Trópico: Solução desenhada para o agronegócio


O Tele.Síntese está aos poucos publicando os textos produzidos para o Anuário Tele.Síntese de Inovação 2018, publicado no último trimestre. Abaixo, veja o caso da Trópico, fabricante que ficou em segundo lugar no Prêmio Anuário Tele.Síntese de Inovação na categoria Fornecedores de Produtos.

Desenhada para o agronegócio

Por Anamárcia Vainsencher

A partir de 2019, a Vectura LTE 250 da Trópico, rede de banda larga privativa de grande cobertura, ideal para a conexão no campo, vai ser distribuída também nas 250 lojas da rede John Deere, indústria de máquinas e implementos agrícolas, equipamentos de construção e máquinas florestais. Os equipamentos equipados com sensores e outros dispositivos inteligentes da parceira comercial vão incorporar a solução de conectividade Trópico e devem atender, inicialmente, produtores de cana, milho, soja e algodão, entre outras culturas. E, assim, vão poder transmitir para o data center da fazenda todas as informações coletadas relativas ao plantio, à colheita, ao embarque do produto ou a qualquer atividade que esteja sendo monitorada.

A parceria com a John Deere, anunciada no início de maio deste ano, durante o Agrishow, o maior evento nacional do agronegócio, é a consolidação de um projeto da Trópico que começou quatro anos atrás quando, em 2014, viu-se obrigada a se reestruturar corporativamente e dar novo rumo ao negócio.

Com a saída da Promon S.A. do capital da empresa, a Trópico passou a ser integralmente uma empresa do CPqD. E decidiu que tinha que diversificar seu portfólio, concentrado no mercado de telecomunicações. Escolheu para investir os segmentos de agronegócio, defesa e satélite. Tudo indica que, no que diz respeito ao agronegócio, a escolha foi correta.

Além do peso na agricultura no PIB brasileiro, o campo é carente de conectividade. “Decidimos aproveitar a falta de cobertura 4G nas regiões mais remotas para ofertar produtos adequados LTE para cobrir grandes fazendas nas faixas de 700 MHz e 450 MHz”, explica Paulo Cabestré, presidente da empresa. O primeiro desenvolvimento, em conjunto com o CPqD, foi um modem para a faixa de LTE 450 MHz, em um padrão industrial e ultracompacto e capaz de se integrar com produtos de terceiros e equipamentos de missão crítica. Como as operadoras de telecom atrasaram a exploração da faixa de 450 MHz, o CPqD, que havia desenvolvido a rede LTE para esta faixa, acabou colocando toda a solução na faixa de 250 MHz em um projeto que contou com a participação do BNDES e a parceria da Usina São Martinho, maior processadora de cana do mundo (moagem de dez milhões de toneladas/safra), localizada em Pradópolis (SP).

A Trópico foi chamada para produzir os equipamentos desenvolvidos pelo CPqD (estação radiobase e terminais). E hoje é a fornecedora da Usina São Martinho, que, até o final de 2019, terá um parque de duas mil máquinas conectadas à rede Vectura LTE 250. Nessa frequência, segundo Armando Barbieri, gerente de marketing de produto da Trópico, cada central tem capacidade de cobertura para uma área com raio de até 50 km, utilizando frequência licenciada pela Anatel. Os primeiros usuários das redes móveis em frequências mais baixas e ampla cobertura, caso de 450 MHz e de 250 MHz, serão grandes fazendas. Mas, no futuro, a Trópico deve criar outro modelo da rede que possa ser compartilhada por pequenos produtores e cooperativas, diz Barbieri.

A empresa também tem provas de conceito da sua rede LTE em outras culturas. A faixa de 450 MHz é uma frequência que foi comprada pelas operadoras de telecomunicações para prestar atendimento rural – serviço de voz – a distritos e pequenas comunidades. Mas, em função do elevado preço do terminal do cliente, a solução acabou
não se viabilizando. Agora, com a possibilidade de se conectar equipamentos e máquinas no campo, criando escala para os dispositivos (chipsets), é possível que essa faixa venha a ser usada no país. A Vivo, em
parceria com a Ericsson e o grupo Raízen, anunciou a implantação de um piloto na Usina Costa Pinto, em
Piracicaba (SP).

A rede Trópico inclui inúmeras inovações que oferecem conectividade no campo. Entre elas, o uso de baixa frequência (250 MHz) e técnicas de modulação digitais avançadas. Esses elementos, por sua vez, proporcionam, simultaneamente, grande raio de cobertura e alta capacidade de dados, o que permite atender grandes áreas com menor número de torres. Isso diminui o investimento necessário e torna sua adoção viável para o produtor rural ou cooperativa agrícola.

Uma das novidades da Vectura LTE 250 é associar a operação em baixas frequências a técnicas de transmissão utilizadas em redes wireless de banda larga. Outra é usar banda licenciada para redes privadas, que assegura que não haverá interferência de outros sistemas porventura existentes na mesma região.

No terminal, a inovação é integrar sensores e receptor GPS com a parte rádio, georreferenciando cada medida obtida dos sensores. Antes, os produtos disponíveis para atender ao mercado de redes privadas não conciliavam grande cobertura com grande capacidade. Ou eram sistemas de banda estreita em frequências baixas, de longo alcance, mas com taxas de dados baixas (dezenas de kbps), ou sistemas de banda larga em frequências não licenciadas acima
de 2 GHz, com coberturas inferiores a 1 km.

Até agora, a Trópico é a única empresa com produtos homologados pela Anatel para operar em 250 MHz. Além de ser o primeiro sistema para rede de banda larga privada de longo alcance e alta capacidade, a Vectura LTE 250 tem outros diferenciais: ERB compacta, que pode ser instalada diretamente na torre, sem necessidade de abrigo climatizado; terminal resistente a vibrações, poeira e água, que suporta altas temperaturas de operação e tem proteção para a alimentação.

Anterior Furukawa: Para fazer mais com menos
Próximos Optimate: Computador de bordo direciona a VSAT