A TIM iniciou uma nova fase de suas operações, com foco maior no pós-pago e nos consumidores pré-pagos que mais geram receita com dados. A estratégia começou a ser implementada junto com os programas de investimentos anunciado em fevereiro e que prevê gastos acima de R$ 14 bilhões em infraestrutura até 2017 e de aumento de eficiência que vai economizar R$ 1 bilhão no mesmo período.

A companhia tem a maior participação de mercado entre os consumidores pré-pagos, com 28,73% deste mercado, segundo dados de julho da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Fica à frente de Claro, segunda colocada, com 26,3% de share. A estratégia é não perder este patamar, mas qualificar seu consumidor e incentivar a migração para o pós-pago, abocanhando parcela do consumidor que busca internet móvel.

A TIM acredita que ainda há espaço para as operadoras se diferenciarem a partir da oferta de planos de acesso e prepara incrementos a suas ofertas, tornado-as ao mesmo tempo mais simples e mais personalizadas. “No pré-pago queremos proteger o valor desses usuários, sem necessariamente aumentar essa base. Nosso foco será no revenue share, e não no market share”, avisou Rodrigo Abreu, CEO da TIM, durante evento para jornalistas em Nova York.

Dos novos usuários de telefonia móvel no Brasil no segmento pós-pago, 34% foram para a TIM no semestre. Um ano antes, este número era quase zero. A companhia também está realizando ofertas pra incentivar a migração de sua base pré-paga para o pós. “Com voz, as pessoas gastavam mais de forma distribuída entre os vários chips, e agora concentram os gastos com dados em um só SIMcard. O fenômeno do SIMcard múltiplo está perdendo força, embora a entrada de novos usuários continue a acontecer”, disse. Pela primeira vez, no segundo trimestre, o número de acessos móveis caiu 0,3% em relação ao ano anterior, graças a políticas de ativação mais restritivas por parte das teles.

O movimento só é possível graças ao aumento no Capex, que no primeiro semestre deste ano foi de 23% em relação ao faturamento, ante 17,5% um ano antes. A maior parte do dinheiro, 65%, destinou-se a ampliação das redes 3G  e 4G. Abreu diz, aind, que a empresa não se preocupa com capacidade, e que sua rede “está longe” de operar no limite de tráfego. Ele também reforçou a vantagem competitiva em firma o acordo de RAN Sharing com a Oi, que permitiu uma economia de 50% em investimentos para atender as regiões alvo da parceria. Também ressaltou que vai manter o refarming da faixa de 1,8 GHz, usada pelo 2G, e que passará a funcionar em 4G em todo o país.