shutterstock_Sauromatum Design_TV_3D_conteudo

O processo de digitalização da TV aberta brasileira é um bom exemplo de nossa capacidade de fazer. Uma política que iniciou no governo Lula, quando foi definido o padrão digital  -e a escolha recaiu sobre a tecnologia japonesa (ISDB), porque ela permitia a captação dos sinais também na rede celular – , foi viabilizada no governo Dilma, quando a Anatel encontrou a saída para financiar o subsídio à população de baixa renda – e agora implementada no governo Temer.

Mas se durante esse tempo houve feridos (a até derrotados, entre eles, a tecnologia nacional do Ginga está constantemente ameaçada pela falta de conteúdo interativo a ser distribuído) não dá para deixar de apontar o seu mais contundente resultado: quase a totalidade dos telespectadores que desligaram seus canais analógicos continua a assistir à TV.

A pesquisa realizada pelo IBOPE sobre o resultado final de Brasília, por encomenda da EAD (a empresa das operadoras de celular que financia o desligamento) é extremamente positiva: 98,3% da população ou 98,1% (a depender do critério de aferição) estão com os seus lares sem problema na recepção dos sinais de TV. Ou seja, quase a totalidade das residências da capital e cidades do entorno recebe o sinal de TV digital, apenas dois meses depois da implementação do programa, ultrapassando até mesmo os indicadores da TV analógica.

MAIS QUE ANALÓGICA

De acordo com a PNAD 2015 do IBGE, 63,3 milhões de domicílios no Brasil possuíam TVs em 2013, o que corresponde a 97,2% do total. Desse universo, 54,5% das casas têm só TV de tubo, essas que necessariamente precisam ser trocadas ou receber o conversor para poderem ter acesso aos sinais digitais.

E em Brasília, após o processo de desligamento – que envolveu disputas, mas que no final acabou sendo concluído – mais de 98% dos lares estão com a TV digital. Resultado melhor do que a maioria dos países que já implementou a sua digitalização.

Conforme a UIT, em seu relatório de 2015, 48 países concluíram a sua migração para a TV digital até agora. Um número ainda pequeno frente as metas pretendidas.