Tele.Síntese Analise – 238


Anatel avisa que metas não cumpridas impedirão presença em leilão de frequência O conselheiro da Anatel, Jarbas Valente, dá um duro recado para as operadoras de telefonia celular, que têm até o dia 30 de abril para cumprir os compromissos de abrangência assumidos durante a compra das faixas de 3G. “As empresas que não cumprirem …

Anatel avisa que metas não cumpridas impedirão presença em leilão de frequência

O conselheiro da Anatel, Jarbas Valente, dá um duro recado para as operadoras de telefonia celular, que têm até o dia 30 de abril para cumprir os compromissos de abrangência assumidos durante a compra das faixas de 3G. “As empresas que não cumprirem as metas não poderão participar dos próximos leilões de frequência”, avisou, taxativo.

Segundo o conselheiro, além de proibir a presença na licitação, a agência irá resgatar todas as garantias (para cada cidade, as empresas tiveram que apresentar fianças bancárias, que serão sacadas pela Anatel), além de abrir Procedimentos de Apuração de Descumprimento de Obrigações (Pado), que vão gerar multas. Conforme Valente, as operadoras já foram notificadas pela Anatel sobre as punições que poderão receber. Por isso, ele acredita que elas cumprirão as metas no prazo. “As operadoras têm muito a perder se não cumprirem as metas”, alertou o conselheiro.

Na agência, repercutiu mal o depoimento do gerente geral, Nelson Takayanagi, feito há duas semanas na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados, quando ele apontou as dificuldades enfrentadas pelas empresas para chegar aos municípios mais distantes.

Ao todo, as quatro operadoras (Claro, Oi, TIM e Vivo) têm que atender 1.836 municípios com  menos de 30 mil habitantes (25% dessas cidades para cada uma), e cobrir pelo menos 80% dos 47 municípios com mais de 500 mil habitantes com a 3G. As operadoras, por meio de suas assessorias de imprensa, afirmam que em 30 de abril estarão quites com as metas. Mas ainda há muito a fazer.

Conforme o site Teleco, em 13 abril, nem as cidades com mais de 500 mil habitantes estavam todas atendidas. A Vivo é a mais avançada, e a TIM, a mais atrasada. Nos grandes centros urbanos – que não ficam em locais inóspitos, não têm floresta densa, nem sofreram qualquer terremoto –, somente a Vivo já tinha cumprido o seu papel. Oi e Claro precisavam ainda cobrir cinco municípios; e na área da TIM, 17 grandes cidades ainda estavam sem sua cobertura.  

Nos municípios com menos de 30 mil habitantes, nenhuma empresa ainda havia concluído as metas. A Vivo, mais uma vez, na frente, devendo 111 cidades. A Claro, 164 cidades; a Oi, 233; e a TIM, 234 municípios.

Um dirigente da Claro esclarece que ela teve que importar muitos equipamentos pela falta de capacidade de indústria local de fornecer no prazo desejado e, em dezenas de cidades, terá que usar a infraestrutura de satélites para poder ligar rede, por absoluta falta de oferta dos demais backbones fixos. Mas garante que, no dia 30 de abril, todas as suas cidades estarão iluminadas.

MVNO

Para  o conselheiro, o operador móvel virtual poderá ser um aliado importante das atuais empresas justamente nessas cidades pequenas, que deverão receber mais empresas autorizadas (operadores de fato) do que credenciadas (revendedores) – empresas essas que terão recursos próprios para fazer as ampliações necessárias nas redes, acredita ele. Apesar da pressão da GVT e de outras novas competidoras, Valente não vê necessidade de obrigar as atuais empresas a firmar contratos de MVNO. No seu entender, os exemplos de parcerias voluntárias apresentam melhores resultados do que os das parcerias obrigatórias.

Ele acha, porém, que dois temas presentes na consulta pública devem ser melhor estudados e talvez modificados. A primeira é a que estabelece que o futuro credenciado negocie com apenas uma operadora  na mesma área de numeração. Na opinião de Valente, não faz muito sentido a regra permitir que o autorizado faça acordos com quantas empresas quiser, e não deixar que o credenciado tenha a mesma liberdade.

A outra restrição que ele acha que pode ser mudada refere-se à proibição de controladores, controlados e coligados de operadores de SMP serem MVNO. Valente entende que se os coligados ficassem fora dessa restrição poderia haver maior número de operadores virtuais, ampliando assim a competição e a oferta de serviços para o usuário. Ou seja, hoje, a Net não pode ser MVNO porque é coligada da Claro pela Embratel ou a Intelig também não poderia atuar no mercado móvel, por ser coligada da TIM. Essa é a restrição que poderá cair.  

