TIM encara com cautela disputa com OTTs


O presidente da TIM Participações, Rodrigo Abreu, vê com cautela as formas de lidar com o avanço das OTTs sobre as áreas de atuação das operadoras. Ele confirmou que o SindiTelebrasil estuda levar à Anatel uma reclamação contra o serviço de voz do WhatsApp.

“Uma questão que tem sido levantada, que é a posição da GSMA, de mesmos serviços, mesmas regras”, resume o presidente da TIM. Nesta disputa entre operadoras de OTTs, Abreu pede cautela. “Tem que existir um equilíbrio na oportunidade de crescimento para todo o setor. Não adianta privilegiar só infraestrutura, ou privilegiar só conteúdo, os dois têm que crescer de maneira igualitária. Um crescimento desbalanceado é um problema para todo mundo”, pondera.

Ele afirma que o maior impacto sobre a receita das empresas se deve ao avanço da troca de mensagens. “O grande responsável por mudança no hábito de consumo são as mensagens. O Brasil é o país onde talvez o consumo de mensagens tenha crescido com maior velocidade dentre os grandes países globais. A gente tem uma queda acentuada do uso de voz e um crescimento do uso de dados, que crescem num ritmo de 40% a 50% ao ano há vários semestres”, observa.

Segundo ele, o ritmo acelerado nas mudanças dos hábitos de consumo da telefonia móvel, somado à situação da economia, impõe desafios para as operadoras. “A gente passou a uma situação em que a economia vai crescer pouco para outra em que vai decrescer. Somado a esse cenário, existe uma tendência de transição do uso de voz para o uso de dados. A indústria toda esperava que essa transição pudesse ocorrer nos próximos dois ou três anos, e na prática, o que estamos vendo é uma aceleração dessa redução da voz e aumento do uso de dados”, diz.

Isso pressiona a receita no curto prazo. “A eficiência tem que ser considerada. Nossa tônica é a eficiência de processos, eficiência estrutural, eficiência de processos de aquisição, de transformação de modelos de negócio, e menos em reestruturação [com demissões]. Nós não temos por estratégia fazer grandes reestruturações”, afirma Abreu.

Abreu recebeu ontem, 24, o prêmio de Homem do Ano das Telecomunicações, entregue pela Associação Brasileira das Empresas e Profissionais das Telecomunicações – Aberimest. A cerimônia lembou a trajetório do executivo, que é engenheiro elétrico, foi também presidente da Cisco no Brasil, além de ocupar cargos estratégicos em outras empresas do setor. Sérgio Quiroga, presidente da Ericsson para a América Latina, presente, classificou a trajetória de Abreu como “brilhante”. Ano passado, ganhou o prêmio o presidente da Anatel, João Rezende.

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