TV digital: implantação começa com padrão estrangeiro puro


Num primeiro momento, as inovações desenvolvidas pelos pesquisadores brasileiros na área de compressão de vídeo e de middleware não serão incorporadas ao sistema brasileiro de TV digital. A tendência é que o Brasil comece a implantação da tecnologia com um “padrão puro”, ou seja um pacote completo de soluções que virá com o padrão de …

Num primeiro momento, as inovações desenvolvidas pelos pesquisadores brasileiros na área de compressão de vídeo e de middleware não serão incorporadas ao sistema brasileiro de TV digital. A tendência é que o Brasil comece a implantação da tecnologia com um “padrão puro”, ou seja um pacote completo de soluções que virá com o padrão de modulação selecionado. Foi o que adiantou hoje, 15, o ministro das Comunicações, Hélio Costa.

Segundo ele, as soluções brasileiras para compressão de áudio e vídeo e middleware ainda estão sendo desenvolvidas, há apenas protótipos feitos pelas universidades, e não estarão prontas a tempo de serem testadas em junho. Na avaliação de Costa, apenas alguns aplicativos desenvolvidos pelos pesquisadores poderão ser agregados de imediato ao padrão escolhido. “As conversas sobre MPEG IV e middleware são preeliminares. São ferramentas que ainda estão sendo desenvolvidas e não estarão prontas para os testes experimentais que deverão ser feitos em junho. A TV digital começará com a arquitetura existente e estaremos abertos a inovações que deverão ser incorporados no decorrer deste ano ou no início de 2007”, disse Costa após participar de reunião na Casa Civil.

Foi a última reunião realizada entre o comitê de cinco ministros – Dilma Rousseff (Casa Civil), Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), Antonio Palocci (Fazenda) e Costa (Comunicações) – e os vários setores envolvidos com a implantação da TV digital. O encontro de hoje foi com os presidentes das principais redes de TV aberta do país.

Relatório CPqD
Costa informou que o relatório integrador do CPqD não será divulgado porque ele é um instrumento de informação do presidente da República, a quem caberá julgar a conveniência de tornar público o conteúdo do documento. De acordo com o ministro, esse relatório não indica um dentre os três padrões a ser adotado. “Esta não é a função do relatório do CPqD. Nunca foi solicitado ao instituto que fizesse uma indicação final do que seria o SBTVD (Sistema Brasileiro de Televisão Digital). A função dele é sistematizar as informações sem dar opiniões”, frisou.
 
Conforme o ministro, quem sugeriu a adoção de padrões específicos foram os 22 consórcios a partir das pesquisas que desenvolveram. O ministro adiantou que amanhã, 16, divulgará no site do Ministério das Comunicações (www.mc.gov.br) a íntegra dos 22 relatórios elaborados pelas universidades e centros de pesquisa.

Próximos passos
Costa disse que, terminada a fase de reuniões com os setores, o próximo passo será cada um dos nove ministérios que integram o Comitê de Desenvolvimento elaborarem seus respectivos relatórios com sugestões e demandas de suas áreas para a implantação da TV digital. O relatório do Minicom já está sendo escrito e Costa acredita que, logo após o Carnaval, os documentos dos ministérios serão entregues à Casa Civil.

Ele destacou que ainda há uma série de questões que precisam ser resolvidas, como a isenção ou redução tributária para a importação de equipamentos de radiodifusão, em estudo pelo Ministério da Fazenda, e financiamentos para consumidores finais comprarem conversores e televisores. O ministro adiantou ainda que “entendimentos de alto nível” estão sendo mantidos entre o governo brasileiro e outros governos e entre empresas que podem “colocar o Brasil na dianteira da tecnologia digital”, mas ele não quis adiantar se esses entendimentos são relacionados à implantação de uma fábrica de semicondutores no Brasil para abastecer o mercado de TV digital, o que é reivindicado pela indústria.

Sociedade Civil
Questionado se o comitê de ministros ou o próprio Ministério das Comunicações abrirá espaço para ouvir segmentos da sociedade civil nessa etapa de definições sobre a TV digital, Costa respondeu que ainda há espaço para que eles possam participar até porque toda a discussão sobre modelo de negócios, canalização ou programação ainda está sendo feita, mas defendeu que o governo precisa dar o primeiro passo – a definição do sistema – rapidamente, porque, caso contrário, o Brasil ficará sem TV digital.

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