Tele.Síntese Analise – 231


Regulamento de 3,5 GHz libera incumbents para comprar faixa em suas áreas Em silêncio, (nenhum representante da Anatel explicou à imprensa as decisões da resolução 537, publicada na semana passada), a agênciadá uma sensível guinada de posição no que se refere à participação das incumbents de telefonia na aquisição de novas bandas de frequência. Nesse …

Regulamento de 3,5 GHz libera incumbents para comprar faixa em suas áreas

Em silêncio, (nenhum representante da Anatel explicou à imprensa as decisões da resolução 537, publicada na semana passada), a agência
dá uma sensível guinada de posição no que se refere à participação das incumbents de telefonia na aquisição de novas bandas de frequência. Nesse regulamento,
que disciplina a ocupação da faixa de 3,5 GHz, a Anatel deixa as concessionárias e suas coligadas, controladas e controladoras, comprarem espectro na mesma área de
prestação de serviço, o que antes era proibido.A agência preferiu controlar o poder das concessionárias estabelecendo um teto – de 45 MHz – que cada grupo
poderá adquirir em sua área de concessão.Mas não estabeleceu o teto para a compra de frequência fora da área original. Essa decisão
acaba com um embate que se arrastava desde 2006, quando a agência publicou o edital de venda de 3,5 GHz, proibindo as concessionárias
de disputar o leilão em suas áreas,proibição derrubada pela Justiça, paralisando,assim, a disputa.
Os 200 MHz regulamentados para o STFC, SCM, SMP e serviço móvel (faixa de 3.400 MHz a 3.600 MHz) foram divididos em 40 blocos de 5 MHz. O que
significa que as concessionárias só poderão disputar nove desses blocos em suas áreas originais. Interessante será o tratamento que a Anatel vai dar para a Oi: a operadora
ficará limitada a 45 MHz em toda a sua extensão territorial,com exceção do estado de São Paulo, ou poderá comprar 90 MHz no total, tendo em vista que a antiga BrT integra outra região do PGO?
Mas o regulamento traz ainda outra novidade, jamais vista em norma da agência: o edital de venda das frequências terá de ser feito de tal forma que assegure e participação
de micros e pequenas empresas na disputa. Além disso, a agência manteve o que havia proposto na consulta pública,de reservar 10 MHz de banda para os projetos de inclusão
dos governos municipais, estaduais e federal.

Interferência

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Para acabar com a interferência que o sistema WiMAX poderá provocar nas antenas parabólicas que captam os sinais de TV aberta – que têm os seus receptores atuando
nesta faixa – a Anatel estabeleceu prazo de cinco anos até que os transmissores do WiMAX alcancem a potência máxima de 30 Watts. Até lá, os transmissores só poderão
emitir com potências de 2 a 4 Watts.Mas esse período de transição não tranquiliza os radiodifusores.Segundo técnicos da Abert, cinco anos é pouco para
todos os conversores de antena parabólica. Eles alegam ainda que a potência máxima autorizada pela Anatel para os sistemas
de telecomunicações poderá afetar todas as residências que têm os sinais de TV captados por parabólica. “30 Watts é muita potência e
poderá afetar as 20 milhões de residências com parabólica”, afirma técnico da entidade. A Abert pretende pedir à Anatel que libere os estudos
que subsidiaram essa decisão.Uma medida que também afeta os radiodifusores, explicitada nesse regulamento, já foi por eles assimilada. Trata-se da obrigatoriedade
de desocupar essa banda antes usada para os sistemas do Serviço Auxiliar de Radiodifusão e Correlatos, Especial de Repetição de Televisão e Especial de Circuito Fechado
de Televisão com Utilização de Radioenlace. Há dois anos a Anatel já não outorga nem concede mais licenças para esses serviços nesta banda, o que gerou muita reação dos
radiodifusores quando as regras foram criadas.Agora, a agência comunica que as emissoras de TV que ainda ocupam essa faixa terão os serviços transformados
em caráter secundário dentro de três anos. O que significa que não podem reclamar de interferência e estão fadados a desaparecer. Segundo a Abert, várias emissoras comerciais já
migraram seus sistemas para a banda de 7 GHz (entre elas, o grupo Globo), mas a TV Cultura ainda usa essa frequência para a repetição de seus sinais no interior de São Paulo e poderá
ter dificuldades em migrar em apenas três anos.

