A TIM tem várias apostas para a expansão de sua cobertura no país, mas a 4G parece estar bem posicionada em sua estratégia. A operadora pretende manter a liderança em cobertura 4G atingida no mês passado, com 265 municípios, e até o final do ano quer chegar à marca de 400 cidades. Mas ao mesmo tempo programa muito trabalho pela frente com a operação de refarming — reutilização do espectro — da sua faixa de 1,8 GHz, atualmente atendendo aos clientes 2G e parte do M2M (máquina a máquina) e que passaria para acessos 4G. Inicialmente, a migração começa a ser feita em 5 MHz dos 15 MHz disponíveis, e avançaria gradualmente. Ou ainda será reprogramada automaticamente e em tempo real de acordo com a demanda para os dois tipos de serviços. No Rio de Janeiro, até o final do ano, a migração deverá atingir 10 MHz o que, acredita a companhia, a deixará mais competitiva para o roaming internacional nas Olímpiadas 2016.

O avanço da cobertura 4G aconteceu, basicamente, este ano. Segundo Leonardo Capdeville, CTO da TIM Brasil, nos primeiros nove meses do ano o sinal chegou a 220 cidades, praticamente 10 vezes mais do que o ano passado, quando contava com 4G em 24 municípios apenas. “Passamos a atender 58% da população urbana em 18 estados”, observou o executivo. São Paulo é o estado com a maior cobertura, 110 cidades.

Mesmo diante do questionamento feito pelo CEO da Telecom Italia, Marco Patuano, durante sua apresentação no Futurecom, a necessidade de reavaliar a convivência de três tecnologias — 2G, 3G e 4G – e considerando como hipótese desligar a rede 3G em quatro anos, a TIM permanece investindo na expansão da rede de terceira geração. “Esse é um questionamento interessante, qual rede deverá continuar, 2G ou 3G”, observou Capdeville.

O refarming da 1,8 GHz não chega a ser uma resposta para essa questão, mas indica alguns caminhos. “Não vamos desativar totalmente a rede 2G, temos muitos clientes nessa tecnologia, praticamente 50% da base”, afirmou o executivo. Ele considera que esse público vai migrar para 3G ou 4 G à medida que troca seus terminais por smartphones mais potentes, com significativas mudanças comportamentais. “Quando ele vai para 4G nós vemos que ele triplica o acesso de dados, com Youtube e Netflix, por exemplo, ganhando mais importância”.

Apesar de reconhecer que a compra de novos smartphones é um passo muito importante para que as pessoas migrem para a terceira ou quarta geração, a TIM mantém sua política de não subsidiar a venda de aparelhos para incentivar esse movimento. “Nos interessa muito mais investir em rede do que terminais”, afirmou.

Nos projetos de refarming em andamento, Capdeville garante que não houve qualquer prejuízo no acesso feito pelo 2G. O Rio de Janeiro é uma das áreas mais avançadas nesse aspecto e até o final do ano deverá atingir a faixa de 10 MHz a ser migrado. Para o CTO, isso dará à TIM mais competitividade no roaming internacional uma vez que há, no mundo, 150 redes LTE utilizando o espectro de 1,8 GHz, contra 86 em 2,5 GHz.

São Paulo também deverá alcançar mais rapidamente o aumento do espectro para 10 Mhz, apesar de ainda não haver previsão para isso. Mas isso não envolverá o acordo de compartilhamento com a OI para 4G. “Trata-se de um acordo exclusivo para a cobertura em 2,5 GHz”, afirmou Capdeville.

Na estratégia de refarming também está a utilização de equipamentos que possa realocar automaticamente e em tempo real a rede para 2G ou 4G. No momento, está sendo utilizada a plataforma da Huawei. Ao fazer o refarming, a TIM não poderá apresentar essa cumprimento das obrigações estabelecidas pela Anatel.