TV digital: troca de ministros excluiu padrão chinês


De acordo com Augusto Gadelha, ex-coordenador do Grupo Gestor do Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD), a última tentativa de intercâmbio entre Brasil e China para o desenvolvimento de uma cooperação comercial a partir de um novo padrão tecnológico foi abandonada por conta da troca ministerial. Gadelha viajou ao país asiático no início do ano …

De acordo com Augusto Gadelha, ex-coordenador do Grupo Gestor do Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD), a última tentativa de intercâmbio entre Brasil e China para o desenvolvimento de uma cooperação comercial a partir de um novo padrão tecnológico foi abandonada por conta da troca ministerial. Gadelha viajou ao país asiático no início do ano passado para iniciar o contato que poderia resultar em uma solução conjunta.

 "Estivemos lá em janeiro de 2005. Fomos recebidos pela cúpula da TV digital chinesa, cerca de 25 pessoas ou mais. Nós discutimos lá os planos que eles tinham e mostramos os nossos projetos", relata o hoje Secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério de Ciência e Tecnologia. "Na verdade, não foram os chineses que demonstraram interesse: nós fomos lá provocar a interação com eles."

 Antes dessa ocasião houve pelo menos outros dois encontros de representantes do setor dos dois países, dos quais Gadelha diz não recordar. Em 2002, Miguel Cipolla Júnior – ex-diretor da Sociedade de Brasileira de Engenharia de Televisão e Telecomunicações (SET) e ex-superintendente de Engenharia da TV Bandeirantes – recebeu uma delegação chinesa, mas o contato não prosperou. Em outubro de 2003, a Câmara de Indústria e Comércio Brasil-China promoveu em São Paulo palestras de três dirigentes do projeto chinês sobre o tema, em parceria com o Grupo de Coordenação e Projetos de Industrialização de TV Digital de Beijing. Segundo o presidente da Câmara, Charles Tang, vários técnicos brasileiros participaram do evento e ficaram interessados, entretanto, também não houve avanços.

 A visita de Gadelha foi retribuída por uma autoridade que, afirma, equivale ao ministro das Comunicações nacional. "Ele solicitou que uma equipe brasileira fosse à China", diz. A nova missão deveria incluir técnicos para tornar o intercâmbio efetivo. Entretanto, os planos foram interrompidos pela troca do ex-ministro Eunício Oliveira pelo atual, Hélio Costa, em julho do ano passado. "Aparentemente, eles ficaram aguardando a visita", lamenta.

Cooperação incerta

Para Gadelha, o resultado da possível cooperação era incerto. "Eu não sei se iria vingar alguma coisa. Nós estávamos muito mais avançados do que os chineses na época. Nós tínhamos aqui um grupo muito maior trabalhando no nosso sistema, enquanto eles tinham apenas duas universidades, se bem que eles tinham uma área industrial já pronta para dar suporte a isso que eles queriam realizar", avalia.

 O coordenador geral do FNDC, Celso Augusto Schröder, lembra que a entidade defende o estudo da tecnologia daquele país desde o início do processo. "Essa visita mostrou que há interesse, mas por alguma razão o governo não tem levado em conta, o que é lamentável pelas possibilidades e conseqüências da transferência de tecnologia", critica. "A verdade é que o governo não fez o que deveria. A provável adoção do padrão japonês sequer foi feita pelo governo, mas pelo grupo SET/Abert ainda na gestão de FHC."

Na última semana, o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) fez mais uma tentativa de chamar a atenção do governo federal e da sociedade civil para a necessidade de avaliar com cautela e mais profundidade as oportunidades, os riscos e os impactos da introdução da tecnologia digital na radiodifusão brasileira, às vésperas do anúncio do modelo tecnológico que o país adotará. Em manifesto publicado no dia 19/1, o Fórum reafirmou a importância estratégica e a dimensão social que o tema digitalização das comunicações envolve, motivo pelo qual a tomada de decisão, prevista para o dia 10/2, deveria ser adiada.

(Fonte: FNDC)

Anterior PT apresenta projeto para regulamentar TV digital
Próximos Escala, preços baixos e melhor sinal são as ofertas do ATSC para a TV digital