes cidades, com direito ao filé e ao cupim. A menos que, na TV paga, tenhamos subsídios no VU-M, como as celulares”, diz. O que Maria Lúcia Bardi, da Anatel, se apressa em informar que está fora de cogitação.

Entretanto, caso as concessionárias decidam prover IPTV no mesmo modelo da TV tradicional, sua entrada não contribuiria para o crescimento da base de assinantes nem do faturamento e, de quebra, dividiriam o mercado com cerca de dez grandes prestadoras de TV paga, segundo Jordanovski. Cenário que seria diverso, por exemplo, se partissem para video sob demanda, ou sem cobrar assinatura, oferecer acervo de filmes, séries, eventos esportivos. Ou, ainda, rede de alta velocidade, interatividade, colocando à disposição de classes de renda mais alta uma mídia segmentada. Em resumo, com modelos diferentes dos atuais da TV paga, o tamanho do mercado com IPTV estaria estreitamente relacionado ao investimento em conteúdo, resultante do estabelecimento de parcerias com programadores independentes.

“Os novos players teriam um mercado com receita de R$ 50 bilhões, versus os R$ 9 bilhões atuais da TV aberta”, avalia a PTS. Aqueles entrantes poderiam conseguir penetração de 70% nas classes A+B, conquistar uma base de 8 milhões de assinantes, obter faturamento de R$ 8,9 bilhões e receita publicitária de R$ 1,8 bilhão.

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