Tele.Síntese analíse 244


Sem a Vivo, PT e Oi ficam sócias no Brasil e em Portugal.  A elevação em mais 14% do preço da Vivo, feita esta semana pela Telefónica, acaba de empurrar a Portugal Telecom para os braços da Oi. “É a melhor alternativa econômica, política e estratégica para as duas operadoras”, resume um dirigente de uma …

Sem a Vivo, PT e Oi ficam sócias no Brasil e em Portugal.

 A elevação em mais 14% do preço da Vivo, feita esta semana pela Telefónica, acaba de empurrar a Portugal Telecom para os braços da Oi. “É a melhor alternativa econômica, política e estratégica para as duas operadoras”, resume um dirigente de uma das empresas envolvidas. Na avaliação de diferentes analistas, esta última oferta, de 6,5 bilhões de euros (cerca de R$ 15 bilhões), e a maneira como está sendo conduzida a nova proposta – que vai ser encaminhada diretamente para a aprovação da assembleia de acionistas da PT – indica que o acordo entre os controladores para a venda da Vivo foi firmado, embora alguns fundos de investimentos ainda apostem em mais uma elevação no valor da oferta.

Poucos são os analistas brasileiros que acreditam que a segunda alternativa apresentada pela operadora espanhola vá ser considerada pela PT. Pela alternativa “b”, a Telefónica assumiria o controle da Vivo, adquirindo mais 33% das ações pelo preço de 2,166 bilhões de euros e a operadora portuguesa continuaria minoritária na celular brasileira por pelo menos três anos, com garantia de recebimento dos dividendos de uma empresa integrada. Esta opção, se dá mais tempo para os portugueses ganharem fôlego, impede qualquer ação mais efetiva de fortalecimento deles no Brasil fora da Vivo – uma vez que não poderiam deter mais do que 10% de participação em qualquer outra empresa de telecom brasileira, até que vendessem completamente a totalidade de suas ações na celular brasileira.

Ao aceitar a primeira proposta – dinheiro em cash, e garantia de manutenção pelo período de um ano dos acordos firmados pela Vivo com a PT e suas subsidiárias (como o de roaming, por exemplo) – a operadora portuguesa poderá rapidamente se reposicionar no mercado global, analisam os executivos. Zeinal Bava, CEO da PT, tem reiteradamente afirmado que, sem o Brasil, a Portugal Telecom não sobrevive.

“Oi e Portugal Telecom são duas empresas pequenas frente aos gigantes conglomerados que estão se formando e têm muita sinergia de atuação”, avalia um consultor. As duas operadoras ainda têm algo em comum: contam com a forte presença do Estado. Embora os papeis sejam diferentes – no caso da PT, o governo tem golden share (com poder de veto), e, no Brasil, a União tem representação indireta, através do BNDES e dos fundos de pensão das estatais – estes sócios podem trazer as discussões societárias para o campo da política. Não é sem razão que o primeiro-ministro português, José Sócrates, e o presidente Lula encontraram-se duas vezes no último mês e andaram falando sobre união de interesses luso-brasileiros.

Para o governo português, é muito melhor, politicamente, só aceitar a venda da Vivo se puder apresentar como contrapartida o ingresso de sua operadora em uma empresa muito maior, como a Oi. O fato de a PT tornar-se minoritária na Oi – o que seria uma blasfêmia no caso da parceria com a Telefónica – não parece ser o problema, analisam algumas fontes, uma vez que na Oi os sócios são em maior número.

Engenharia

A questão é saber qual será a engenharia desta parceria. O mais rápido para a PT, que ficará muito capitalizada se aceitar a oferta espanhola, é simplesmente comprar algumas participações de controle da Oi. Para não criar muito problema com os sócios estatais – até porque o calendário eleitoral brasileiro amplifica em muitos decibeis o debate – tudo indica que os únicos sócios privados (AG Telecom e Jereissati) não recusariam diminuir a participação para o ingresso de um terceiro sócio privado.

Há também a opção de a Oi ingressar na Portugal Telecom, pois a Telefónica se propôs a sair integralmente da PT e vender imediatamente os 8,5% que detém diretamente, além de viabilizar a venda de 1,5% de ações restantes que possui por meio de subsidiárias. Esta opção só poderia se viabilizar com swap de ações, uma vez que a Oi não tem interesse em se descapitalizar para adquirir novos ativos no exterior. Mas esta opção pode ser a escolha política dos sócios estatais, forçando a tomada de posição dos sócios privados.

O aumento do consumo de dados obriga as celulares a ter mais criatividade

E Enquanto o mundo totalmente convergente não se efetiva, as operadoras de celular brasileiras demonstraram, em seus primeiros resultados operacionais do ano, que finalmente os serviços de dados começam a ganhar maior importância no mercado brasileiro. Embora as receitas com dados continuem abaixo da média latino-americana, as empresas já enfrentam o dilema de ter que investir continuamente nas redes, para suportar o crescimento do tráfego, e não ver o retorno sobre esses investimentos na mesma proporção.

