TIM Brasil impulsiona o lucro da Telecom Italia


Na Itália, o grupo dominante de telecomunicações anunciou aumento de 77% no lucro líquido, resultado que, segundo analistas, foi impulsionado pelas desmobilizações das operações na Grécia (TIM Hellas) e Peru e pelo desempenho da operação brasileira. Em comunicado divulgado dia 7, a Telecom Italia informou que o lucro líquido anual foi de 3,22 bilhões de euros (US$ 3,83 bilhões), em comparação com 1,82 bilhão em 2004. Este resultado resultou em boa parte dos ganhos de 530 milhões de euros com a desativação daquelas duas operações e com o desempenho da TIM Brasil.

Refletindo o ambiente extremamente competitivo dos mercados onde atua, o faturamento consolidado aumentou 5,8%, para 29,92 bilhões, enquanto o Ebitda caiu 2,7%, para 12,52 bilhões de euros.

O crescimento da operação móvel internacional mais rentável do grupo italiano – a da TIM Brasil – deu, novamente, uma forte contribuição para os resultados do grupo italiano: enquanto as vendas domésticas cresceram cerca de 1,5%, a unidade brasileira conquistou 6,6 milhões de novos clientes, um aumento de 34%. Da base móvel total TIM de 48,7 milhões de acessos móveis, 41,5% estão no Brasil (20,2 milhões de usuários), o equivalente a uma participação de mercado de 23,4%. O lucro operacional da TIM Brasil aumentou 53,5%, em 2005, para US$ 654 milhões.

Na análise da PriceWaterhouseCoopers, embora a Telecom Italia tenha redirecionado a estratégia doméstica de negócios, focando sobretudo em serviços convergentes, isso ainda não se refletiu nos resultados do último trimestre do ano passado.

Competição acirrada

A crescente migração do tráfego fixo para o móvel foi o motor da mudança. Com ela, a empresa espera que iniciativas que incluem o pacote fixo-móvel, o serviço IPTV e o Supertelefono (que combina o padrão UMA – acesso móvel não-licenciado, em inglês – com Wi-Fi e GSM/GPRS/EDGE) possam estimular o faturamento.

Por outro lado, o ataque constante ao seu poder de mercado na telefonia fixa levou ao encolhimento de margens de 44,8%, em 2004, para 42,7% em 2005, e ao recuo do Ebitda de 2,7%, para 7,6 bilhões de euros.

Na área móvel, a agressiva estratégia de marketing dos serviços 3G da Hutchison Whampoa (H3G) tampouco dá sossego à TIM. Em julho do ano passado, por exemplo, a H3G anunciou uma oferta de 9 mil euros por 15 anos de serviços aos assinantes pré-pagos que saíssem da concorrência, migrando para seus serviços.

Continuou elevado o endividamento da empresa: 39,86 bilhões de euros no quarto trimestre, 2 bilhões a menos do que no terceiro, não atingiu o patamar esperado de 34 bilhões, nível vigente antes da fusão da Telecom Italia com a Telecom Italia Mobile (TIM).

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