“Temos mil antenas paradas na fábrica”, desabafa presidente da Ericsson


Eduardo Ricotta, presidente da Ericsson Telecomunicações 10/18

As restrições nas grandes cidades à instalação de antenas de redes de telefonia móvel, caso da cidade de São Paulo, indicam que essa poderá ser uma grande barreira à implantação das redes 5G no país, já que elas vão demandar muito mais antenas. “As barreiras à 5G no Brasil poderão ser o custo das frequências e as restrições das prefeituras a instalação de antenas”, disse Eduardo Ricota, presidente da Ericsson Telecomunicações, em entrevista na Futurecom 2018, que se realiza em São Paulo. Ele contou que tem mais de mil antenas prontas na fábrica da empresa em São José dos Campos (SP), à espera de que a Câmara de São Paulo aprove uma nova Lei das Antenas que permita a instalação de radiobases.

Na avaliação de Ricota, as frequências pré definidas pela Anatel para a tecnologia 5G está alinhadas ao road map internacional e ela acredita que o leilão da faixa de 3,5G possa ocorrer no final de 2019 ou começo de 2020. Sua expectativa é que as primeiras redes 5G possam entrar em operação ainda em 2020 no Brasil.

Ao lado da questão das antenas, também lhe preocupa muito o custo das licenças. Defende que o próximo governo tem que se aliar à maioria dos países europeus e não tentar fazer leilão arrecadatório com as frequências de 5G, como fez a Itália recentemente. Lembrou que a Alemanha e o Reino Unido que seguiram este caminho na 3G atrasaram dois anos a sua implantação. E citou um estudo feito pela Ericsson Brasil junto a 40 países que revelou que o Brasil praticou o terceiro maior custo de espectro, ficando atrás só do Panamá e Peru.

“Se as operadoras não tivessem pago tanto pelo espectro, poderíamos ter 32% mais cobertura de distritos, de estradas, de escolas, de áreas rurais”, afirmou.

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