E as operadoras brasileiras estão usando estratégias distintas para se posicionar nesse segmento. “Os modelos de negócios de volume de dados começam a evoluir”, observa Luís Minoru, diretor de consultoria da PromonLogicalis. A Vivo, por exemplo, prefere combinar valor e velocidade, sem se preocupar muito com a quantidade de dados trafegados. A operadora tem pacotes de 250 Mbps, 1 Gbps, 4 Gbps, 8 Gbps e o tráfego excedente paga um plus ou navega em uma velocidade mais baixa.

Já a TIM preferiu investir nas redes sociais, como o Facebook. Os seus usuários não pagam para trocar as mensagens de texto, mas a partir do momento em que navegam, começam a pagar.

Para transformar a comunicação de dados em um serviço mais rentável, o diretor da
PromonLogicalis acredita que a tecnologia pode ajudar a colocar um pouco de inteligência no controle do acesso, enquanto o diretor de tecnologia da Nokia Siemens para América Latina, Wilson Cardoso, defende que é o momento de as redes de telecom começarem a interagir com os serviços de internet. Afinal, são as operadoras que têm as informações dos usuários
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Uma das alternativas apontadas por Minoru é que a operadora tenha mais controle, via tecnologia, para saber que tipo de aparelho o cliente usa para acessar o YouTube e outras redes sociais. No caso do YouTube, quando a operadora identifica o aparelho pode mandar um arquivo com resolução mais baixa. “É uma alternativa para diminuir o tráfego na rede”, diz Minoru, lembrando que, muitas vezes, o usuário baixa um filme e nem sempre assiste até o final. Só que a empresa não sabe disso e faz o download completo. “A partir do momento em que a operadora identifica o aparelho, pode começar a descarregar numa qualidade menor e sabendo que é uma rede móvel, começa a transportar os arquivos em pacotes conforme a pessoa vai assistindo”, explica
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“O que vemos lá fora, principalmente Índia e África, é que estão sendo criadas tarifas fixas para redes sociais”, diz Cardoso. Ele cita o caso do Quênia, onde as pessoas acessam uma rede social para consultar a disponibilidade de medicamentos. O governo criou uma aplicação e os usuários recebem um SMS (pagam 20 centavos de dólar para receber a mensagem) com a informação de que seu remédio está disponível.

Nos Estados Unidos, surgiu o que Cardoso chama de “aplicação dirigida”. A operadora Stelera Wireless iniciou, no Texas, um novo modelo de negócios que está sendo levado para o resto do país. Focado nas áreas rurais, um mercado potencial de 6 milhões de pessoas em 40 comunidades rurais, o negócio se viabiliza por uma parceria entre a operadora e as cooperativas. “Neste caso, a própria cooperativa monta uma rede celular e entrega essa rede para a operadora, que tem a concessão para operar”, conta Cardoso. “O tráfego entre os cooperados gratuito e, embora esse tráfego seja alto, os usuários em roaming acabam subsidiando essa conexão para fora. Aí o modelo fecha”, explica.

Solução no pré-pago

Cardoso também aponta como alternativa o modelo de banda larga móvel pré-paga. “O que estamos vendo lá fora é o pré-pago para dados, com uma tarifa mais baixa no momento em que a rede está menos sobrecarregada, uma tarifa diferenciada em função de horários e de carga da rede. É o modelo da telefonia móvel que adotamos aqui há dez anos para voz”, comenta.

O modelo do pré-pago é sugerido também por Jesper Rhode, diretor de multimídia da Ericsson. Segundo ele, na Europa já predomina a venda de dados no pré-pago e o cliente dispõe de um sistema de débito automático em sua conta. “O carregamento é automático e é uma maneira fácil de o cliente perceber o que paga e o seu volume de tráfego na rede. O Brasil pode adotar um modelo como esse”, sugere.

Em um mundo convergente, a combinação de tecnologias fixa e móvel, com sistemas inteligentes, pode ser a saída, mas esse cenário, pelo menos no Brasil, se desenha para um período de três a cinco anos, quando Claro e Embratel serão uma única empresa (a fusão já foi anunciada); a Oi terá consolidado seus serviços convergentes e a Telefônica terá sua operação móvel sozinha. “Hoje ainda se paga a banda larga por tipo de serviço mas acredito que isso vai mudar. O assinante vai querer uma conexão de banda larga que possa ser acessada de sua casa, do celular, de um hot spot, e a operadora vai escolher a tecnologia que usará para atender aquela demanda”, resume Minoru.

