TIM procura sócio brasileiro para continuar no país



Depois da consolidação da ampliação da participação da Telefônica na Vivo e a parceria entre a Oi e a Portugal Telecom, negócios que mexeram o mercado de telecomunicações do país nessa quarta-feira, as atenções se voltarão para a TIM. Esta é a avaliação de uma alta fonte do setor, que vem acompanhando a movimentação da empresa italiana há seis meses, quando executivos procuraram o governo buscando assegurar o futuro da companhia no Brasil.

Segundo a fonte, desde esta época os sócios italianos da TIM estão procurando um sócio nacional, para continuarem atuando no Brasil em condições competitivas, uma vez que é um mercado de grande interesse para a matriz. “Eles chegaram a manter contatos no governo para tentar uma composição, no entanto, ela ainda não foi possível”, disse.  Também foi cogitada a entrada na área de telecomunicações de empresas da área da construção civil. Estes grupos, porém, recuaram preocupados em complicar seus negócios  investindo em um setor de capital intensivo.

O governo negou qualquer participação direta nessa possível operação, ainda mais depois das negociações que envolveram a Portugal Telecom e a Oi. “O governo descartou qualquer possibilidade de aporte de recurso de bancos oficiais: BNDES, Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal”, frisou.

O principal motivo da preocupação da TIM é a possível complicação regulatória que a compra da Vivo pela Telefônica pode causar. A operadora espanhola é sócia minoritária da Telecom Italia por meio da holding Telco. A Telecom Italia, por sua vez, controla integralmente a TIM no Brasil e a operadora móvel Personal na Argentina, além de deter participações importantes na Nucleo do Paraguai (celular), Telecom Argentina (fixa) e na ETECSA de Cuba (fixa e móvel).

Restrições

O contrato de compra e venda entre Telefônica e TIM foi firmado em 28 de abril de 2007. A operação consistiu na compra da totalidade das ações daOlimpia por uma nova empresa, a Telco, constituída especialmente para implementar a operação. A Olimpia detinha 17,99% das ações da Telecom Itália e passará a deter 23,6% após a operação. A AG (Assicurazioni Generali), que detinha 5,6% das ações, passou a ter 28,1% com o negócio. Ao fim do processo, a Telco detém 23,6% das ações ordinárias (com direito a voto) emitidas pela TI.

A Anatel aprovou a operação, mas impôs uma lista de 28 itens que visam garantir que a TIM Brasil e a Vivo, operadora móvel controlada por Telefónica e Portugal Telecom, atuem como concorrentes. Restrições que foram confirmadas pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), quando do julgamento do ato de concentração resultante da operação, em abril deste ano.

Uma das opções para a TIM seriaa compra da parte da Telefónica na Telecom Itália pelo grupo francês Vivendi, o mesmo que adquiriu a GVT no ano passado. Mas as complicações da Vivendi na CVM (Comissões de Valores Mobiliários), que investiga possíveis irregularidades na aquisição, denunciadas pela própria Telefônica, podem atrapalhar o negócio.  A associação seria interessante para a empresa italiana, que também passaria a atuar na telefonia fixa.

A Vivo e a TIM detêm juntas 54,05% do mercado nacional, ou 99,2 milhões de clientes. A Vivo, maior operadora do país, possui 30,25% do total, enquanto a TIM tem 23,8%. Segundo a fonte, os esforços têm se concentrado na busca de um sócio brasileiro, que compre a parte da Telefónica na Telecom Itália, o que reconhece, tem sido difícil.

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