TV gratuita no celular: japoneses rebatem europeus


Enquanto o governo federal não se decide pelo padrão de TV digital que será adotado no Brasil, as coalizões de empresas que defendem os dois favoritos ao páreo (DVB europeu e ISDB japonês) promovem, pela imprensa, uma batalha diária de informações técnicas para justificar qual lado é melhor. Posicionamentos, diga-se de passagem, que não são …

Enquanto o governo federal não se decide pelo padrão de TV digital que será adotado no Brasil, as coalizões de empresas que defendem os dois favoritos ao páreo (DVB europeu e ISDB japonês) promovem, pela imprensa, uma batalha diária de informações técnicas para justificar qual lado é melhor. Posicionamentos, diga-se de passagem, que não são consensuais nem mesmo entre os especialistas no assunto. Ontem foi a vez dos europeus atacarem o modelo japonês em uma situação de “TV aberta  e gratuita no celular”. Clique aqui para ver argumentos do DVB. Abaixo, o contra-ataque japonês. As respostas são de Yasutoshi Miyoshi, que representa o ISDB no país.

Telefone celular com receptor de TV digital requer subsídios
De fato, os aparelhos de telefone celular são subsidiados no modelo de operação no Brasil. De forma análoga, o subsídio por parte das operadoras de telefonia celular também existe no Japão. Lá, os operadores subsidiam os aparelhos por entenderem que o acesso à televisão digital gratuita que contempla recursos de interatividade (compra por televisão, acesso a internet, etc.) gerará tráfego de dados (serviços tarifados), e as operadoras obterão receita adicional que irá custear o subsídio.

Limitação para transmitir múltiplos programas para receptor portátil dentro de um mesmo canal de 6Mhz
No ISDB-T, os 13 segmentos da banda podem ser organizados em três camadas (agrupamentos) permitindo transmitir três programas dentro de um mesmo canal de 6MHz (combinação de transmissão de conteúdo HDTV, SDTV, LDTV). Este não é um limite técnico, mas apenas do formato da especificação hoje estabelecida.

No entanto, a flexibilidade construtiva da segmentação da banda presente no ISDB-T permite transmitir programas em cada um dos 13 segmentos, ou seja, é possível ter a transmissão de 13 programas dentro de um único canal de 6MHz.

Modelo de receita da TV portátil
A disponibilidade de mais programas não se traduz em aumento das receitas, seja pela venda dos programas, seja pelo aumento do espaço publicitário, pois não se espera que os usuários assistam a dois ou mais programas simultaneamente.

De concreto, a tecnologia que permite assistirmos aos programas de televisão em receptores portáteis resultará na oportunidade de termos acessos aos conteúdos televisivos com qualidade, propiciando a criação de novos “prime times”, durante o deslocamento para o trabalho ou escola, durante o almoço e intervalos, em benefício aos consumidores, e poderá resultar em receita adicional para osradiodifusores.

É importantíssimo destacar a flexibilidade do sistema ISDB-T, que pode transmitir múltiplos (13) programas aos receptores portáteis dentro de um único canal de 6MHz, se assim for o modelo implantado no Brasil.

Tecnologia para assegurar a robustez na recepção de sinais nos receptores portáteis
De fato a técnica de “diversidade de freqüências” permite em tese o aumento de robustez em relação à “segmentação da banda” somente.

Mas o sistema ISDB-T utiliza o “Time Interleaving Tool” em combinação com a “segmentação da banda”, técnica também presente nas transmissões para receptores fixos, o que assegura uma excelente performance em termos de robustez na recepção de sinais.

Este é um fato já amplamente comprovado nos testes de avaliação das recepções tanto para receptores fixos como móveis e portáteis, trabalho este realizado por especialistas brasileiros ao longo dos últimos anos.

Importante ressaltar a excelência da performance do sistema ISDB-T, tanto que a população japonesa já aprecia esta nova forma de assistir a televisão nos dispositivos portáteis (telefones celulares, DVD players, portáteis e notebooks). Isso ocorre desde dezembro de 2005, quando os primeiros terminais foram disponibilizados no mercado.

Conforme já anunciado, e cumprindo rigorosamente o cronograma de implantação, daqui a menos de 24 horas será feita a inauguração oficial da transmissão comercial em 29 das 47 províncias japonesas, com a realização de eventos que marcarão o início deste novo serviço.

O sistema japonês de TV digital não nega que a técnica de “diversidade de freqüências” em combinação com o “chaveamento temporal” também permite a robustez requerida na recepção portátil, mas cabe reiterar que trata-se de uma das opções para viabilizar a robustez na recepção portátil.

Durabilidade da bateria no terminal portátil
O telefone celular hoje comercializado no mercado japonês permite assistir a programação de televisão por aproximadamente duas horas, com o uso de uma bateria de 830mAh, capacidade comumente utilizada nos telefones celulares. Esta durabilidade foi confirmada pelos especialistas do Laboratório de TV digital da Universidade Mackenzie, que possuem os receptores comerciais.

Conforme notas divulgadas anteriormente por fabricantes de celulares, um receptor de telefone móvel pode empregar uma bateria de 1500mAh, ou seja, com o dobro da capacidade, permitindo utilizar o recurso de televisão por aproximadamente quatro horas. Nesse sentido, a durabilidade de baterias se equivalem nos dois sistemas.

Trabalho da KDDi (operadora japonesa de telefonia celular)
Cabe aqui reiterar que os telefones celulares que a empresa KDDi comercializa hoje no Japão são do sistema ISDB-T, único sistema de radiodifusão regulamentado e aprovado dentro do território japonês.
Existe sim um trabalho da KDDi para o estudo da viabilidade de se introduzir o serviço de distribuição de conteúdo “pago” para os terminais portáteis, em alternativa a tráfego de dados.

Construção do aparelho de telefone celular com receptor ISDB-T
O circuito de televisor apenas compartilha a tela do aparelho com a função do telefone. Para tanto, basta acrescentar ao telefone o chip e os circuitos de recepção de televisão digital nos celulares para disponibilizar o “telefone celular receptor de televisão”.

(Da Redação)

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