Guilherme Lopasso – A tecnologia melhorando a mobilidade urbana


Os congestionamentos de trânsito nas grandes cidades são uma das principais causas da perda de tempo e do desperdício de combustível, além de piorar a poluição do ar e aumentar o estresse dos condutores. A União Europeia estima que 1% do PIB seja perdido em congestionamentos. Um estudo do ConsumerLab, área da Ericsson que estuda o comportamento do usuário, em 13 metrópoles mundiais, concluiu que o trânsito é a principal causa de insatisfação dos cidadãos moradores dos grandes conglomerados urbanos.

Em São Paulo, por exemplo, uma pessoa passa, em média, duas horas e quarenta minutos no trânsito, diariamente. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) estima que os paulistanos desperdiçaram cerca de R$ 40 bilhões com tempo improdutivo e queima de combustível nos congestionamentos durante 2012.

E o problema da mobilidade urbana só tende a se agravar, pois as cidades não param de crescer. Diariamente cerca de 7,5 mil novos habitantes se somam à população das grandes cidades do mundo. Em 2050, estima-se que 70% da população mundial se concentrarão em grandes centros urbanos. Para lidar com o deslocamento de grandes massas de população, a solução será priorizar o transporte público com a aplicação das tecnologias de informação e comunicação (TICs).

Tecnologia como suporte para a solução
Aqui no Brasil, o sistema de ônibus de Curitiba é um bom exemplo de como a tecnologia pode ser aliada na gestão da mobilidade urbana. A cidade foi a primeira do mundo a conectar o transporte público à banda larga móvel. Os 2,5 mil ônibus que circulam na capital paranaense são continuamente monitorados no que diz respeito a sua velocidade e seu tempo nas estações. Atualmente, estão sendo implementados painéis eletrônicos nos pontos de ônibus que informam o tempo previsto de chegada do veículo e os dados também estarão disponíveis para aplicativos como o Moovit e o Transit, do Google Maps, permitindo que o cidadão veja em seu smartphone a localização de seus ônibus.

Em Paris, a operadora local dos trens metropolitanos recentemente lançou um aplicativo chamado Tranquilen e vem incentivando os usuários dos trens a baixá-lo gratuitamente em seus smartphones. Dessa maneira, cada usuário ajuda voluntariamente no monitoramento do fluxo de passageiros permitindo que o aplicativo obtenha a informação de sua localização. O aplicativo mostra diversas informações como quão cheios estão os trens em determinado horário e é possível, ainda, identificar em quais vagões há mais assentos livres. Os usuários podem, então, planejar o melhor momento de sair do trabalho, evitando, assim, os horários mais disputados.

Istambul é outra cidade onde o poder público está utilizando as tecnologias móveis para melhorar o transporte coletivo. Com uma projeção de crescimento de 37% no número de passageiros para os próximos anos, o local está replanejando seu sistema de transporte. Para definir onde devem passar as novas linhas de ônibus e trens, a cidade firmou uma parceria com a Vodafone, que fornece a informação de deslocamento de seus usuários móveis. Os dados captados dos telefones são anônimos e a privacidade dos usuários é preservada.

Combinando a informação de posicionamento e a velocidade, é possível identificar qual meio de transporte cada indivíduo utiliza atualmente. A massa de dados de milhões de indivíduos é, então, testada em diferentes modelos de rotas, verificando qual traçado resulta em menor deslocamento da população. Esse planejamento tem objetivos ambiciosos: espera-se reduzir o tempo de viagem em 60% e a emissão de carbono em 40%.

Em suma, a aplicação da tecnologia móvel no transporte público tem se mostrado uma grande aliada na melhoria da qualidade vida das pessoas nas grandes cidades, como demonstrado nos exemplos citados.

Sensível a essa tendência, a Ericsson lançou a Intelligent Transport Initiative, em novembro do último ano, e está trabalhando na criação de sistemas de transporte mais eficientes, seguros e confortáveis. Como parte dessa iniciativa, durante todo o ano de 2014, serão realizadas várias mesas redondas com especialistas em transporte para discutir aspectos de inovação, segurança, qualidade de serviço, modelo de negócio, cadeia de valor e padronização tecnológica.

O objetivo será determinar como sistemas de transporte inteligentes podem ser implementados, trazendo essas soluções para o nosso país, que apesar de já estar em ano de Copa do Mundo, tem pela frente um outro grande evento esportivo: Jogos Olímpicos. Evento este que também vai requerer investimentos no transporte público e deixará para a população um importante legado.

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