Avança o movimento dos portais para levar conteúdo da web para a tela da TV

Os três principais portais de conteúdo do país – iG, Terra e UOL – se aliaram a três grandes fabricantes de televisores, respectivamente, Sony, Samsung e LG, para a oferta de um novo serviço para os usuários: a possibilidade de acessar conteúdos da internet na tela da TV. A iniciativa, embora em diferentes estágios em cada um dos portais, busca um movimento comum, que é o de tornar viável o consumo de conteúdo em múltiplas plataformas.

"Antes, poucas mídias davam acesso ao conteúdo; hoje, o acesso pode se dar por meio de diversos devices e a TV é um deles", resume Pedro Rolla, diretor de mídia do Terra para a América Latina. "Nossa estratégia é estar presente nas distintas plataformas, sabendo que em cada uma existem experiências diferentes do consumo do conteúdo", sintetiza o diretor do Terra. Em outras palavras, esse é também o objetivo do concorrente iG, da operadora Oi. "Quando a gente fala de conteúdo, o iG tem um pilar na web mas também em outras plataformas, como a móvel, a mídia digital (notícias formatadas para mídia indoor como aeroportos e cinemas) e agora a tela da TV", diz Caíque Severo, diretor de desenvolvimento editorial do iG.

Embora os aparelhos da fabricante japonesa com a função Internet Vídeo possibilitem apenas o acesso de vídeos, Caíque conta que a oportunidade de parceria veio a calhar com os objetivos de sua empresa. "Isso (a internet na tela da TV) se encaixa dentro de uma estratégia maior nossa, de ampliar a distribuição de conteúdo além da internet. O objetivo é aumentar nossa audiência e estamos unindo a facilidade da TV com a velocidade da internet, oferecendo conteúdo da forma mais conveniente aos consumidores", comenta.

O UOL fez sua parceria com a LG, que deve lançar seus aparelhos com a função de acesso a internet no início de maio. Neste momento, conta Alexandre Gimenez, gerente geral de conteúdo do UOL, o portal está dando uma "roupagem específica" para exibir na TV seu conteúdo de vídeo, fotos e textos. "A forma de navegação na TV precisa ser mais simples, uma vez que a interação é pelo controle remoto, portanto, é preciso menos cliques para se chegar ao conteúdo final", comenta Gimenez. "Isso se enquadra num movimento geral do UOL. O que a gente quer é disponibilizar nosso conteúdo para o internauta acessar no device que ele achar mais conveniente, ou seja, no desktop tradicional, no laptop, no celular, na mídia indoor e agora na televisão."

Conteúdos e interatividade

O  portal de mídia do grupo Telefónica é o que está mais avançado na experiência, com a oferta de um conteúdo que cobre de esportes a diversão. O serviço, disponível por enquanto em alguns modelos de TVs de LED e TVs de LCD da Samsung com a função internet@TV, em breve incluirá as redes sociais. Segundo Rolla, já podem ser acessados nesses televisores vídeos de notícias do Terra TV, vídeos com documentários, galerias de fotos e informações sobre esportes e campeonatos. "A experiência na TV é diferente da experiência na internet e ainda não tem tanta profundidade, mas não podemos esquecer que a internet um dia já foi TV aberta", comenta o diretor do Terra, lembrando que, no passado, a web não tinha essa ampla gama de conteúdo, mas apenas notícias e algumas ferramentas de mensagens instantâneas. "Começou com canais com poucas informações e acreditamos que, com a TV, acontecerá a mesma coisa".

A parceria do Terra com a Samsung começou em agosto do ano passado no Brasil e agora será ampliada para a América Latina. O diretor do portal acredita no crescimento da internet na TV e antecipa que, em 2012, os telespectadores poderão ver na TV parte do conteúdo produzido pelo Terra, que fechou exclusividade para a cobertura das Olimpíadas de Londres, na América Latina.

O iG, por enquanto, distribui apenas os vídeos produzidos pelo portal para serem assistidos nas telas dos televisores da linha de TVs e Blu-Ray da Sony. Os aparelhos da Sony trazem a função Internet Vídeo. Gimenez, do UOL, destaca que a internet na TV tem a limitação que o fabricante coloca em relação ao conteúdo que será exibido. "No caso do UOL, tivemos que nos adaptar às limitações impostas pela LG, em relação a exibição de conteúdo, forma de navegação etc.", comenta.

Nas três experiências, o acesso do conteúdo da web na TV é gratuito e pode ser tanto nas TVs por assinatura quanto na TV aberta. O acesso ao conteúdo é por meio do controle remoto (ao acessar a opção @TV, o usuário abre uma tela com widgets e, a partir da escolha de um dos ícones, acessa o conteúdo que quer assistir). A transmissão é via cabo ou por rede wireless (o consumidor precisa, portanto, ter acesso à internet, além de um aparelho de TV com a função compatível).

