TV digital:governo abre negociações e padrão japonês tem vantagem


Ainda não há decisões oficiais, mas as escolhas do governo sobre a implantação da TV digital no Brasil começaram a ser feitas. Hoje, o Comitê de Desenvolvimento do Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD), integrado por dez ministérios, se reuniu por quase quatro horas para ouvir os técnicos do CPqD sobre os resultados das pesquisas …

Ainda não há decisões oficiais, mas as escolhas do governo sobre a implantação da TV digital no Brasil começaram a ser feitas. Hoje, o Comitê de Desenvolvimento do Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD), integrado por dez ministérios, se reuniu por quase quatro horas para ouvir os técnicos do CPqD sobre os resultados das pesquisas desenvolvidas pelas universidades e duas conclusões foram tiradas da reunião.

A primeira foi que o principal produto que o Brasil terá a oferecer na mesa de negociações com os detentores da tecnologia de modulação da TV digital são os softwares de middleware e os aplicativos, especialmente de interatividade. A segunda é que, no que diz respeito à escolha do padrão de modulação, apenas o europeu (DVB) e japonês (ISDB-T) continuam no páreo e interessam ao Brasil. O norte-americano (ATSC) já está descartado.
Segundo técnicos que participaram da reunião, não houve uma tomada de posição final do governo brasileiro. Agora, começam as discussões entre os ministérios e, segundo um ministro presente ao encontro, o governo brasileiro irá procurar os representantes dos dois padrões para negociar a composição do SBTVD.

Nova reunião

Amanhã, haverá uma nova reunião com o presidente Lula e com os ministros da Fazenda, Antonio Palocci, Casa Civil, Dilma Rousseff, e Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, para discutir novamente a implantação da TV digital. Lula receberá ainda, em uma reunião separada, os diretores das emissoras de TV do país. Elas também terão um encontro com o ministro das Comunicações, Hélio Costa.

De acordo com um ministro que participou da reunião de hoje, o padrão norte-americano não tem condições de atender a duas demandas consideradas importantes pelo governo e pelos radiodifusores: a mobilidade e a interatividade. Já o principal problema do padrão europeu, na visão desse ministro, seria o sistema de interatividade na TV digital, que ainda apresenta falhas.

Outro problema do DVB é que ele conta com vários fornecedores de equipamentos, o que dificulta a negociação sobre o pagamento de royalties pelo governo brasileiro. Em contrapartida, o padrão europeu vem sendo adotado por vários países, como Índia e Austrália, o que dá escala ao sistema. “Está sendo analisado pelo Ministério do Desenvolvimento até que ponto esses mercados (Índia e Austrália, por exemplo) interessam ao Brasil”, comentou o ministro.

O padrão japonês de modulação apresenta vantagens em relação à mobilidade e à portabilidade e tem apenas dois fornecedores, o que, na opinião do ministro, facilita a negociação em termos de pagamento de royalties. Esse ministro frisou que o modelo de TV digital a ser adotado forçará uma integração entre os radiodifusores e as operadoras de telecomunicações, porque o canal de interatividade terá que ser feito por meio de linha telefônica.

“A partir de amanhã já teremos condições de dizer com mais clareza que sistema poderá ser adotado”, informou o ministro das Comunicações, Hélio Costa, em entrevista após a reunião. Segundo ele, a data de 10 de fevereiro – considerada o prazo final para o governo anunciar as definições sobre que sistema adotará para a TV digital no Brasil – poderá ser prorrogada em função das negociações políticas e econômicas que serão feitas com os detentores estrangeiros das tecnologias.“A data de 10 de fevereiro não precisa ser rigorosamente cumprida, até porque o repasse de verba para as pesquisas atrasou”, afirmou Costa. 

Participaram da reunião de hoje os ministros Dima Rousseff, Casa Civil, Antonio Palocci, Fazenda, Sérgio Resende, Ciência Tecnologia, Juca Ferreira, interino da Cultura, Luiz Fernando Furlan, Desenvolvimento, Paulo Bernardo, Planejamento, Hélio Costa, Comunicações e ainda Ronaldo Mota, secretário de Educação à Distância do Ministério da Educação, Luiz Dulci, secretário geral da Presidência e Renato Martini, diretor do Instituto de Tecnologia da Informação. Pelo CPqD estavam Hélio Graciosa, presidente da fundação, e Ricardo Benetton, coordenador do projeto do SBTDV.

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