Portabilidade e bundle fazem entrantes avançar na telefonia fixa

Com seis anos de atraso em relação às previsões da Anatel sobre a expectativa de conquista de mercado pelas espelhos, as novas entrantes –
GVT e Embratel, que incorporou a Vésper – já respodem por 20% das linhas em serviço da telefonia fixa,que, de acordo com dados estimados pelo site Teleco, eram
41,7 milhões, no final de 2009. Em 2005, o percentual era de apenas 5,8%. O grande salto se deu entre 2008 e 2009,graças à entrada em cena da portabilidade numérica, que
fez a participação das entrantes no market share avançar de 16% para 20%.Com uma base de 1,442 milhão de linhas fixas locais
em serviço, a GVT enfrentou forte crescimento no serviço local em 2009, de 38,4%. Ricardo San Felice, diretor de marketing e serviços da GVT, reconhece que a operadora
foi bastante beneficiada pela portabilidade numérica. Para cada cliente perdido, ela conquistou outros sete que pediram a portabilidade. Dos números portados na região
onde atua predominantemente, ela ficou com 62%. Do total nacional de telefones fixos portados, 1, 498 milhão,seu market share foi de 34%. A expectativa da empresa
é de que, apesar da tendência de estabilidade na base de telefonia fixa, seu participação continue em ascensão.Mas Felice observa que 88% das vendas de linhas fixas
vendidas pela GVT são em pacotes com banda larga.E seu foco, no mercado doméstico, são os usuários de classes A e B.
Também a Embratel, entrante na telefonia local, experimenta um respeitável crescimento em sua base nesse serviço. No ano passado, as linhas locais cresceram 20,5%,
de 5,129 milhões para 6,452 milhões, e a receita com o serviço local aumentou 21,7%, enquanto a Telefônica enfrentou recuo tanto na base de assinantes (-3,6%) quanto
na receita do serviço (-11,7%). Já a Oi, nos nove primeiros meses do ano (ela só divulga o balanço de 2009 no dia 15 deste mês), também apresentou um recuo de 3% em sua
base de linhas fixas locais em serviço, que somavam no final de setembro 21,442 milhões, das quais 15,854 milhões eram residenciais. Já a receita foi superior em 2,5% à de igual
período no ano anterior.Ao contrário da GVT, que praticamente não vende telefonia fixa local sem banda larga, a Embratel tem um número
expressivo das “vendas solteiras” só de linha fixa para usuários de menor poder aquisitivo. Para esse segmento,seu produto é o Livre, um fixo pré-pago. Embora a Embratel
não divulgue em seu balanço o número de linhas do Livre,estimativas do mercado indicam que uma boa parte de sua base de telefonia fixa (cerca de metade) envolve só este
serviço. A outra metade é bundle com banda larga – a Net fechou 2009 com 2,882 milhões clientes de banda larga (crescimento de 30%), que compraram junto o Netfone.

Concessionárias reagem

A suspensão das vendas do Speedy por dois meses,por determinação da Anatel, fez a Telefônica registrar um modestíssimo crescimento de 1% da banda larga frente aos
bons números dos concorrentes, e também enfrentar um recuo, ligeiramente superior ao projetado, na telefonia fixa.Mas Fábio Brugione, diretor executivo do segmento residencial
da Telefônica, diz que esse recuo vem se reduzindo. A queda diminuiu, do terceiro para o quarto trimestre, em 0,3%. E a expectativa é de crescer a base de linhas fixas
em serviço (em dezembro, eram 11,257 milhões, das quais 8,062 milhões residenciais) em 2010. Na banda larga, ele assegura que a operadora já voltou a ganhar market share,
pelo terceiro mês consecutivo.Para voltar a ganhar terreno na telefonia fixa, a Telefônica tornou seu portfólio de telefonia local mais flexível – hoje são
seis pacotes – e está investindo em campanhas publicitárias para mostrar que, “dentro de casa, o fixo é melhor”, ou seja,
mais barato que o celular (a tarifa, não considerando planos especiais, é seis vezes menor) e oferece melhor qualidade de
comunicação. “O que queremos mostrar é que o serviço fixo complementa o móvel, não são excludentes”, diz Brugione.A telefonia fixa, diz Brugione, perde mais mercado para
a telefonia móvel do que para a venda de pacotes de banda larga com voz. Segundo ele, 70% dos clientes que eram assinantes Telefônica e compraram banda larga da Net,
com Netfone embutido, continuam assinantes do telefone. Flávia Bittencourt, diretora de marketing da Oi, concorda.Ela diz que a migração fixo-móvel é uma tendência mundial,
que ocorre independente da concorrência e também assegura que a maior parte dos clientes de banda larga da GVT (maior competidor da empresa) continua cliente de
telefonia fixa da Oi.Mesmo assim, acredita que uma parte dos clientes da Oi que migraram para a GVT, levando telefones portados,
fez essa escolha em busca de maior velocidade de banda larga. Tanto que, diz ela, a partir do momento em que a Oi lançou um serviço acima de 4 Mbps, em Recife, o churn
na região caiu 20%. Ela também notou, a partir do último trimestre, o início de um processo de redução de pedidos de portabilidade, da ordem de 5%. “Houve um boom que
começa a arrefecer”, avalia.

TV em 3D. Chance para a tecnologia brasileira?