Fusão Telefônica e Vivo: desejada, mas improvável.

A volta dos rumores na mídia sobre o movimento da espanhola Telefónica, para adquirir o controle da Vivo, ou para tentar arrematar a TIM, é vista por analistas de mercado como muito improvável de acontecer a curto prazo. “Mesmo que a Telefónica desse um prêmio de 100%, acho difícil a Portugal Telecom (PT) vender sua participação na Vivo, pois ela não teria outro país onde comprar ativos tão importantes”, avalia um consultor do banco Modal. Ele assinala que, apesar de aguardar, há mais de cinco anos pela movimentação da Telefónica no sentido de controlar, sozinha, a sua operação de celular, o mercado sabe que as opções são muito difíceis.

Entre as sinergias que poderiam ser capturadas com a união das duas empresas, alinhava um analista do Goldman Sachs, estaria a redução de custos, para a Vivo, no uso da capacidade da rede de banda larga da Telefônica fixa, pois a operadora móvel deixaria de recolher o ICMS pelo uso da rede. Haveria também melhor utilização da frota de atendimento, unificação do billing e do call center. “Até mesmo o DDD da Telefônica, o 15, poderia ser divulgado com mais clareza nos pacotes do celular”, avalia a fonte.

Outro analista assinala que a operadora espanhola está, em solo brasileiro, atrasada frente a seus competidores, no que se refere à reorganização societária. “A Oi já está unida e oferece pacotes convergentes. E agora todo o grupo Slim ficará sob um único guarda-chuva na América Latina”, lembra o interlocutor.

O problema, contudo, é que, na avaliação dos consultores, a Portugal Telecom, sem a Vivo, ficaria muito menor do que o resultado de sua venda. A Vivo continua a crescer em um mercado que também cresce, tem um cash flow invejável e começa a distribuir dividendos. As receitas internacionais da PT já representam mais de 51% do faturamento do grupo (nas quais a Vivo deve contribuir com cerca 90%, uma vez que as demais operações africanas da PT são pequenas).

A aquisição da TIM poderia ser uma opção menos difícil, mas haveria problemas. Hoje, a TIM é a única operadora que está crescendo e melhorando seus fundamentos, e é a aposta do board da holding italiana, a ponto de deslocar muitos de seus gerentes para cá. “A Telecom Italia teria pelo menos outros três ativos para vender antes de se desfazer da operação brasileira”, avalia uma fonte.

Na avaliação dos técnicos, talvez a única solução para a operadora espanhola se reposicionar é fazer a aquisição no mercado europeu, comprando a própria PT, ou adquirindo as ações dos bancos presentes no controle da Telecom Italia, que dão mostras de querer sair da operação. Interlocutor do JP Morgan lembra, no entanto, que a saída de um competidor do mercado já começa a ser vista com restrições pelas agências reguladoras, e ontem mesmo a Suíça proibiu a fusão da Orange com a Sunrise.

 
Europa discute uma nova agenda digital

A Comissão Europeia já tem uma nova agenda digital, com sete obstáculos a serem corrigidos, anunciada esta semana durante reunião com os ministros europeus de telecomunicações. A Europa reconhece que faltam investimentos em rede. Conforme Neelle Kroes, a nova vice-presidente da área, novas medidas terão que ser adotadas para facilitar os investimentos na rede de internet em alta velocidade. Como segundo item da agenda, os países europeus querem unificar os mercados digitais que, no entender da comissão, estão ainda muito fragmentados.

Outro problema a ser superado é a carência de mão de obra especializada. Para a vice-presidente, a diminuição no número de profissionais capacitados em TICs e o analfabetismo digital de uma boa parcela da população fazem com que o crescimento econômico e o aumento da produtividade proporcionados pelas TICs não possam ser plenamente assimilados. Há também críticas à própria cultura da internet. Para Kroes, as TICs europeias só conseguem dar respostas fragmentadas para os problemas do cotidiano da população.

Enquanto os cybercrimes aumentam, diminuem as intenções dos internautas de adquirir programas de segurança mais sofisticados. Esta discrepância de comportamento ocorre porque os atuais sistemas não conseguem assegurar a privacidade dos dados dos usuários, avalia. A nova comissária entende também que a Europa continua investindo pouco em pesquisa e desenvolvimento. “Nossa prioridade será atrair mais investimentos e construir as pontes para unir as ideias e os mercados”, afirmou. Por fim, a falta de interoperabilidade também é uma preocupação. 

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