TV digital: aval de japoneses para fábrica de chips pode demorar até um ano


Se forem os escolhidos para fornecer a tecnologia de modulação para a TV digital brasileira, os japoneses só terão condições de afirmar se poderão ou não instalar uma fábrica de semicondutores no Brasil dentro de seis meses a um ano. Segundo Yasutoshi Miyoshi, representante do grupo de empresas japonesas que têm unidades no Brasil (Panasonic, …

Se forem os escolhidos para fornecer a tecnologia de modulação para a TV digital brasileira, os japoneses só terão condições de afirmar se poderão ou não instalar uma fábrica de semicondutores no Brasil dentro de seis meses a um ano. Segundo Yasutoshi Miyoshi, representante do grupo de empresas japonesas que têm unidades no Brasil (Panasonic, Toshiba, NEC) e integram o consórcio japonês ISDB, esse é o prazo para se concluir o estudo de viabilidade econômica da fábrica de chips.

Miyoshi ressaltou que diversos aspectos precisam ser levados em conta antes da decisão por uma fábrica no Brasil, entre eles, a infra-estrutura necessária, a logística, disponibilidade de mão-de-obra especializada e, especialmente, o tipo de semicondutor que será produzido aqui. “Quase todos os produtos eletrônicos empregam semicondutores. A intenção é encontrar um nicho de mercado onde o Brasil possa se inserir. Essa questão só tem sentido se houver condições de o país fornecer para o mercado inteiro, afirmou Miyoshi.

Os japoneses asseguram que não desistiram da fábrica, mas que só estarão dispostos a implantá-la depois do estudo. “Tudo está condicionado a este estudo. É impossível se comprometer com investimentos de bilhões de dólares sem uma análise mais aprofundada”, completou. O representante do ISDB não precisou o volume de recursos necessários para a instalação da fábrica. “Seria um investimento de bilhões de dólares, que depende do tipo de produto a ser fabricado e do volume de produção”, completou Miyoshi.  O ministro das Comunicações, Hélio Costa, afirmou que a fábrica de chips demandaria investimentos da ordem de US$ 3 bilhões.

Apesar do condicionante, ele garante que os japoneses continuam firmes nas propostas que já apresentaram ao governo brasileiro. Entre elas, a oferta de linha de crédito da ordem de US$ 500 milhões, podendo ser ampliada, para financiar a migração dos radiodifusores da tecnologia analógica para a digital.

"Grata supresa"

Hoje, 14, o consórcio ISDB divulgou um comunicado à imprensa no qual classificou como “grata surpresa” a intenção manifestada pela empresa italiana STMicroeletronics, produtora de semicondutores integrante do consórcio DVB, de implantar uma fábrica de chips no Brasil. “A decisão de uma importante empresa internacional com presença global contribui no empenho para o adensamento da cadeia produtiva do segmento eletroeletrônico no Brasil”, afirma Miyoshi no comunicado.

A sinalização da STM esquentou as negociações entre os representantes dos padrões e o governo brasileiro, que aparentemente já pareciam vencidas pelo ISDB, e até provocou críticas do ministro Hélio Costa. Amanhã, representantes da STM têm reunião à tarde, na Casa Civil, para detalhar a proposta. Conforme informações da Coalização DVB, a instalação da fábrica da STM está condicionada à escolha, pelo governo brasileiro, do padrão europeu para a TV digital.

No comunicado divulgado hoje, os japoneses argumentam que os chips europeus podem ser combinados com o front-end (tuner + demodulador) do sistema ISDB, permitindo a produção de receptores para esse sistema. O consórcio lembra, ainda, que já há um setop box para o ISDB, construído por um dos consórcios participante do projeto SBTVD e pela empresa brasileira Visiontec, composto de um front-end da empresa japonesa ALPS, combinado com o back-end da empresa STMicroeletronics. “Este fato atesta o que já ocorre na indústria eletrônica japonesa nos dias de hoje, na qual os produtos são construídos utilizando componentes nacionais e estrangeiros das mais diversas nacionalidades, sem barreiras ou restrições”, diz a nota.

O comunicado cita, ainda, a avaliação do professor Gunnar Bedicks Jr — coordenador do Laboratório de TV Digital da Universidade Presbiteriana Mackenzie, e responsável por um dos consórcios que realizou estudos para a TV digital brasileira –, segundo a qual é perfeitamente possível a produção de receptores daquele modelo a um custo industrial inicial da ordem de US$ 100 a unidade.

Hoje, o embaixador do Japão no Brasil, Takahiko Horimura, esteve reunido com o ministro Hélio Costa. Segundo a assessoria de imprensa do ministério, o encontro foi uma iniciativa do embaixador para relatar a Costa “as tratativas com o governo japonês sobre TV digital”.

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