Tele.Síntese analíse 300


PNBL: limite de download é decisão comercial, e não técnica. A maior frustração dos militantes do movimento “Banda larga é um direito seu!” com o PNBL está menos na velocidade do serviço de R$ 35 mensais (com imposto), que começa em 1 Mbps para evoluir até 5 Mbps em 2015, e muito mais nos limites …

PNBL: limite de download é decisão comercial, e não técnica.

A maior frustração dos militantes do movimento “Banda larga é um direito seu!” com o PNBL está menos na velocidade do serviço de R$ 35 mensais (com imposto), que começa em 1 Mbps para evoluir até 5 Mbps em 2015, e muito mais nos limites estabelecidos para o download de conteúdo.

As alegações são de que dá para fazer muito pouco com os 300 MB estabelecidos pela Telefônica para as conexões fixas. Nada mais do que assistir a  um filmete de quatro minutos (de baixa qualidade) no YouTube por dia, o que consumiria 240 MB. Se for mês de declarar o Imposto de Renda, o usuário vai gastar mais 18,5 MB para baixar o programa da Receita. Vão restar menos de 40 MB para baixar todos os demais conteúdos.

Mas por que a oferta das operadoras tem limite pequeno de download e porque eles variam tanto? Na banda larga móvel, a oferta da Vivo, de 1 Mega por R$ 29,90 para todo o país, o limite de download no primeiro ano é de 150 MB (não dá nem pra ver filminho no YouTube todo dia); o mesmo limite foi adotado pela Oi. Já na TIM, que embora não seja concessionária também aderiu ao PNBL, o limite é de 500 MB, mas o valor é de R$ 35 – o que pode forçar a Vivo a elevar seu limite. Na telefonia fixa, a oferta da Oi, de R$ 35 com impostos e R$ 29,90 sem impostos, o limite de download na primeira fase é de 500 MB, superior aos
300 MB da Telefônica. E a oferta da Embratel para a Baixada Fluminense tem limite de download de I MB para o banda larga popular de 1 Mbps a R$ 29,80.

Ao definir o limite de download e upload na oferta da banda larga popular a grande preocupação das operadoras, admitem seus executivos, é não canabalizar suas demais ofertas. Assim, as restrições não estão condicionadas à capacidade da rede, mas a questões comerciais. Não é por outro motivo que a Telebrás, que tem como foco atuar como regulador da oferta de capacidade no mercado de atacado e atender especialmente aos pequenos provedores, não definiu os limites de download e upload no protocolo de adesão ao PNBL que assina com seus clientes. “Não queremos interferir no modelo de negócios do provedor”, esclarece Caio Bonilha, presidente da estatal. Ele informa que o que está definido é a velocidade de 1 Mbps, o preço teto de R$ 35, além da recomendação de garantia mínima de 20% da velocidade contratada e de 60%, em média. “Como a Anatel ainda não editou o regulamento de qualidade, estamos fazendo uma recomendação, com base nos resultados da pesquisa de qualidade feita pelo Inmetro, CGI e Anatel”, informa Bonilha.

Embora a Telebrás não tenha estabelecido para seus clientes, que vão atender ao usuário, os parâmetros de
download e upload, a avaliação de seus técnicos é de que limite de download de 500 MB é suficiente para um usuário iniciante no serviço de banda larga. “Esse limite é pouco para um heavy user de conteúdo multimídia, mas o banda larga popular está dirigida a famílias que não podiam ter acesso ao serviço em função do preço e não aos heavy users”, lembra Bonilha. De fato, uma franquia de 500 MB  só permite baixar uma parte de um DVD, que usualmente tem capacidade de pouco menos de 5 GB. A capacidade usual de um CD é da ordem de 700 MB.

Valor administrável

Esta avaliação é endossada pelos executivos da Oi, que vai concentrar sua oferta da banda larga popular na conexão fixa ( sua rede 3G cobre pouco mais de 200 municípios, ou seja, vai atender 4,2 mil cidades pela rede de cobre). “Como o plano de banda larga popular é um plano de ingresso na internet, seu usário ainda não é um grande consumidor de banda. Ele vai usar o e-mail, fazer pesquisa, baixar alguma coisa do YouTube, frequentar um chat de redes sociais. Para isso, o limite de 500 MB, que em 2013 subirá para 1 GB, é suficiente”, diz um técnico que trabalhou na definição do produto. Com esse limite, segundo ele, é possível a empresa administrar esse produto, sem provocar grande impacto na base de usuários de banda larga que a operadora já tem. Além disso, em boa parte dos municípios atendidos pela Oi (são mais de 4.800) são poucos os usuários de banda larga, pois ela é cara. O usuário de uma cidade de 20 mil habitantes paga hoje pela linha telefônica mais uma banda larga de 600 kbps, sem limite de download, R$ 138,00 por mês, não incluído o aluguel do modem.

