TV conectada do futuro descarta o Ginga, diz consultor.


O futuro da televisão conectada será de completa integração com outras telas e com novas tecnologias que já estão chegando e vão aparecer cada vez mais às salas, como reconhecimento de voz e facial, permitindo que o aparelho personalize a programação para o usuário. Esta é a avaliação do engenheiro da SET e consultor de TV digital, Aguinaldo Boquimpani, avisando que não se trata de ficção científica, mas de padrões já estabelecidos pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) e que estão sendo aplicados. E nessas novas configurações, o middleware brasileiro de interatividade Ginga está descartado.

No caso do Ginga, as especificações atuais não comportam os novos padrões já aprovados pela UIT e, se não houver uma adaptação às novas configurações, será abandonado. “Na verdade, o Ginga não foi um sucesso,  a gente vê  que as novas tendências requerem a total integração da internet e da TV e, para que o middleware não seja descartado, é preciso evoluir”, disse Boquimpani. Ele ressalta que o padrão da UIT é agnóstico, suportado por todos os sistemas.

Novas tendências

Para Boquimpani, os desafios da nova TV conectada passam pela definição dos passos para integrar a televisão com a internet. “Em 2020 o mundo terá mais de um bilhão de lares com acesso a TV digital e as redes IPs vai se tornar o meio de comunicação dominante, tornar as smarts TVs mais eficientes e resolver a convergência com os demais dispositivos, como tablets e smartphones”, receita. O engenheiro ensina também que é preciso acompanhar e entender as novas tendências de compartilhamentos que surgem nas redes sociais.

Outro desafio apontado por Boquimpani é a necessidade de integrar a mobilidade em qualquer tempo e em qualquer lugar. “Em 2020, as telas só vão ser telas. Seja a televisão sejam as outras telas, todas vão se comportar de forma parecida e integrar o broadcasting e o broadband.  Será possível integrar o linear com o não linear, permitindo que o usuário veja da programação linear e o VOD ao mesmo tempo”, disse. Segundo ele, para o usuário não interessa de onde vem a programação, só interessa que ele possa fazer isso no mesmo lugar. “Mas como fazer isso, essa é a questão”, avalia.

O engenheiro da SET disse que esse debate já vem sendo tratado na UIT há muito tempo, com a participação dos fabricantes de equipamentos, emissoras e teles do mundo inteiro, para criação de um padrão agnóstico, que permita colocar essa integração como nunca foi colocada até agora. “E esse padrão nós chamamos de IDB. Os estudos incluem debates sobre como promover a integração dos serviços, saber como esses serviços podem aumentar o potencial de oferta de novos modelos de negócios para que o broadcasting esteja incluído nesses negócios como estão excluídos das atuais smarts TVs, integração das diversas telas, proteção da propriedade do conteúdo e otimizar o uso da radiodifusão na TV digital”, afirmou.

Ou seja, os objetivos do IDB são a integração de serviços de multiformatos e múltiplas origens, providos de maneira harmônica em uma única plataforma gerenciável no broadcasting. E o desafio é contornar o constante embate entre radiodifusores e as teles. “O interessante seria que eles fossem parceiros”, afirma Boquimpani.

Para Boquimpani, a briga de radiodifusores e das teles acontece, mas já está sendo resolvida porque os operadores estão entrando nesse mercado. O que os radiodifusores precisam fazer é seguir o caminho de se integrarem à internet, de fazer uma oferta que seja muito melhor do que todas as tentativas que foram feitas até hoje.

– A questão principal de colocar a plataforma de interatividade na televisão é  que os produtores dos programas veem essa possibilidade de acessar outras informações como uma distração do que está sendo transmitido. Como fazer a interatividade em uma tela que está a mais de três metros de distância do usuário, que não está acostumado a interagir. A resposta é: não se faz isso na televisão, mas em outro device e essa resposta está acontecendo no mundo inteiro. Isso é uma tendência sem volta”, disse Boquimpani.

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3 Comments

  1. Aguinaldo Boquimpani
    28 de outubro de 2014

    Cara Lúcia,

    Infelizmente não só seu artigo como diversos pontos transcritos nessa matéria não retratam com fidedignidade nem minha apresentação, nem minhas palavras.

    Eu nunca disse que o Ginga está descartado dos padrões IBB da UIT. Na verdade inclusive citei na apresentação e nas próprias conclusões que o Ginga já tem uma versão no Brasil que é aderente ao padrão IBB da UIT. Também nunca disse que as especificações atuais do Ginga não suportam o novo padrão.

    Na verdade o Ginga é citado como um dos possíveis sistemas IBB existentes no relatório BT.2267 da UIT-R, que descreve os sistemas interativos no mundo que seguem o padrão IBB. Eu mesmo trabalhei como editor em algumas das principais Recomendações da UIT deste novo padrão.

    Nem mesmo o nome do padrão da UIT citado na matéria
    está correto, pois se trata do padrão IBB (Integrated
    Broadcast & Broadband) e não IDB.

    Para consultar na íntegra minha apresentação, em especial o slide final de conclusões veja http://www.slideshare.net/AgRangel/set-centro-oeste-2014-o-futuro-da-tv-conectada-40841681

    O mais impactante é que exatamente o título de sua matéria
    retrata uma opinião completamente equivocada e que não foi
    expressada por mim de forma alguma.

    Atenciosamente,
    Aguinaldo Boquimpani

    • 29 de outubro de 2014

      A redação tem a gravação das declarações feitas à repórter, mas entendemos ser o direito da fonte pontuar seu posicionamento.

  2. 28 de outubro de 2014

    Prezada Lúcia,

    Em nome da Diretoria de Interatividade da SET no qual faço parte, gostaria de deixar claro a posição contrária ao teor de sua matéria. A SET manifesta apoio ao Ginga e também apoia o seu desenvolvimento como plataforma de Convergencia dos ambientes Broadcast & Broadband.
    Em prol da correta divulgação dos fatos solicitamos que seja publicada esta resposta.

    David Britto
    diretoria de interatividade
    SET