Set-top box popular terá interatividade, mas não trará modem móvel


tv_07O Grupo de Implantação do Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV e RTV  (GIRED) definiu na tarde desta sexta-feira (15), em reunião em Brasília, as especificações do set-top box que será distribuído para os cerca de 14 milhões de famílias inscritas no Bolsa Família. A distribuição faz parte das iniciativas para o encerramento das transmissões analógicas de TV e migração para o sistema brasileiro de TV digital.

O aparelho escolhido é um híbrido entre as sugestões mais simples as mais sofisticadas apresentadas pela EAD, a empresa formada pelas operadoras de telefonia móvel para limpeza da faixa de 700 Mhz. O conversor trará o Ginga C, versão mais atual do middleware brasileiro, capaz de lidar com situações de interatividade. A caixa terá canal de retorno, por meio de conexão fixa Ethernet, e o sistema aceitará ainda a instalação de modem de conexão móvel pela por USB, mas não trará modem móvel de fábrica.

O aparelho terá 512 MB de memória RAM, 2 GB de memória flash para armazenamento de dados e do sistema operacional e porta HDMI. Não virá, porém acompanhado deste cabo. Também não terá conexão sem fio por Bluetooth. “Tentamos reduzir a complexidade técnica, preservando o grau de interatividade e diminuindo o impacto financeiro, para não expor o orçamento da EAD”, explica Rodrigo Zerbone, conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e presidente do Gired.

A reunião, que durou o dia inteiro, contou com a presença de todos os integrantes – representantes do governo, de entidades do setor de radiodifusão e representantes da operadoras de telefonia móvel. O ponto mais sensível da pauta foi incorporar o Ginga C ao sistema, algo que as teles queriam evitar. “Mas conseguimos um consenso ao mostrar que isso não teria grande impacto nos custos”, diz Zerbone. A EAD dispõe de R$ 3,6 bilhões para realizar o desligamento e a distribuição dos conversores.

Contra o tempo
Agora a EAD vai iniciar o processo de aquisição destes set-top boxes. A empresa precisa distribuir cerca de 7 mil conversores, com a nova especificação, em Rio Verde (GO), até 29 de novembro. A cidade será a primeira a ter o sinal de TV analógica desligado. “O prazo é apertado. O aparelho tem uma configuração que não existe no mercado. Se não estiver pronto para Rio Verde, teremos que ter outra solução para lá. Mas a gente tem confiança que a EAD vai conseguir, porque essa versão não é tão complicada de produzir”, ressalta.

Enquanto isso, o Gired e a EAD planejam realizar um piloto com o modelo mais sofisticado de set-top box disponível no mercado. A intenção é juntar elementos sobre viabilidade e uso do modelo. “Se o modelo se mostrar confiável, e com a evolução do desligamento a EAD tiver caixa, ele poderá ser utilizado”, completa Zerbone. O projeto-piloto ainda não tem, porém, data nem local para acontecer. O desligamento da TV analógica deve acontecer em todo o país até 2018, seguindo cronograma definido pelo governo federal.

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