O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu interferir nas negociações que vinham sendo travadas entre a Qualcomm e a companhia Broadcom. O político emitiu ordem permanente vetando a aquisição da primeira pela segunda. Pela resolução, as empresas estão proibidas de qualquer movimento de fusão ou tomada de controle. O negócio poderia movimentar US$ 117 bilhões.

O argumento usado remete à segurança. “Há evidências plausíveis que me levam a crer que a Broadcom, exercendo o controle da Qualcomm, pode agir de forma a ameaçar ou impactar a segurança nacional nos Estados Unidos”, diz o documento.

A interferência nas negociações vai além da compra. Trump também ordenou que os nomes indicados pela Broadcom para assumir postos no conselho na Qualcomm sejam desconsiderados na próxima eleição do conselho da fabricante de chips. “A Qualcomm fica proibida de aceitar a indicação desses candidatos”, escreve na ordem.

Em nota, a Broadcom afirmou que não vê como a aquisição seria uma ameaça à segurança norte-americana. A empresa, com sede em Taiwan, tem a maior fatia de seus negócios nos Estados Unidos.

Para o governo dos Estados Unidos, no entanto, a aquisição teria intenção de beneficiar concorrentes asiáticos. O temor é de que a Broadcom reduza investimentos em P&D da 5G, permitindo que a gigante chinesa Huawei, por exemplo, toma a dianteira na criação desse padrão de telecomunicações..

Opinião

Para Stuart Carlaw, chefe de pesquisas da ABI Research, empresa de pesquisa de mercado, a ordem presidencial é positiva para a Qualcomm e para o mercado em geral. “A entidade combinada seria perigosamente dominante em mercados-chave, como os de tecnologias de localização, WiFi, Bluetooth, hardware de radiofrequência e semicondutores automotivos”, argumenta.

O analista também acredita que a medida deve contribuir para que tendências de mercado se firmem, como a internet das coisas. “Um ecossistema plural será fundamental para apoiar a internet das coisas e verticais como mobilidade inteligente e manufatura inteligente”, conclui. (Com agências internacionais)