Na Europa, novas entrantes passam incumbents na banda larga.

A  A agenda digital da Comunidade Europeia (CE), lançada há duas semanas, propõe que, em dez anos, todos os europeus tenham acesso à internet a velocidades de 30 Mbps e que mais da metade das residências tenham conexões de pelo menos 100 Mbps. Essa é uma meta muito ambiciosa, mesmo para os países mais ricos do bloco. Ambiciosa porque, em julho do ano passado, a penetração de fibras ópticas até as residências europeias (FTTH) era de apenas 1%, enquanto nos Estados Unidos era de 2%, no Japão, de 12%, e na Coreia do Sul, de 15%.

Apesar da crise econômica (os números de algumas consultorias indicaram redução de 5,9% no Capex das operadoras de telecom em todo o mundo, no ano passado), o relatório sobre o comportamento do mercado europeu, com mais de 400 páginas, publicado pela CE, alerta para o fato de que as operadoras continuam reticentes em investir nas redes de nova geração (NGN). Não por causa da macroeconomia, mas porque pouquíssimos são os clientes que usam 80% da capacidade ofertada por essas redes.

O relatório aponta ainda que há muitas incertezas regulatórias sobre essas novas redes, o que estaria retardando os investimentos privados. A questão central, contudo, alerta o documento, é que “com preços flat baseados no mundo IP, um incremento no tráfego não se traduz automaticamente em crescimento de receitas”. Ou seja, as telcos ainda não conseguiram se reposicionar nessa nova cadeia de valor.

A banda larga na Europa fechou o ano com uma taxa de penetração de 24,8%, e predominância da tecnologia ADSL (79%) contra o cable modem ou as fibras. 84% das operadoras oferecem velocidades acima de 2 Mbps, mas apenas 23% têm conexões acima de 10 Mbps.

Quanto à competição, o unbundling do acesso local (local loop unbundling) ganhou a preferência dos operadores e tornou-se o principal instrumento de oferta de banda larga pelas entrantes, que já têm 74% das linhas DSL no mercado. Na maioria dos países europeus, o market share de banda larga dos novos entrantes é maior do que o das incumbents. Nos países maiores, o market share das concessionárias ainda é muito significativo, distorcendo, assim, a média europeia. Na Itália, a Telecom Italia tem 57% do mercado; na Espanha, a Telefónica conta com 55%; seguida pela Deutsche Telekom na Alemanha e France Telecom, na França, que detêm 46% de seus mercados nacionais. A Grã- Bretanha é o país onde a incumbent tem a menor fatia, com apenas 28% do market share de banda larga fixa.

Mobilidade

A telefonia móvel europeia, que há alguns anos é responsável por metade do faturamento do setor, passa por novos desafios, aponta o relatório. E o principal é, mais uma vez, lidar com o aumento da demanda por banda em contraposição ao crescimento limitado de receitas. Estudo demonstrou que os assinantes europeus de celular estão gerando uma média de 130 vezes mais tráfego, enquanto pagam apenas 1% a mais de preço por megabit.

A voz continua a ser a “vaca leiteira” das operadoras móveis europeias, responsável por 81% das receitas, seguida pelas mensagens curtas, que se estabilizaram na geração de 12% do caixa. Apenas 4% das receitas vêm dos acessos à internet. O crescimento da banda larga móvel é expressivo (86% entre janeiro de 2009 e janeiro de 2010), mas alcança só 5,2% da população.

A competição no celular, em praticamente todos os países europeus, se dá entre três ou quatro operadoras, e a líder não tem mais de 40% do mercado. Mas se a Europa for vista como um único mercado, então ele passa a ser bem concentrado, pois quase 80% de seus assinantes (460 milhões de usuários) são atendidos por uma das quatro empresas presentes em quase todos os países da comunidade.

Preços
Tanto na fixa, como na móvel, os preços continuam a cair. Na banda larga fixa, os preços para acesso a velocidades entre 8 Mbps e 20 Mbps caíram 23%, entre 2007 e 2009, e custam em média 33,61 euros, contra 51,33 euros, em 2007.

A oferta de conexões de 512 kbps até 1 Mbps praticamente desapareceu do mercado (há três anos, esta velocidade representava 15% do total) e custa mais caro (31,91 euros) do que as velocidades entre 1 Mbps e 2 Mbps, que tinham preço de 30,59 euros.

Na telefonia móvel, o mais importante impacto no preço se deve à dura ação regulatória para a redução da tarifa de interconexão, iniciada há alguns anos. Em 2009, a VU-M europeia caiu mais 18,4%. Em 2005, a tarifa de terminação móvel (de uma ligação fixo/móvel) custava em média 12,65 centavos de euros por minuto. Em 2009, caía para 6,71 centavos de euros o minuto.

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