O sucesso do filme Avatar não está apenas na plasticidade das imagens ou na simplicidade da narrativa da luta do bem contra o mal, sem qualquer
chance para meio termo. O sucesso vem da imagem em três dimensões, a coqueluche do momento da indústria cinematográfica norte-americana. A aposta dos consultores
é de que o sofisticado recurso chegue aos aparelhos de TV em todo o mundo ainda este ano (alguns fabricantes já começam a anunciar lançamentos), inicialmente nas emissoras
de TV paga, os distribuidores dos primeiros filmes em três dimensões para as residências. A empresa de pesquisa de mercado norte-americana In-Stat estima que em 2014 mais
de 40 milhões de aparelhos de TV 3D serão vendidos em todo o mundo. Também deverá ser comercializado o mesmo número de equipamentos blu-ray em 3D.
O blu-ray tradicional, conforme as projeções da mesma consultoria, irá ocupar rapidamente uma fatia do mercado dos DVDs players, cujas projeções indicam que as vendas
cairão 40% até 2013, em todo o mundo. Embora os preços dos semicondutores do blu-ray fossem, no ano passado, oito vezes mais caros do que
os dos aparelhos de DVD, a queda de preço deverá chegar a 70% em três anos, prevê a In-Stat. O alto preço, por sinal, é uma das razões
pelas quais esse equipamento ainda não é encontrado no mercado varejista brasileiro,uma vez que o código de transmissão dos
sinais de vídeo foi unificado para as Américas e a Europa, o que amplia bastante a escala de fabricação, ao contrário dos DVDs, que tinham um código
diferente para cada continente.A Philips já apresentou ao mercado europeu seus primeiros modelos de TV 3D, ainda a preços pouco convidativos,
mas a expectativa é de que os valores caiam rapidamente.Nos Estados Unidos, a rede de TV aberta CBS anunciou que vai produzir e transmitir uma grade com muitas horas
semanais de programas em três dimensões.

ISDB

E o que tem isso a ver com o padrão nipo-brasileiro de TV digital, o ISDB? A princípio nada, pois a 3D independe do padrão digital adotado. Mas pode ter tudo a ver, alerta
André Barbosa, assessor especial da Casa Civil. O Brasil pode, por exemplo, se habilitar a desenvolver interoperabilidade
em três dimensões. “É uma importante oportunidade de desenvolvimento tecnológico nacional. É fundamental que ingressemos em um nicho onde não existe qualquer
tecnologia pronta”, assinala.Para isso, porém, o Brasil ainda precisa ultrapassar uma série de obstáculos. E o primeiro é desenvolver e produzir
em escala industrial os aparelhos com o Ginga (middleware nacional) e com interatividade. Finalmente, o Comitê da TV digital aprovou duas das três plataformas de interatividade.
A primeira, mais simples, permite a transmissão e recepção de dados e texto, sem vídeo. A segunda, aceita até um clipe de animação. A terceira, que irá permitir a interatividade
plena, com imagem em movimento, ainda não está definida. Se o comitê e o governo federal estão se empenhando para viabilizar a TV interativa (que pode ser usada para a
prestação de serviços públicos para a população), o problema continua a ser o número de televisores no mercado capazes de receber os sinais digitais. Segundo Barbosa,
na próxima semana o comitê gestor terá informações detalhadas da Superintendência da Zona Franca de Manaus sobre as vendas do ano passado de TV com o set top box
embutido, a venda apenas da caixinha e a venda de pen drives com capacidade de receber sinais de TV digital.Mas os indicadores e a reação dos radiodifusores
comerciais apontam para uma base ainda muito pequena. Conforme algumas consultorias, a venda de televisores LCD/HD com conversor digital não chegou a 20% do
total de aparelhos HD vendidos no mercado interno no ano passado.O governo irá lançar uma campanha sobre a interatividade na TV, mas os radiodifusores
comerciais já avisaram que não irão oferecer qualquer serviço interativo durante a Copa do Mundo deste ano, sob o argumento de que a base de TVs digitais ainda
é muito pequena no país.Há também a resistência dos radiodifusores quanto ao novo modelo de negócios criado pela interatividade. Por
exemplo: hoje, a publicidade é linear (diversos anúncios transmitidos em fila). Com a interatividade, haverá superposição
de imagens e dados: como vender anúncio assim?
Hoje, o canal de retorno será feito na mesma banda da TV digital, por meio de qualquer dispositivo USB ou de vídeo composto, mas Barbosa lembra da posição brasileira,
defendida no WiMAX Forum no ano passado, de o país ocupar 10 MHz da banda de UHF (de 700 MHz, quando for devolvida pelas emissoras de TV analógicas) para servir
de canal de retorno. Nesse seu modelo, explica, o canal de retorno seria explorado por um único operador de rede,que compartilharia os sites e a rede com os radiodifusores
brasileiros, a exemplo do que ocorrerá com a rede da TV pública e os múltiplos programas.

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