A reunião de ontem,25, do grupo de comunicação para avaliar o resultado da pesquisa do Ibope sobre a penetração da TV digital em Rio Verde trouxe o que todos já sabiam: o percentual de 93% de casas aptas a receber o sinal não foi atingido, às vésperas do desligamento, previsto para o dia 29. A pesquisa trouxe o  percentual de 62%.

É muito? É pouco? Em sã consciência ninguém vai, na marra, com esse percentual, tirar as TVs analógicas do ar. O Ministério deve, então, chegar lá e dizer que o processo não deu certo? Claro que não. Afinal, mais da metade da população (sem contar aqueles que já têm a  TV paga, mais de 10%) já é digital.

Na verdade, deve-se comemorar o engajamento, o esforço da única emissora digital da cidade, das empresas de telecom, da prefeitura que se mobilizou, e principalmente, do telespectador e da população que teve até muito paciência com as pesquisas realizadas, que mais confundiam do que esclareciam sobre o que realmente estavam assistindo.

Mas o fato é que o resultado desta última pesquisa, ao ser analisada em detalhes,  requer maior engajamento do governo, para além do segmento de telecomunicações e dos compromissos assumidos com a venda da frequência de 700 MHz.

Vale lembra que o resultado também dá argumentos para as operadoras de celular, para que seja mudado o critério de aferição dos 93%. Conforme o IBOPE, 83% dos domicílios de Rio Verde não ficariam sem o sinal se a TV analógica fosse desligada hoje. Por que muitas casas têm parabólicas, cabo, DTH. É um fator importante a ser considerado.

Para efeito de política pública, contudo, o que mais chama a atenção é que aqueles que têm só a TV terrestre aberta e que só recebem o sinal analógico,a pesquisa mostrou que 68% têm só a TV de tubo, ou seja, precisam mesmo do conversor para captar o sinal. E  não receberam esta caixinha de graça das operadoras de celular porque não fazem parte dos que integram o Bolsa Família.

Mas estas famílias estão na borda da necessidade. Desse contingente dos  sem conversor e sem TV digital 35% integram a classe DE e 48% a classe C, indica a pesquisa do IBOPE. E a principal razão para não migrarem para uma TV mais bonita, mais colorida, mas translúcida foi assim justificada : “dificuldades financeiras”. 49% dos moradores de Rio Verde que ainda não têm a TV digital alegam que não têm condições para comprar sequer o conversor, que está sendo vendido a R$ 200,00, na cidade, apenas no cartão de crédito.

O problema não deve ser, então, quando desliga ou não desliga o sinal. Mas sim, como dar condições para que todos possam desligar o sinal analógico.

Proposta da Anatel

A Anatel faz o que pode para resolver esta questão. Propôs aos dois lados “esticar” a data do desligamento completo para até o ano de 2023, e não mais 2018, como  está estabelecido. Com essa nova data, se faria uma nova arrumação nas cidades que realmente precisarão ter os sinais de TV desligadas, e, como o número de municípios seria muito menor, seriam distribuídas muito mais caixinhas para os moradores dessas cidades. As teles e os radiodifusores estão analisando a proposta, mas uma decisão mesmo só vai sair na primeira quinzena de dezembro.

Mas essa iniciativa, pelo que a pesquisa indica, vai ser insuficiente. Terá mesmo que haver outros programas de financiamento para que os brasileiros que também gostam de TV e que não estão no Bolsa Família possam continuar a assisti-la.

Até lá, é preciso  dar continuidade ao processo de Rio Verde, que é a cidade piloto. E não o fim do mundo.