TV digital: Argentina pode assumir papel de liderança na América do Sul


A América do Sul pode ter um padrão único de TV digital? Pelo mapa que vem se desenhando, isso seria quase impossível. Mesmo assim há os que defendam a idéia, como a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, em recente visita a Buenos Aires, e o diretor da Telefónica CTC, no Chile, Gustavo Pérez. …

A América do Sul pode ter um padrão único de TV digital? Pelo mapa que vem se desenhando, isso seria quase impossível. Mesmo assim há os que defendam a idéia, como a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, em recente visita a Buenos Aires, e o diretor da Telefónica CTC, no Chile, Gustavo Pérez. Como, no Brasil, a decisão pelo padrão ISDB japonês é dada como certa, ficou para a Argentina o papel de liderança neste processo continental.

“Nenhum outro país da América do Sul vai adotar o padrão japonês. Será DVD (europeu) ou ATSC (americano), afirma Mário Baumgarten, CTO da Siemens, empresa integrante da coalizão DVB no Brasil. Mesmo assim, o executivo afirma que o foco das iniciativas da coalizão européia ainda se concentra no Brasil. “Confiamos em nosso interlocutores no governo (nos ministérios da Cultura, Indústria e Comércio e Casa Civil) de que a decisão não será tomada agora”.

A Argentina, que anteriormente acenou com a possibilidade de seguir o padrão brasileiro, resolveu  tomar caminho independente depois da opção pelo ISDB por aqui. Os vizinhos já fizeram experiência com o ATSC, mas recentemente abriram as portas ao DVB (que fez demonstrações no país nos últimos dias), desde que a coalizão passou a manter diálogo com autoridades portenhas. Vale ressaltar que, naquele país, diferentemente do Brasil, há operadoras de telefonia que são donas de empresas de radiodifusão. O que não ocorre por aqui e favorece o padrão japonês.

Chile
A decisão argentina pode influenciar o Chile, país que, normalmente, está alinhado com os EUA por diversos acordos comerciais. “O ATSC seria a escolha natural do Chile, mas eles podem seguir países como o Brasil e Argentina, desde que seja pelo DVB”, analisa Baumgarten. O Chile não tem indústria de equipamentos de TV e, por isso, depende das fábricas de seus vizinhos para abastecer o mercado local.

O ATSC, que já conquistou, entre os países americanos, o México, EUA, Canadá e Guatemala, teria sérios problemas nos países mais “à esquerda” da América do Sul, como a Venezuela de Chávez, um importante mercado, e a Bolívia, de Evo Morales. O flanco está aberto ao DVB que, no entanto, apenas iniciou seu diálogo com esses países.

Outro mercado que flerta com o DVB é a Colômbia. A associação de engenheiros local pediu formalmente ao governo colombiano que adote o padrão europeu. Segundo analistas de mercado, a escolha de um padrão único seria um grande benefício para a região, que contaria com as vantagens de uma economia de escala. 

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