Diante desse cenário, o oferta da Oi objetivamente terá um enorme impacto nas cidades médias e pequenas de sua região. Como ela está obrigada a vendar a banda larga sem a linha telefônica, o produto popular vai representar ¼ do preço do serviço atual. Um enorme avanço que leva os executivos da operadora estimarem que a sua base, de 4,5 milhões de usuários de banda larga, deverá no mínimo dobrar.
Já a Telefônica, que atua num estado muito mais rico e com forte penetração da banda larga, optou por atender o PNBL com uma oferta concentrada na rede móvel para não canibalizar sua rede fixa, onde a banda larga é vendida casada com a linha telefônica, ao preço médio (nas promoções) de R$ 70 mês por 1 Mbps. A oferta casada, que poderá fazer desde que ofereça a banda larga móvel sozinha, não poderá custar mais de R$ 65. Portanto, praticamente não haverá redução, em São Paulo, na banda larga fixa, situação muito diferente do cenário na área da Oi. Na rede móvel, a oferta da Vivo até dois meses atrás para 1 Mbps e limite de 1 GB de download era de R$ 99. Agora, pela mesma velocidade, o usuário vai pagar menos de 1/3, o que explica a operadora ter colocado um limite de download tão baixo de 150 MB.  

Capacidade de atendimento das cidades é limitada

Não é por motivo técnico que as operadoras estabeleceram limites baixos para o download na banda larga popular, mas há uma grande preocupação entre todos os especialistas, dentro e fora das operadoras, com a necessidade de investimentos importantes na rede, especialmente no trecho que interliga os backbones às cidades, o chamado backhaul, no caso da rede fixa; ou as estações radiobase ao core da rede, no caso da telefonia móvel. Isso porque as conexões por fibra estão limitadas às grandes e médias cidades. De acordo com Eduardo Tude, do Teleco,  “cerca de 60% dos municípios brasileiros são atendidos com um link de 32 Mbit/s ou menos. Esta é uma capacidade muito limitada”. A forte presença de enlaces de rádio eleva o investimento necessário, pois sua ampliação é mais cara do que ampliar a capacidade da fibra.

Pelas contas de um executivo da Oi, para atender as necessidades do país  em termos de infraestrutura de rede (backbone e backhaul) até 2020 vão ser necessários investimentos de R$ 20 bilhões. A adesão da operadora ao PNBL não deve alterar seu orçamento de investimento para 2010, de R$ 5,5 bilhões, pois as principais atividades do banda larga popular estarão ligadas ao planejamento. “Mas em 2012 e 2013, a empresa vai ter que investir pesado em rede, pois vamos, no cenário mais pessimista, dobrar a base”, afirma. Os investimentos serão dirigidos à ampliação do backbone, do backhaul, tanto com fibra como com o aumento dos enlaces de rádio.

As contas da Telebrás para  fibrar cerca de mil cidades que distam até 50 km de seu backbone, e atender as demais 4 mil com enlaces de rádio, serão necessários investimentos entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões até 2014. “Tudo vai depender dos recursos disponíveis”, diz Caio Bonilha. Ele ressalta que também há limitações na rede móvel, especialmente nas redes 2 G que ainda usam rádios minilinks de
2 Mbps, suficentes só para o tráfego de voz. “Hoje, com dados a demanda é 10 a 20 vezes maior, o que exige fortes investimentos no upgrade da rede. É por isso que a TIM assinou acordo para usar a rede da Telebrás”, diz Bonilha. A TIM é o primeiro grande operador a comprar capacidade da Telebrás, que está comercializando 100 Megabits por R$ 120 a R$ 200, dependendo da capacidade do ponto de presença. Mas a estatal está em negociação com outras duas grandes operadoras e já conta com a adesão ao PNBL de 500 pequenos provedores, dos quais pouco mais de uma dezena já assinou contrato.

As deficiências de infraestrutura de rede no país são apontadas especialmente pelos novos entrantes, que reclamam da falta de oferta, da demora no atendimento nos pedidos e dos preços elevados praticados pelas concessionárias donas das grandes redes. Pesquisa realizada em maio pela Telcomp junto a suas associadas sobre o mercado de EILD (Exploração Industrial de Linha Dedicada) revela que 20% dos pedidos feitos às PMS (empresas com Poder de Mercado Significativo) não são contratados; que nos pedidos contratados o preço médio do circuito é de R$ 9,3 mil (inclui EILD padrão e especial) quando o preço sugerido pela Anatel a EILD padrão é de R$ 1,7 mil; e que 86% dos pedidos têm prazo de atendimento maior do que o definido em regulamento pela agência.

