TIM lança pós-pago família com Netflix


A TIM lançou hoje, 4, seu primeiro plano Família. A oferta virá integrada com OTTs. Netflix, Deezer e TIM Banca são serviços incluídos no valor do produto. No caso do Netflix, o serviço contratado será o HD com duas telas simultâneas. Os preços dos pacotes variam de R$ 270 para o plano com 60 GB de franquia, titular e dois dependentes, até R$ 500 para a oferta de 180 GB com até cinco dependentes.

O consumo de dados dos OTTs incluídos consomem o pacote de dados contratado. O serviço tem ainda um aplicativo próprio Meu TIM, através do qual o cliente pode gerenciar o consumo dos integrantes da família, passando ou retirando franquia de dados aos diferentes beneficiados. A TIM promete, também, a existência de atendentes humanos dedicados a resolver questões que envolvam o serviço familiar.

“Não há nada que não seja resolvido pelo aplicativo. Mas se houver, consideramos que o cliente estará nervoso, e por isso precisa de um atendimento humano que resolva a questão”, disse Pietro Labriola, CEO da operadora (em pé na foto). Segundo ele, a oferta é destinada a clientes das classes sócio-econômicas A e B.

A oferta prevê ainda SMS e chamadas ilimitadas, roaming internacional de dados e voz, e uso também ilimitados de redes sociais e WhatsApp.

Em busca de mais receita

Com o lançamento, a TIM entra em um segmento de mercado que ainda não atendia. A empresa era a única operadora móvel a não possuir planos família. Labriola admite que a empresa tinha este “gap”, mas justifica: “Passamos o último ano desenvolvendo uma oferta. Chegamos com atraso porque queríamos algo inovador”, afirmou. O executivo conversou com a imprensa nesta terça-feira, no Rio de Janeiro*.

Para ele, esta oferta não deve ser encarada como um pacote de conectividade, mas sim de entretenimento. Além do acesso aos OTTs, a franquia não consumida em um mês é acumulada e gasta no próximo, modelo chamado de roll over.

Por trás da iniciativa há também o interesse em brigar pelo segmento mais rentável da telefonia móvel, o pós-pago. Nos últimos dois anos as operadoras vêm gastando dinheiro para atrair usuários pré-pago para planos do tipo controle, modalidade do pós-pago de baixo custo. A ideia com o família, explicou o executivo, é qualificar o cliente para o pós-puro, aumentando a receita média por usuário (ARPU).

“Estamos imaginando que este tipo de plano pode melhor definir no mercado o que é controle e o que é pós-pago. Hoje estas ofertas não parecem ter muita diferença”, acrescentou.

Além disso, ele espera que neste segmento a competição se dê não pelo preço, mas pela qualidade. Por isso o investimento em atendimento humano. “Automação faz sentido onde o ARPU é mais baixo. Temos que ter um nível de atendimento coerente com o gasto do cliente. Vamos continuar todos os investimentos em IA, mas no caso vamos fazer todo o self-caring e dar a oportunidade de falar com o humano. Será uma modalidade para diferenciar controle do pós-pago”, avisou.

Disputa pelo segundo lugar

Labriola aproveitou o lançamento para elogiar e criticar rivais. Ele teceu loas à Vivo, líder isolada no segmento pós-pago. “Temos que cumprimentar a Vivo pela posição de liderança. Não temos presunção de falar que vamos chegar no patamar da Vivo. Mas queremos o segundo lugar”, afirmou.

O objetivo, portanto, é roubar clientes da Claro, que hoje está na segunda colocação do mercado pós-pago brasileiro em quantidade de assinantes. Labriola espetou a rival. Afirmou que enquanto a Vivo se posiciona como líder e a TIM como empresa inovadora, a Claro não tem imagem definida. “Qual o posicionamento da Claro? A Claro copia. Já que ela copia, nós temos sempre que estar à frente da inovação e lançar um novo plano a cada semestre e manter o posicionamento de empresa jovem e dinâmica”, falou.

Sem briga com OTTs

Labriola também afirmou que a oferta mostra que as operadoras entendem seu papel no mercado atual de ser hubs de conteúdo. Ele disse que nunca houve disputa com as OTTs de vídeo. No passado, havia a incompreensão das operadoras quanto aos serviços digitais que concorriam com os tradicionais, como Skype, WhatsApp.

“Mas o comportamento hoje em relação ao WhatsApp é de coopetição (mescal de competição com cooperação). Eles ajudam a operadora a ter tráfego, o cliente a consumir a franquia”, explicou. Já os OTTs de vídeo e música, como Netflix e Deezer, esses nunca foram vistos como ameaça. “Estrategicamente não temos interesse em desenvolver conteúdo. Essa é uma briga global, em que a economia de escala faz diferença. O que é importante é entrar na lógica em que os assets, as fortalezas das operadoras, são a capacidade de vender”, defendeu.

Essa capacidade que a TIM usou para convencer a Netflix a entrar para seu pacote família. Com a TIM realizando a cobrança, a OTT, que depende do cartão de crédito ou gift cards para ter assinantes, passa a ter à disposição uma base de 60 milhões de clientes.

*O jornalista viajou a convite da TIM

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