Tendência no mercado de dados é de cobrança por uso. No móvel e no fixo.


Devido ao acelerado crescimento do tráfego de dados mundial, cada vez mais provedores de banda larga devem diminuir a oferta de planos ilimitados para priorizar a cobrança por volume de uso, e a América Latina deve liderar a adoção do modelo de negócios da banda larga móvel pelas operadoras fixas. “O mundo está caminhando para o uso de dados limitados. Já estamos vendo esse movimento na América do Norte por causa do congestionamento das redes e porque as operadoras querem maximizar seus lucros, especialmente com o aumento no tráfego que vai ser gerado pelo uso corporativo de dados”, disse Arturo Pereyra, diretor de Marketing e Desenvolvimento de Negócios da Unidade de Comunicação da Oracle para a América Latina, em entrevista ao Tele.Síntese, destacando o papel da região. “As operadoras móveis latino-americanas estão muito mais avançadas que os Estados Unidos nesse modelo de negócios, onde as empresas começaram oferecendo planos de dados ilimitados e agora não conseguem rentabilizar esse grande tráfego porque suas redes não deram conta”.

 

Segundo o executivo da companhia de computação norte-americana, a receita das operadoras com dados deve duplicar nos próximos cinco anos, período no qual o uso de dados crescerá 26 vezes. Esse crescimento se dará principalmente na telefonia móvel e especialmente em mercados emergentes, uma vez que a tecnologia é mais barata de implementar que a construção de uma rede fixa, e devido à sua alta penetração nesses países.

 

Na América Latina, a tendência de aumento no tráfego de dados móveis é significativo, e as operadoras devem estar preparadas para a atender essa demanda, tanto em termos de capacidade quanto em ofertas, lembra Pereyra. De acordo com um estudo da Oracle com 3000 usuários de celulares em diversos países do mundo, incluindo Brasil e México, 74% dos latino-americanos afirmam já ter usado um smartphone (ante 56% dos norte-americanos) e 59% pretendem comprar um tablet nos próximos 12 meses, maior proporção de todas as cinco regiões pesquisadas.

 

“É óbvio que será necessário aumentar a capacidade das redes para lidar com essa demanda, mas é uma excelente oportunidade para as operadoras aumentarem suas receitas com serviços de dados customizados, limitando o uso de seus clientes para otimizar suas redes”, disse o executivo, citando como exemplo a oferta de pacotes ilimitados só para redes sociais. Pereyra também vê uma tendência entre operadoras de incentivar seus assinantes a usarem WiFi, para descongestionar suas redes – o chamado offloading. “Será interessante ver como as redes no Brasil irão lidar com o tráfego intenso durante a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016”, afirmou.

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