TV digital: EBC vai usar celular como canal de retorno em piloto


Tele.Síntese Análise 355 A EBC deve iniciar em outubro um piloto para testar a interatividade da TV digital junto a cem famílias que participam do programa Bolsa Família em João Pessoa (SE). O piloto, com duração de três meses, inclui testes da alta definição e da multiprogramação. O piloto será realizado em parceria com a …

Tele.Síntese Análise 355

A EBC deve iniciar em outubro um piloto para testar a interatividade da TV digital junto a cem famílias que participam do programa Bolsa Família em João Pessoa (SE). O piloto, com duração de três meses, inclui testes da alta definição e da multiprogramação. O piloto será realizado em parceria com a Câmara dos Deputados, que vai distribuir dois canais em alta definição – os outros dois serão da TV Brasil – e com a Câmara Municipal de João Pessoa, que vai construir a torre onde serão instalados a antena, fornecida pela Mec-tronica, e o transmissor, cedido pela Harris. Os setop boxes que serão entregues às famílias participantes do teste serão cedidos em comodato pela D Link.

Idealizado pela equipe da EBC sob o comando de seu presidente, Nelson Breve, o piloto será acompanhado e avaliado por consultores contratados pelo Banco Mundial, encarregados da análise técnica e de impacto social. Outros parceiros, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal farão os testes do canal de retorno usando o celular.

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A ideia da EBC, ao testar a interatividade junto ao público do Bolsa Família, formado por pessoas com baixa escolaridade, é construir uma visualização da interatividade totalmente transparente, com ícones e vídeos capazes de ser entendidos por todos. As famílias selecionadas vão ser treinadas por agentes de saúde, que já se relacionam com elas. Esses agentes, por sua vez, vão ser preparados para a tarefa pela equipe do Lavid – Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital, da Universidade Federal da Paraíba.

O teste vai usar o canal 61, em UHF, da Câmara dos Deputados – além dos quatro canais digitais, um quinto será dedicado à transmissão para o celular; e o sexto será o canal de dados, para a interatividade. Haverá três aplicações, definidas em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento Social. Um aplicativo com informações e preparação para a retirada de documentos, como carteira de identidade e carteira de trabalho. Outro voltado para a empregabilidade, com informações de vagas disponíveis na cidade, de preferência no entorno da residência do candidato, e adequado à qualificação do interessado. O terceiro aplicativo tem foco no atendimento à saúde. Todos já estão em desenvolvimento, respectivamente, pela PUC de Brasília, pela Federal da Paraíba e pela Federal de Santa Catarina.

Canal de retorno
O setop box a ser cedido em comodato às famílias já traz todas as funcionalidades de interatividade do Ginga e tem um chip interno para transmissão dos dados por meio da rede de telefonia celular 3G. Os testes com o canal de retorno serão feitos com os bancos oficiais, em operações bancárias que serão confirmadas via SMS, sejam consultas ou mesmo transferência de dinheiro. O custo de telecomunicações será pago pelas instituições bancárias.

O protótipo da TV digital interativa em teste no laboratório da EBC, que será ampliado com novos equipamentos – a diretoria da empresa já aprovou um investimento de R$ 1 milhão – permite ao telespectador ter acesso a uma série de informações, atualizadas em tempo real, desde o noticiário da Agência Brasil até informações sobre o tempo, por exemplo. Essas informações são captadas da internet por um computador, lançadas em um multiplexador e transmitidas pelo canal de dados até a casa do telespectador. Além do teste da TV digital em João Pessoa, em UHF, a EBC também participa como parceira do teste desenvolvido pela Universidade Mackenzie, em São Paulo, em VHF, com transmissões entre o campus da Maria Antônia, no centro da cidade, e o campus de Tamboré. E a empresa já solicitou ao Ministério das Comunicações um canal para fazer o teste, também em VHF, no Rio de Janeiro. O objetivo é avaliar os aspectos técnicos da transmissão da TV digital, uma vez que o governo estuda a possibilidade de eventualmente transferir a TV pública para a faixa de VHF – o que lhe permitirá ampliar os usos da faixa de 700 MHz em UHF.

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