TV digital: a defesa da flexibilidade


O x da questão na disputa em torno do padrão de TV digital é um só: as emissoras estabelecidas no mercado brasileiro não querem saber de concorrência, avalia Braz Izaias da Silva Jr.,  diretor para a América Latina da empresa STMicroeletronics, que faz parte da coalizão DVB Brasil. Esse é mais um argumento na defesa …

O x da questão na disputa em torno do padrão de TV digital é um só: as emissoras estabelecidas no mercado brasileiro não querem saber de concorrência, avalia Braz Izaias da Silva Jr.,  diretor para a América Latina da empresa STMicroeletronics, que faz parte da coalizão DVB Brasil. Esse é mais um argumento na defesa de uma das tecnologias que disputam o mercado brasileiro.

No último dia 27, os norte-americanos do ATSC, mais uma vez, expuseram por que seriam melhores do que europeus e japoneses. Muito confortável na sua posição de fornecedora de soluções em semicondutores para os três padrões, mas integrante do grupo que defende o padrão europeu,  a franco-italiana STMicroelectronics (STMicro), além de rebater alguns pontos levantados pelo grupo pró-ATSC, procura colocar alguns pingos nos iis.

Na defensiva

De acordo com Braz Izaias da Silva Jr., a SET e a Abert são favoráveis ao japonês ISDB não por quaisquer razões técnicas, já que o sistema é hierarquizado e engessa em dois segmentos a transmissão móvel. A mobilidade, aliás, nem é característica do ISDB, que promete testá-la em abril, afirma ele.

Preferem o japonês, diz, porque se trata de um modelo que, hoje, limita o uso do espectro para preservar a condição atual das emissoras. “Caso o governo brasileiro escolha o ISDB, estará amarrando o Brasil a um modelo de negócios que só existe em um país”, destaca Silva Jr.

Quando, pelo contrário, surge um padrão aberto que permite a convergência fixo-móvel, a possibilidade de entrarem outras mídias em um segmento de mercado até hoje fechado, assusta, ao invés de levar as emissoras a procurar parcerias e alianças, acrescenta o executivo.

Flexibilidade

Pelo fato de o DVB ser flexível, a freqüência não é um obstáculo ao seu funcionamento, uma vez que o sistema também opera em 6 MHz, como na Austrália, aponta o diretor da STMicro. Vale ressaltar, no entanto, que o DVB ocupa, na Europa 7 MHz.

Para transmitir em 6, ao invés de 7 ou 8 MHz, acrescenta, é só uma questão de ajuste, sem maiores custos, porque o chip é o mesmo. No tocante ao modelo de negócios, “aí é que o DVB se sente completamente em casa”, diz Izaias da Silva Jr. Entre outros motivos, porque a tecnologia permite a divisão de faixas de uso, enquanto, por exemplo, o ATSC, hoje, não aceita a transmissão fixa e móvel na mesma faixa, afirma.

Em outras palavras, o DVB possibilita a organização da banda da melhor maneira para a emissora usuária. O diretor da STMicro enfatiza que a função da tecnologia é deixar opções abertas, e cabe ao governo legislar sobre o que for melhor para o país.

Fórum DVB

Silva Jr. lembra, ainda, que os desenvolvimentos feitos no Sistema Brasileiro de TV Digital (de cujos consórcios a empresa participou) podem ser levados ao DVB Fórum, do qual participam instituições de 51 países e, se aprovados, podem ser adotados não apenas pelo Brasil, mas por outras nações. “O Brasil não vai aderir ao Fórum, mas se juntar a ele”, insiste.

Outro ponto importante são os royalties envolvidos. Enquanto os do DVB não passam de US$ 0,70, os cobrados pelos demais padrões estão na casa dos US$ 8,00, afirma ele.

TV aberta

 A solução de transmissão adotada nos Estados Unidos, aponta Silva Jr., utiliza um sistema de modulação que não funciona no Brasil, devido à sua geografia e topologia. O ATSC, tal como é atualmente, demandaria mais uma faixa do escasso espectro para a transmissão móvel.
Outro elemento é a compactação de dados. Hoje, a mais avançada em uso comercial é a MPEG-4. Na Itália, exemplifica o diretor da STMicro, compra-se um receptor MPEG-2 ou 4 para a TV digital Standard (STVD) por algo como 39 euros.

 A empresa

Em atividade no Brasil desde 1983, a STMicroelectronics, uma das maiores fabricantes de semicondutores do mundo, quer ampliar sua participação no mercado local atendendo, especialmente, o segmento de TV Digital.

A empresa, que registrou em 2004 uma receita líquida de US$ 8,76 bilhões e lucro líquido de US$ 601 milhões, oferece soluções em semicondutores aos setores automotivo, de automação industrial e de eletrônica de consumo.

(Da Redação)

Anterior Medidata cresce 30% em 2005
Próximos Körber é 100% Venturus