Para João Moura, presidente da entidade, esses dados sugerem uma de duas coisas: ou as operadoras com PMS estão adotando atitudes anticompetitivas ou existe carência de infraestrutura no país. Rogério Takayanagi, diretor de marketing da TIM, afirma que o Brasil tem serviços de telecomunicações caros e não tem infraestrutura. “Há uma demanda reprimida muito forte”, diz ele. Em função da falta de oferta, a TIM, depois de comprar a Intelig, com backbone de longa distância, adquiriu recetemente a Atimus (antiga AES Telecom), com rede em São Paulo e Rio de Janeiro, e anunciou esta semana, além de troca de capacidade cdom a Telebrpas, a instalação de uma rede de fibra óptica na região Norte do país, interligando as cidades de Tucurui, no Pará, Macapá (Amapá) e Manaus (Amazonas), cobrindo 27 municípios nesses três estados. A fibra OPGW (Optical Ground Wire) será lançada por meio de torres de linhas de transmissão e de oito subestações de energia do consórcio LT Amazonas.

Novo paradigma

O fenômeno vivido pelo Brasil, de forte demanda de infraestrutura, é resultado de dois movimentos mundiais – a explosão do vídeo e da mobilidade – e de um movimento local, o crescimento econômico com a inclusão de novos consumidores no mercado de banda larga.

Com maior número de usuários na internet (em 2015, o mundo terá 3 bilhões de usuários, ou seja, 40% da população mundial projetada), maior número de dispositivos (naquele ano serão 15 bilhões de conexões em rede via dispositivos), velocidade mais rápida da banda larga (espera-se que passe da média atual mundial de 7Mbps para 28 Mbps) e mais vídeos, Rogério Dienstmann, diretor de service providers da Cisco, diz que está ocorrendo não há somente um crescimento da demanda agregada por banda, mas também uma mudança na natureza da banda que os usuários demandam.

Tudo isso, acredita Dienstmann, vai mudar os paradigmas de planejamento e dimensionamento de rede usado hoje pelas operadoras. Algumas mudanças previstas:
1) antecipação de ciclos de planejamento, que não podem mais ser feitos anualmente; 2) investimentos não só em aumento de capacidade mas também em gestão de tráfego, com a adoção de CDNs nas redes de distribuição de conteúdo, para hospedar conteúdos mais próximo dos usuários e tecnologias como o WiFi para aliviar o tráfego nas redes móveis; e 3) convergência entre redes fixas e móveis, para adicionar capacidades de uma rede na outra.

Além disso, as operadoras precisam passar a apostar em arquiteturas de longo prazo em vez de ampliar a capacidade das redes atuais a cada seis meses. “Todas essas novas maneiras de se planejar são disciplinas novas dentro do mercado de telecomunicações”, avalia o diretor da Cisco.

Dois mil municípios sem informatização

O novo titular da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI) do Ministério do Planejamento, Delfino de Souza, quer continuar o trabalho de interoperabilidade entre os sistemas e processos do governo federal, estados e municípios, iniciado na gestão passada, ao mesmo tempo que busca soluções para a informatização dos municípios. “Dos 5.665 municípios brasileiros, a SLTI mapeou cerca de 2 mil que têm carência de melhoria da governança baseada em informatização. Estamos buscando incentivos, financiamentos, e a disseminação do software público para que isso seja uma realidade”, afirmou o secretário.

A infraestrutura é outro desafio a ser vencido. Não só a sua ampliação, mas também a racionalização dos investimentos. Para ele, um dos pilares do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) é exatamente assistir municípios não atendidos com o tronco central de suporte para comunicação e, especialmente, a conexão dos órgãos públicos.

“A SLTI é parceira estratégica na definição dos padrões dos serviços. Nós temos encontros semanais com a Telebrás, nossas equipes estão integradas, e estamos buscando formas de fazer pilotos em alguns municípios de Goiás que serão conectados, para definirmos o melhor modelo de padrões”, assinala. De acordo com o secretário, a meta do governo eletrônico deve ser a do autoatendimento, mas há um grande trabalho pela frente. “A pressão que vem da sociedade é muito grande. O crescimento de acesso à internet é significativo, com 60 milhões de pessoas conectadas”, observa.

Souza é também um grande entusiasta do Registro de Identidade Civil (RIC), como uma alternativa para o governo atender os cidadãos de forma mais eficiente e ampla. Este documento, aprovado em lei no passado, irá substituir as atuais cédulas de identidade. Dotado de chip com certificado digital, o novo documento deverá incorporar outros serviços oferecidos pelo governo e que dependiam de garantias para serem obtidos pela internet.

A nova identidade poderá, inclusive, substituir os cartões do SUS, que deixou de ter chip em função do alto custo. “Nós entendemos que o passo que o Ministério da Saúde está dando, ao implantar um cartão simples, é necessário. Com isso, ele está mobilizando as unidades federativas e qualificando os cadastros, a identificação das pessoas. Esse trabalho é uma forma de, no futuro, permitir a migração por adesão ao novo documento”, completa

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